Separadas no nascimento: 'Como descobri minha irmã gêmea do outro lado do mundo graças ao YouTube'

Samantha e Anaïs Direito de imagem Getty Images
Image caption Samantha e Anaïs se viram pela primeira vez em Londres, onde Anaïs estudava moda

Gêmeas, mas com sobrenomes muito diferentes. As irmãs Samantha Futerman e Anaïs Bordier poderiam ter passado a vida inteira sem saber da existência uma da outra.

Nascidas na Coreia do Sul, elas foram adotadas por famílias distintas. Samantha foi acolhida por uma família americana de Los Angeles, enquanto Anaïs foi recebida por uma família francesa, em Paris.

Seus papeis de adoção diziam a mesma coisa: "Filha única".

As duas jovens, hoje com 31 anos, se conheceram em 2013, dopois que Anaïs viu a irmã em um vídeo no YouTube.

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Image caption As duas sabiam que eram adotadas, mas seus documentos diziam que eram filhas únicas

Do outro lado do Atlântico

Em 2012, Samantha trabalhava meio período em um restaurante de Los Angeles enquanto tentava engatar uma carreira de atriz.

Anaïs estava estudando moda na Universidade de Londres.

"Eu estava no ônibus quando recebi uma mensagem de um amigo no Facebook dizendo que alguém havia postado um vídeo meu no YouTube", contou Anaïs ao programa Outlook, da BBC.

"Fiquei muito curiosa, porque não me lembrava de ter feito nada no YouTube. Quando vi o vídeo, me dei conta de que não era eu."

O vídeo, um esquete de humor em que Samantha fazia uma pequena participação, não tinha o nome da garota que atuava.

"Ela era exatamente como eu."

Apesar da assustadora semelhança física, não havia muito o que fazer a respeito: o nome da atriz do vídeo não estava em lugar nenhum. Seus amigos brincavam que ela havia encontrado sua dublê nos Estados Unidos.

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Image caption As gêmeas nasceram na Coreia do Sul em 1987

Vários meses depois, Anaïs viu a mesma mulher em um trailer de um filme, também no YouTube.

Desta vez ela encontrou os dados da jovem em um site com informações sobre cinema.

O nome era Samantha Futerman, e seu perfil no site tinha fotos e dados pessoais.

"O site dizia que ela havia nascido na Coreia do Sul, em 19 de novembro de 1987. Achei que estava ficando louca: eu também havia nascido nesse dia, e também tinha sido adotada na Coreia do Sul."

Anaïs foi correndo contar para seus pais.

"Li para eles todos os dados e minha mãe quem falou: 'acha que você pode ter uma irmã gêmea?'"

Ela, então, decidiu enviar uma mensagem a sua "sósia" pelo Facebook.

Surpresa

Nos Estados Unidos, Samantha esperava ansiosa a estreia do filme.

"Estava na casa de uma amiga pintando as unhas. Então, vi uma mensagem de Anaïs no meu Facebook: 'Não quero te deixar maluca, mas nós somos muito parecidas. Me conte o que você acha", contou Samantha à BBC.

"Eu disse a mim mesma: 'Não pode ser! É uma loucura!'"

"Eu já havia visitado a Coreia com minha mãe, ido à agência de adoção e olhado os registros. Achava que essa era toda a minha história."

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Image caption Em seu primeiro encontro pessoal, as duas riram de nervoso

As duas decidiram fazer uma chamada de vídeo por Skype.

"É tão esquisito ver alguém que é exatamente como você."

Nenhuma delas se lembra exatamente do que falaram, mas a conversa durou três horas.

Primeiro encontro

Pouco tempo depois, Samantha foi a Londres para a formatura de Anaïs.

O encontro foi muito diferente do que se poderia imaginar.

Elas não se abraçaram, não choraram: só ficaram em frente uma da outra, examinando-se mutuamente e rindo com nervosismo.

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Image caption Em 2015, estreou o documento Twinsters, que conta a história de Samantha e Anaïs

Anaïs se lembra do que sentiu. "Foi um momento muito estranho. Dei uma batidinha na cabeça dela para ver se era real", conta, rindo.

Depois dos encontro, elas foram almoçar com suas famílias – e começaram a se sentir mais relaxadas.

Os exames de DNA confirmaram que elas são geneticamente idênticas em 95%.

"Acho que a única coisa em que nos diferenciamos são nossas respostas emocionais diante das coisas", afirma Samantha.

Após o encontro em Londres, a vida foi diferentes para as duas.

"Depois disso, eu senti imediatamente a necessidade de visitar Sam", conta Anaïs. "Reajustamos a vida de nossas famílias, e agora todos nos sentimos como uma grande família."

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Image caption Ryan Miyamoto, diretor do documentário, com as gêmeas

Até hoje as duas não têm nenhuma informação sobre sua mãe biológica ou sobre por que foram separadas ao nascer.

"É complicado. No ano em que fomos adotadas, milhares de crianças estabam sendo adotadas na Coreia do Sul", diz Anaïs. "O volume era tão alto que se cometiam erros. Pode ser que nunca saibamos o que se passou de verdade, mas não importa: agora temos uma à outra."

Em 2015, as duas apareceram no documentário Twinster, que relata suas vidas e seu reencontro.

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