A erupção de vulcão que causou tsunami na Indonésia explicada em imagens

Moradores entre os destroços do tsunami perto de Anyer Beach na Indónesia Direito de imagem EPA
Image caption Número de mortos após o tsunami de sábado passa de 280

O colapso de parte do vulcão Anak Krakatau, na Indonésia, é apontado como a provável causa do tsunami que matou pelo menos 281 pessoas e deixou mais de mil feridos neste sábado.

Acredita-se que a erupção tenha causado um deslizamento de terra submarino que, por sua vez, deu origem às ondas gigantes que atingiram especialmente as ilhas de Java e de Sumatra.

De acordo com a vulcanóloga americana Jess Phoenix, o Anak Krakatau está entrando na categoria eruptiva mais letal que um vulcão pode atingir.

Uma série de imagens mostra essa evolução. Confira:

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Na ilustração acima, vemos o vulcão que deu origem Anak Krakatau, o Krakatau - também conhecido como Krakatoa - antes da catastrófica erupção de 1883, que matou mais de 30 mil pessoas em Java e Sumatra.

O nome Anak Krakatau quer dizer "filho de Krakatau".

O "pai" era um estratovulcão clássico em forma de cone - o que significa que era feito de camadas e camadas de lava.

A presença de uma embarcação de pesca na ilustração indica que, apesar do que parece ser uma pequena nuvem de fumaça saindo do topo, não havia preocupações a respeito do perigo do vulcão.

Uma fumaça que sai da cratera seria normal para um vulcão que não está em erupção - causada pela água aquecida dentro do vulcão que sobe à superfície.

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Esta foto, tirada em julho de 2018, é de uma pequena erupção do Anak Krakatau, classificada provavelmente como nível 0 ou 1 no Índice de Explosividade Vulcânica.

Essa escala mede a quantidade de material que eclode de um vulcão e aumenta exponencialmente - sendo 0 e 1 típicos das chamadas erupções havaianas, em que não há explosões, e 8 relativo a catástrofes, como a erupção de Yellowstone, nos Estados Unidos, há 630 mil anos.

As erupções mais brandas podem ocorrer até mesmo diariamente ao longo dos anos, sem resultar em um desastre.

Elas podem atingir uma escala maior, contudo, caso entre mais magma no sistema.

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Nesta foto, também de julho de 2018, observamos um material incandescente saindo da cratera do Anak Krakatau.

O brilho aparente indica que o material ainda está bem quente, pois, quando resfria, com o passar do tempo, ganha coloração preta.

Trata-se de magma em resfriamento, que pode formar cinzas e pequenos fragmentos de lava conhecidos como "lapilli", além de objetos maiores chamados "bombas de lava".

Todos são perigosos para os seres humanos, especialmente as "bombas de lava", que podem viajar centenas de metros antes de atingir o solo.

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Esta imagem aérea de agosto de 2018 mostra o vulcão Anak Krakatau como uma pequena ilha, coberta principalmente por material vulcânico expelido.

Ele aparece rodeado por outras três ilhas que delimitam aproximadamente a área do Krakatau original.

A erupção de 1883 provocou um enorme deslizamento das principais estruturas do Krakatau - e o vulcão Anak Krakatau se originou a partir da caldeira do Krakatau, emergindo da água em 1930.

Esta imagem registra uma fumaça de erupção fraca e materiais relativamente recentes na ilha.

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Em contraste, esta foto aérea de setembro de 2018 ilustra uma situação muito diferente daquela da imagem anterior.

Uma espessa coluna de fumaça marrom da erupção encobre uma das três ilhas do entorno, e mostra evidência de convecção (movimento ascendente ou descendente de matéria devido ao calor), que pode ser observada nesta imagem a partir de sua largura variável.

As colunas de erupção representam uma ameaça ao tráfego aéreo e à saúde humana, pois são compostas por fragmentos rochosos que causam danos se aspirados por motores ou seres humanos.

Estes fragmentos de rocha também podem derrubar edifícios devido ao seu peso.

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Esta foto impressionante de 23 de dezembro de 2018 revela uma diferença dramática entre o Anak Krakatau de hoje e o que vimos há poucos meses.

O vulcão em si é encoberto pela forte erupção, com a interação entre o magma superaquecido, gás e água, causando explosões que resultam na água flamejante em vapor.

Como o Anak Krakatau é cercado por água, há uma interação ainda maior de água e materiais vulcânicos quentes, que produzem mais vapor e uma erupção de aparência caótica.

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Os vulcões podem criar seus próprios raios, como mostra esta imagem de Anak Krakatau também tirada em 23 de dezembro de 2018.

A colisão de rochas fragmentadas, cinzas vulcânicas e água em pleno ar pode promover uma descarga elétrica.

O vulcão em si é encoberto pela coluna de fumaça.

O raio não é proveniente das nuvens de tempestade, mas sim da própria coluna de fumaça que descarrega energia estática por meio de um processo chamado separação de carga.

É claro que os vulcões não entram em erupção no vácuo. Seus impactos são sentidos localmente e, às vezes, regional ou globalmente.

A nova fase eruptiva do Anak Krakatau veio acompanhada de uma tragédia na forma de um tsunami.

Com os dados disponíveis atualmente, parece que o tsunami que atingiu o extremo oeste da ilha de Java pode ter sido resultado de um colapso de parte do Anak Krakatau, que provocou um deslizamento de terra subaquático que, por sua vez, deu origem às ondas gigantes.

As ameaças vulcânicas não são novidade na Indonésia, e os efeitos da mais recente erupção do Anak Krakatau devem servir como um lembrete de que precisamos de estudos adicionais, educação e medidas preventivas para manter as pessoas e propriedades em segurança durante e após desastres vulcânicos.

Jess Phoenix é uma vulcanóloga americana, cofundadora da organização sem fins lucrativos Blueprint Earth, e membro da Royal Geographical Society.

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