O que se sabe sobre o ataque extremista que deixou 26 mortos em hotel na Somália

Homem em frente à cena do ataque na Somália Direito de imagem AFP
Image caption Até agora a região tinha escapado da violência que atinge o país

Ao menos 26 pessoas, incluindo uma jornalista proeminente no Canadá e diversos estrangeiros, foram mortos em um ataque a um hotel no sul da Somália.

Um homem-bomba jogou um carro contendo explosivos no hotel Asasey, no porto de Kismayo, e depois atiradores atacaram o prédio.

Acredita-se que a jornalista Hodan Naleyah e seu marido estejam entre os mortos.

O grupo extremista islâmico al-Shabab reivindicou a autoria do ataque.

Um político local, três quenianos, três tanzanianos, dois americanos e um britânico também morreram, segundo as autoridades.

Como o ataque aconteceu?

Políticos locais e líderes de clãs estavam dentro do hotel discutindo uma eleição regional que acontecerá em pouco tempo quando o ataque começou.

Testemunhas disseram que ouviram uma enorme explosão antes de homens armados forçarem a entrada no prédio.

"Foi um caos, eu vi vários corpos sendo carregados e pessoas fugindo dos prédios ao redor", diz Hussein Muktar, uma das testemunhas.

Várias horas se passaram até que as autoridades conseguissem retomar o controle do hotel.

As autoridades dizem que 26 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Quatro extremistas também foram mortos.

Direito de imagem AFP
Image caption Os radicais do al-Shabab reivindicaram a autoria do ataque

Quem eram as vítimas?

A Associação dos Jornalistas da Somália diz que Nalayeh e seu marido Farid estão entre os mortos. Eles deixam dois filhos.

A jornalista de 43 anos fundou uma plataforma chamada Integration TV para contar histórias sobre a vida no país e sobre a diáspora somali. Episódios recentes eram falavam das empreendedoras do país e das atrações da cidade de Las Anod.

Nalayeh se mudou para o Canadá com sua família aos 6 anos e acabou se tornando uma figura chave da comunidade somali no país. Mas ela havia voltado para a Somália recentemente.

O jornalista da BBC Farhan Jimale foi um dos que prestaram homenagem à Nalayeh, dizendo que ela era tinha uma "alma muito bonita". O ministro da Imigração do Canadá, Ahmed Hussen, disse que ela era uma "voz que representava muitos".

Nalayeh e o reporter Mohamed Omar Sahal, que também morreu no ataque, foram os primeiros jornalistas a morrer no país neste ano, segundo a Associação dos Jornalistas da Somália.

O quão frequente é esse tipo de ataque?

A Somália tem ataques extremistas com frequência, mas desde que o grupo al-Shabab foi expulso de Kismayo, em 2012, o porto tinha estado em relativa paz.

Os radicais islâmicos têm promovido ataques com frequência na capital Mogadishu, apesar da presença de soldados pacificadores da União Africana e de tropas somalis treinadas pelos EUA.

O al-Shabab é um grupo extremista afiliado à al-Qaeda e continua sendo uma presença poderosa nas regiões rurais do país.

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