Por que o governo do Sri Lanka reduziu em mais de 100 o número de mortos nos atentados da Páscoa

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Image caption O governo aumentou o policiamento ostentivo após os ataques

O Sri Lanka revisou para baixo o número de mortos nos atentados do domingo de Páscoa (21) por causa de um erro de cálculo. Segundo o Ministério da Saúde, agora são "cerca de 253" vítimas, uma diferença de mais de 100 mortos em relação à contagem divulgada originalmente.

Segundo as autoridades locais, nove homens-bomba atacaram hotéis e igrejas na área de Colombo e na cidade oriental de Batticaloa. Centenas de pessoas foram mortas ou feridas.

A maioria das vítimas era do Sri Lanka, mas entre os mortos havia cidadãos de outros 12 países. O Reino Unido tem recomendado que seus cidadãos evitem viajar para o país - oito britânicos morreram nos ataques.

A polícia continua fazendo operações em busca de outros sete suspeitos de ligação com as explosões, atribuídas ao grupo extremista National Thowheed Jamath (NTJ). Mais de 70 pessoas foram presas.

O governo do Sri Lanka investiga a participção de integrantes outras facções. O Estado Islâmico chegou a reivindicar os atentados, mas não há provas do envolvimento do grupo extremista.

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Image caption Os atentados foram realizados durante as celebrações da Páscoa

Há diversos desdobramentos em torno dos ataques. Por temor de represálias, centenas de muçulmanos têm deixado a região de Negombo, um dos locais atingidos por ataques.

Só 9,7% da população do Sri Lanka, de cerca de 21 milhões de pessoas, são muçulmanos, diante da maioria budista de 70%.

No âmbito do governo, o secretário de Defesa, Hemasiri Fernando, renunciou ao cargo em meio às críticas que recebeu por ter subestimado a ameaça e falhado em evitar os ataques.

Nas redes sociais, o governo tenta conter a avalanche de notícias falsas em torno dos atentados.

Erros dos necrotérios

O vice-ministro de Defesa do Sri Lanka, Ruwan Wijewardene, afirmou que os necrotérios forneceram informações imprecisas sobre o número de mortos.

Outra autoridade, chefe do serviço nacional de saúde, afirmou à agência de notícias Reuters que havia tantos pedaços de corpos mutilados que era difícil oferecer um "número preciso".

Segundo o Ministério da Saúde, todas as autópsias foram concluídas nesta quinta-feira (25) e percebeu-se que algumas vítimas foram contadas mais de uma vez.

O editor do serviço mundial da BBC no Sudeste Asiático, Jill McGivering, afirmou que a revisão do número de mortos surge em meio à tentativa do governo de recuperar sua credibilidade, abalada pelas falhas no sistema de inteligência para evitar os ataques.

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Image caption A maioria da população do Sri Lanka é budista

O que se sabe sobre o National Thowheed Jamath?

Segundo especialistas em combate ao terrorismo, o NTJ foi criado há cerca de três anos, após um grupo de jovens muçulmanos radicais se separar de outro grupo islâmico extremista, o Thowheed Jamath do Sri Lanka.

A base de operações foi instalada desde, então, no leste do país, distante da costa ocidental mais cosmopolita.

Em março de 2017, surgiram as primeiras notícias sobre o grupo, após seu envolvimento no violento conflito em Kattankudy, uma comunidade majoritariamente muçulmana próxima da cidade de Batticaloa, onde ocorreu um dos ataques de domingo.

Segundo especialistas, o NTJ é composto quase exclusivamente por jovens e não parece ter uma hierarquia ou estrutura sólida, nem líderes mais velhos.

De acordo com alguns relatórios, sua principal figura é Mohamed Zahran, um jovem pregador extremista cujo nome apareceu em documentos de inteligência que alertavam para a possibilidade de ataques e que, aparentemente, foram subestimados pelo governo do Sri Lanka.

O NTJ é considerado um grupo marginal extremista dentro de uma pequena minoria religiosa.


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