Governo Trump: presidente anuncia acordo temporário para acabar com paralisação da máquina pública

Presidente Donald Trump Direito de imagem AFP
Image caption Trump disse que democratas e republicanos terão três semanas para discutir acordo definitivo sobre orçamento

O presidente americano, Donald Trump, anunciou um acordo para interromper a paralisação parcial do governo dos EUA por três semanas, depois de um "shutdown" recorde das agências federais.

Essa paralisação - que ocorre desde 22 de dezembro - se deve a uma queda de braço entre o presidente e os democratas, que atualmente controlam a Câmara dos Representantes (a Câmara dos Deputados dos EUA) e fazem oposição a ele.

Trump se recusa a aprovar parte do orçamento federal porque este não inclui recursos da ordem de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,15 bilhões) para a construção de um muro na fronteira com o México, uma de suas principais promessas de campanha em 2016.

O pacto anunciado por Trump nesta sexta-feira não inclui o dinheiro exigido por ele para erguer a barreira.

A solução proposta pelo presidente, no entanto, é provisória. No anúncio na Casa Branca, o republicano disse que o acordo financiaria o governo apenas até 15 de fevereiro.

Nesse período, explicou, os parlamentares dos dois partidos devem trabalhar para encontrar uma saída a respeito do muro.

O anúncio de Trump

Trump chamou os funcionários federais afetados pelo imbróglio político de "patriotas incríveis" e disse que eles receberiam todos os pagamentos atrasados pela paralisação.

Ele acrescentou que decidiu, neste momento, não recorrer a uma alternativa "muito forte", uma aparente referência a declarar estado de emergência nacional.

Tal medida poderia permitir a transferência de fundos militares para a construção do muro, mas também provocaria tumulto constitucional e contestações jurídicas.

No entanto, o presidente acrescentou: "Nós realmente não temos escolha a não ser construir um muro poderoso ou uma barreira de aço".

"Se não conseguirmos um acordo justo com o Congresso, iremos paralisar em 15 de fevereiro novamente."

Discussão entre democratas e republicanos

Em entrevista logo após o anúncio de Trump, o líder dos Republicanos no Senado, Mitch McConnell, disse esperar que os democratas honrem sua promessa de negociar "de boa fé" com os republicanos sobre a segurança na fronteira.

Já o líder dos democratas, Chuck Schumer, se disse otimista de que um meio-termo possa ser alcançado.

"Eu genuinamente espero que esse processo possa produzir algo de bom para o país e aceitável para os dois lados."

Ele acrescentou que, embora os partidos discordem sobre alguns detalhes, ambos os lados concordam em questões que incluem a necessidade de "fortalecer a segurança nos nossos postos de fronteira".

Funcionários sem salário

A declaração de Trump foi feita enquanto cerca de 800 mil funcionários públicos tiveram mais um salário atrasado em meio ao impasse.

Centenas de voos foram suspensos ou atrasados nos aeroportos dos Estados Unidos nesta sexta-feira, porque os controladores de voo, que não foram pagos, alegaram estar doentes e não apareceram para seus turnos de trabalho.

Além disso, milhares de funcionários da Receita Federal americana (IRS, na sigla em inglês) não foram trabalhar depois de terem sidos convocados de volta a seus postos ainda sem receber, informou o jornal Washington Post.

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