Juan Guaidó: quem é o adversário de Maduro na Venezuela que foi reconhecido como presidente interino da Venezuela

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Image caption Guaidó, de 35 anos, assumiu a presidência da Assembleia Nacional, o último órgão de Estado sob controle da oposição

Texto atualizado às 18h06 de 23 de janeiro de 2019

Pouco tempo atrás, Juan Guaidó era uma figura pouco conhecida dentro e fora da Venezuela.

Mas nos últimos dias ele se converteu em um dos mais proeminentes líderes da oposição, graças à turbulência política que sacode o país.

Guaidó, de 35 anos, assumiu no início deste mês a presidência da Assembleia Nacional, o último órgão estatal sob controle da oposição ao governo Nicolás Maduro. Nas últimas 48 horas, ele emergiu como o rosto mais visível do movimento nacional e internacional que busca tirar Maduro da Presidência por considerá-lo um governante ilegítimo.

Primeiro com o escândalo que se armou porque ele supostamente se autoproclamou presidente em um discurso confuso.

Depois, com sua breve detenção neste domingo (13) por parte de um grupo de agentes do Sebin - o serviço secreto de Maduro. Segundo o governo, eles atuaram de maneira unilateral.

Nesta quarta-feira (23), ele foi reconhecido pelo Brasil e pelos Estados Unidos como presidente interino da Venezuela.

Ascensão de Guaidó

No começo de 2018, Guaidó era um deputado da Assembleia Nacional, controlada pela oposição ainda que esvaziada de suas funções após várias decisões do Supremo Tribunal e a criação, incentivada por Maduro, de uma Assembleia Nacional Constituinte "com poderes plenipotenciários".

De acordo com o sistema acordado entre as forças opositoras, a Câmara deveria ser presidida pela Vontade Popular, o partido de Leopoldo López, dirigente opositor preso após uma onda de protestos contra o governo em 2013.

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Image caption Guaidó surgiu como o rosto mais visível do movimento que tenta tirar Maduro do poder na Venezuela.

Guaidó, que havia sido um dos mais destacados ativistas juvenis em um partido do qual é membro desde sua fundação, foi encarregado de assumir a presidência da Câmara.

Militante da Vontade Popular, galgou postos após a condenação de López e a saída do país de outros políticos opositores de peso.

Com pouco mais de uma semana no cargo, seu nome proliferou em comentários nas mídias sociais venezuelanas e se converteu no líder de uma oposição que passava por um dos seus piores momentos até poucos dias atrás.

"Usurpador"

Foi a partir de 10 de janeiro que os acontecimentos ocorreram.

Nesse dia, Maduro tomou posse para um segundo mandato presidencial.

Mas a oposição, que não quis participar das eleições em maio, não reconheceu Maduro como presidente legítimo da Venezuela.

Tampouco os EUA, a União Europeia ou o Grupo de Lima, que reúne a maioria dos países latino-americanos - entre os quais o Brasil - e o Canadá.

No dia seguinte à posse de Maduro, Guaidó se dirigia a um protesto convocado em Caracas apelando à fórmula do chamado "cabildo abierto", um mecanismo de participação popular reconhecido na Constituição.

Ele chamou Maduro de "usurpador" e convocou o Exército, o povo da Venezuela e a comunidade internacional a apoiar os esforços da Assembleia Nacional para tirá-lo do poder.

Convocou os venezuelanos a se somarem a uma grande marcha nacional em 23 de janeiro, uma data de grande valor simbólico no país por se tratar do dia em que, em 1958, caiu o governo do general Marcos Pérez Jiménez.

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Image caption Estados Unidos, União Europeia e o Grupo de Lima não reconhecem o mandato de Nicolás Maduro na Venezuela.

María Corina Machado, dirigente do grupo político Vente Venezuela e uma das personagens mais conhecidas do antichavismo, mostrava nas redes seu apoio a Guaidó.

Porém, outros políticos opositores que disputaram o protagonismo nos últimos anos ficaram em silêncio.

A detenção

No dia 13 de janeiro, um novo episódio confuso voltou a tornar o nome de Guaidó um dos mais pronunciados no Twitter.

Sua mulher, Fabiana Rosales, afirmou na rede social que ele havia sido detido por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

Logo circulou um vídeo com as imagens que supostamente mostravam o momento da captura.

Pouco depois, a mulher anunciou que ele havia sido liberado.

Finalmente, o vice-presidente venezuelano, Jorge Rodríguez, informava à TV estatal que os agentes que detiveram Guaidó haviam atuado de maneira "unilateral" e "arbitrária".

Disse também que os agentes haviam sido destituídos e submetidos a um processo disciplinar.

O pronunciamento de Rodríguez foi um raro reconhecimento de que há funcionários armados pagos pelo Estado que atuam à margem das diretrizes oficiais.

Guaidó apareceu em Caraballeda, no Estado Vargas, num ato com centenas de simpatizantes. Ele afirmou: "nos interceptaram, nos sequestraram uns minutos, mas aqui estamos".

A oposição tem defendido que o Exército deve deixar de obedecer ao "ilegítimo" Maduro.

Em 11 de janeiro, Guaidó reiterou seu pedido para que "a família militar" se una à iniciativa contra Maduro. E, neste domingo, disse que o incidente de sua suposta detenção revela que "a cadeia de comando" foi quebrada nas forças de segurança.

Presidente interino

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceram na quarta-feira (23) o líder oposicionista e chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela.

"O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela", afirmou o Ministério de Relações Exteriores brasileiro, em nota.

Trump afirmou que continuará "a usar todo o peso do poder econômico e diplomático dos Estados Unidos para pressionar pela restauração da democracia venezuelana".

A OEA (Organização dos Estados Americanos) também declarou apoio ao oposicionista. "[Guaidó] tem nosso apoio para impulsionar o retorno do país à democracia", disse o secretário-geral do órgão, Luis Almagro.

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