Eleições de 2020 nos EUA: os 11 candidatos democratas que competirão entre si para enfrentar Trump

Trump e alguns dos principais pré-candidatos democratas
Image caption Trump e alguns dos principais pré-candidatos democratas: em sentido horário a partir da esquerda, Elizabeth Warren, Bernis Sanders, Peter Buttigieg e Joe Biden

Está dada a largada para a corrida entre os democratas para definir quem enfrentará o presidente Donald Trump nas eleições americanas de 3 de novembro.

A lista de pré-candidatos democratas chegou a ter 30 nomes no ano passado, mas menos de uma dúzia segue, ainda hoje, na busca pela nomeação do partido.

Joe Biden e Bernie Sanders lideram as pesquisas de opinião, mas há competidores importantes que não podem ser descartados, como a senadora Elizabeth Warren.

Entre os 11 pré-candidatos há os políticos experientes, mas também bilionários, veteranos militares e até um empreendedor do ramo de tecnologia.

A BBC preparou um guia para explicar quem são eles, em que se destacam e quais são suas armas para enfrentar Trump, além de comentários do correspondente da BBC nos EUA, Anthony Zurcher:

Quem enfrentará Trump em 2020?

8 candidatos no total
  • Joe Biden

    11/20/1942 O Vice-presidente de Obama

    Barack Obama escolheu Joe Biden como colega de chapa em 2008 por acreditar que ele teria apelo com eleitores brancos de classe média e da classe trabalhadora. Ele foi senador por Delaware por mais de três décadas antes de tornar-se vice-presidente.

    Principais temas:

    Reconstrução da classe média; investimento na infraestrutura federal; universidades públicas sem pagamento de taxas.

    Análise de Anthony Zurcher:

    Durante boa parte de 2019, o mundo político e a imprensa acompanharam a campanha imaginando que as gafes de Biden em algum momento prejudicariam sua candidatura, mas isso não aconteceu. O apoio ao ex-vice de Obama continuou estável, especialmente entre os eleitores idosos, os moderados e os negros.

    No entanto, Biden não tem tanto dinheiro nem atrai tantas multidões quanto outros pré-candidatos. Ele não caiu drasticamente, mas também não subiu muito nas pesquisas dentro do Partido Democrata. E isso, sim, pode acabar prejudicando suas chances, a não ser que ele se torne um porto seguro para os eleitores preocupados com alternativas mais radicais.

    Arma secreta:

    Transmitir a sensação de conforto. Biden é conhecido e não representa uma ameaça. Depois de quatro anos de Donald Trump, esse pode ser seu passaporte para a vitória.

  • Elizabeth Warren

    06/22/1949 A Crítica de Wall Street

    A senadora progressista de Massachusetts era professora de Direito antes de entrar na política, e ficou famosa ao exigir uma regulamentação mais rígida do setor financeiro após a crise econômica de 2008.

    Principais temas:

    Imposto sobre riqueza; direito à saúde e à realização do aborto; criminalização da negligência corporativa.

    Análise de Anthony Zurcher:

    Warren parecia ter se tornado a candidata favorita no fim de 2019, quando se atrapalhou ao explicar suas propostas para a saúde. Além disso, uma briga entre ela e Bernie Sanders se espalhou entre os eleitores de ambos. No entanto, ela mantém as características que tornaram sua ascensão possível: uma campanha bem organizada e bem financiada e um slogan que apela aos eleitores em busca de soluções ("Warrem tem um plano pra isso").

    Seu desafio é estar presa entre eleitores moderados que estão optando por candidatos como Biden e Buttigieg e os liberais que estão ao lado de Sanders - uma armadilha que já derrubou democratas como Kamala Harris e Beto O'Rourke.

    Arma secreta:

    Habilidade para tirar selfies. Warren é hábil em campanha, melhora seus discursos ao longo do tempo e parece incansável durante os comícios em que frequentemente posa para fotos durante horas a fio.

  • Bernie Sanders

    09/08/1941 O Sr. Antissistema

    O senador por Vermont e autoproclamado "Socialista democrático" terá 79 anos em 2020, mas está decidido a disputar outra vez a corrida pela Casa Branca. Ele chegou perto de conseguir a nomeação democrata em 2016 e desde então continua lotando estádios.

    Principais temas:

    Medicare para todos, cobertura universal de saúde; aumento de impostos para os americanos mais ricos; aumento do salário mínimo.

    Análise de Anthony Zurcher:

    Durante muito tempo, não se sabia se a campanha de Sanders em 2020 conseguiria novamente a magia da candidatura de 2016. Em outubro do ano passado ele teve um ataque cardíaco, o que gerou preocupações sobre sua saúde. Além disso, estava competindo com outro peso-pesado entre os liberais, Elizabeth Warren.

    Mas, apesar das idas e vindas das pesquisas, o senador voltou a se estabelecer como um dos favoritos à nomeação. Mas ele terá que contar com o voto dividido dos democratas moderados ou garantir que sua base represente a diversidade do partido. Enquanto isso, precisará enfrentar os esforços de uma ala do partido que tenta derrubá-lo.

    Arma secreta:

    Lealdade. Mais do que qualquer outro candidato democrata, Sanders tem um grupo leal de apoiadores que se mantiveram ao lado dele durante todos os desafios.

  • Pete Buttigieg

    01/19/1982 O Millenial que impressiona

    Pete Buttigieg não é o único millenial na corrida de 2020, mas está se posicionando como a voz da juventude. O prefeito de South Bend, Indiana, é veterano militar e o único candidato abertamente gay.

    Principais temas:

    Reforma política; direitos LGBTQ; relaxamento de dívidas de empréstimos estudantis.

    Análise de Anthony Zurcher:

    No início de sua campanha, Buttigieg despontou nas pesquisas nos estados de Iowa e New Hampshire, na medida em que sua retórica e sua juventude atraíam apoio popular e financiamento.

    Agora, no entanto, a questão é se esse interesse será transformado em sucesso no momento em que a corrida pela nomeação chega em estados com um eleitorado mais diverso, que reflete melhor a composição nacional do Partido Democrata. Muitas pesquisas mostram que Buttigieg tem pouquíssimo apoio entre eleitores negros, por exemplo.

    Arma secreta:

    Tempo. Buttigieg ainda tem uma longa carreira política pela frente, mas o sucesso inicial de sua candidatura parece um bom sinal do que está por vir.

  • Michael Bloomberg

    02/14/1942 O Ex-prefeito multimilionário

    O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg é um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, com um valor líquido de cerca de US$ 54,4 bilhões, segundo a revista Forbes. Em novembro de 2019, ele entrou oficialmente na corrida pela nomeação democrata para a Presidência, prometendo, "derrotar Donald Trump e reconstruir a América". Nascido em Massachusetts, o ex-banqueiro de Wall Street construiu um império de comunicações financeiras e já doou milhões a causas políticas, educacionais e de saúde.

    Principais temas:

    Economia; imigração; controle da posse de armas; mudança climática.

    Análise de Anthony Zurcher:

    A estratégia de Bloomberg parece ser deixar os atuais principais candidatos disputarem entre si os primeiros estados na sequência de votação e, depois, enfrentá-los em um campo reduzido usando seus recursos quase ilimitados.

    É uma jogada arriscada, que só alguém com os recursos do ex- banqueiro pode fazer. E seus votos, de fato, estão aumentando.

    É difícil imaginar que os membros mais liberais do partido apoiarão um plutocrata de Nova York, ex-republicano, que é próximo do mundo dos negócios, conservador no âmbito financeiro e já fez oposição às ideias de um sistema seguro de saúde administrado pelo governo e de legalização da maconha.

    Por outro lado, Bloomberg pode acabar dividindo os votos moderados nas primárias de março, deixando o caminho mais livre para algum dos favoritos dos liberais.

    Arma secreta:

    Muito dinheiro. Ninguém fez campanha como Bloomberg. Ele está bombardeado as televisões e a internet de anúncios de uma maneira sem precedentes na história política moderna dos Estados Unidos.

  • Amy Klobuchar

    05/25/1960 A Senadora simples

    Amy Klobuchar não tem um nome conhecido, mas, como senadora em seu terceiro mandato por Minnesota, tem demonstrado capacidade para ganhar votos no tipo de estado do meio-oeste em que Donald Trump venceu os democratas em 2016.

    Principais temas:

    Inventimento em infraestrutura; programas de saúde mental; diminuição do preço de remédios.

    Análise de Anthony Zurcher:

    Amy Klobuchar entrou na corrida como uma espécie de azarão, e permaneceu nessa posição até agora. Durante os debates, ela conseguiu angariar algum apoio, mas não o suficiente para se colocar entre os principais candidatos.

    Se Biden enfraquecer, ela estaria bem posicionada para conseguir apoio de eleitores moderados, já que provou ser uma candidata que consegue votos nos chamados swing states - estados em que a preferência entre republicanos ou democratas costuma variar. Mas essa possibilidade parece cada dia mais distante.

    Arma secreta:

    Senso prático. Durante os debates, Klobuchar geralmente se apresenta como a voz da razão, argumentando que seus rivais estão apresentando planos que nunca conseguirão colocar em prática.

  • Tom Steyer

    06/27/1957 O Magnata bilionário

    Tom Steyer, que construiu seu império nos fundos de investimento livre, era ativista ambiental e passou a exigir o impeachment de Trump, antes de decidir concorrer ele mesmo à Presidência.

    Principais temas:

    Mudança climática; saúde.

    Análise de Anthony Zurcher:

    No último mês de janeiro, parecia Tom Steyer tinha desistido de sua candidatura e resolvido fazer tudo a seu alcance para tirar Donald Trump da Presidência apoiando o processo de impeachment. No entanto, ele mudou de opinião, um luxo que um bilionário pode se dar.

    Desde então, ele usa uma estratégia eficiente para conseguir sempre um lugar nos debates entre os principais candidatos: gasta seu dinheiro com a campanha em Nevada e Carolina do Sul, dois Estados que votam primeiro e garantem a qualificação para debater, mas não são foco dos outros competidores. Mesmo assim, Steyer ainda não conseguiu causar uma impressão positiva duradoura no eleitorado nacional.

    Arma secreta:

    Dinheiro. Isso não é exatamente segredo quando se trata de um bilionário, mas na política americana há poucas coisas mais eficientes do que uma fonte abundante de recursos.

  • Tulsi Gabbard

    04/12/1981 A Veterana do Iraque

    Nascida na Samoa norte-americana e de ascendência polinésia, a deputada do Havaí é a primeira hindu no Congresso americano, além de ser veterana da Guerra do Iraque.

    Principais temas:

    Fim da política externa intervencionista; mudança climática; controle da posse de armas.

    Análise de Anthony Zurcher:

    Nesta altura da campanha, Tulsi Gabbard parece ter poucas chances de conseguir a nomeação, mas ela não deve sair sem deixar sua marca.

    Além de aparecer constantemente em debates e nos comícios ao lado de seus oponentes, ela também costuma chamar a atenção para as diferenças entre suas visões de política externa, afirmando que eles apoiaram longuíssimas "guerras para mudanças de regime".

    Arma secreta:

    Audácia. Gabbard, a mais nova candidata em busca da nomeação democrata, precisou de coragem para enfrentar os políticos mais estabelecidos do partido.

raya

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