Ebola: Novo caso em cidade grande da República Democrática do Congo aumenta temor de que doença se espalhe

Profissional de saúde usando equipamento de proteção contra o ebola na República Democrática do Congo Direito de imagem AFP
Image caption Surto no leste da República Democrática do Congo é o segundo pior da história

A República Democrática do Congo confirmou o primeiro caso de ebola na cidade de Goma, um importante eixo de transportes no leste do país africano. Segundo o Ministério da Saúde local, um pastor foi diagnosticado após chegar de ônibus no domingo (14).

O pastor infectado viajou de ônibus por 200 km da cidade de Butembo, onde esteve em contato com pessoas com ebola, até Goma.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o caso pode ser um "divisor de águas" por causa da grande população de Goma, de mais de 2 milhões de habitantes.

A crise do ebola começou no ano passado na República Democrática do Congo e foi declarada oficialmente um surto em agosto de 2018. Agora, após o caso em Goma, OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou a situação emergência de saúde pública de caráter internacional.

Mais de 1.600 pessoas morreram desde o início do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo há quase um ano - o segundo maior surto de todos os tempos.

No entanto, a OMS disse estar confiante nas ações de contenção. "Esperamos que, com as medidas que implementamos, não haja mais transmissão do ebola em Goma", disse seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O Ministério da Saúde disse em um comunicado que há um baixo risco de propagação da doença em Goma, porque todos os outros ocupantes do ônibus - um motorista e mais 18 passageiros - foram rastreados e seriam vacinados nesta segunda-feira, 15 de julho. "Por causa da velocidade com que o paciente foi identificado e isolado, bem como a identificação de todos os passageiros, o risco de o vírus se espalhar por Goma permanece pequeno."

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Image caption O ebola é um grande desafio para os profissionais de saúde da República Democrática do Congo

"Por causa da velocidade com que o paciente foi identificado e isolado, bem como a identificação de todos os passageiros, o risco de o vírus se espalhar por Goma permanece pequeno."

Goma é um importante centro comercial e cultural na fronteira com Ruanda e tem ligações de transporte com toda a região leste do país. Cerca de 3.000 profissionais de saúde que atuam cidade já foram vacinados.

A tensão atravessou a fronteira, e Ruanda disse estar em alerta máximo para o ebola.

A ministra da Saúde, Diane Gashumba, foi à cidade fronteiriça de Gisenyi depois que o caso de Goma foi confirmado. Há livre circulação de pessoas entre as duas cidades.

Segundo Gashumba, as pessoas deveriam "pensar duas vezes antes de irem para onde há a doença".

Desconfiança generalizada nas autoridades favorece propagação do vírus

O ebola infecta seres humanos por meio do contato próximo com pessoas ou animais infectados, incluindo chimpanzés, morcegos frugívoros e antílopes da floresta.

O vírus pode então se espalhar rapidamente quando pessoas têm contato direto com lesões na pele, na boca e no nariz ou com sangue, vômito, fezes ou fluidos corporais de alguém que tem o vírus, ou indiretamente, ao ficarem em ambientes contaminados.

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Image caption Pacientes com ebola tendem a morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos

O ebola inicialmente causa sintomas como febre súbita, fraqueza intensa, dor muscular e dor de garganta. O quadro depois progride para vômitos, diarreia e sangramento interno e externo. Os pacientes tendem a morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos.

O ebola é um grande desafio para os profissionais de saúde da República Democrática do Congo que lutam para conter sua disseminação.

"As pessoas ainda têm medo de ir às clínicas de saúde se estiverem com sintomas de ebola", diz Tariq Riebl, diretor de resposta a emergências de ebola da organização não governamental International Rescue Committee.

O surto atual

Décadas de conflito no leste da República Democrática do Congo geraram uma desconfiança generalizada das autoridades, e isso tem um impacto sobre a propagação da doença, de acordo com autores de um relatório recente.

O atual surto no leste da República Democrática do Congo começou em 2018 e é o décimo a atingir o país desde 1976, quando o vírus foi descoberto pela primeira vez.

A epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016, que afetou 28.616 pessoas e fez 11.310 vítimas fatais, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa, foi o maior surto do vírus já registrado.

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