O que é o ‘alerta presidencial’ de Trump, que provocou multa de US$ 400 mil a programa de TV nos EUA

Telefone com 'alerta presidencial' Direito de imagem Getty Images
Image caption Programa que zombou do 'alerta presidencial' foi ao ar no mesmo dia em que o sistema foi lançado

O talk show apresentado pelo humorista americano Jimmy Kimmel foi multado em US$ 395 mil (cerca de R$ 1,58 milhão) por simular um "alerta presidencial" no ar.

O programa foi transmitido em 3 de outubro do ano passado, quando o alerta foi oficialmente testado em todo o país.

Naquele dia, mais de 200 milhões de telefones celulares dos EUA receberam uma notificação de "alerta presidencial".

O sistema, criado para alertar sobre ameaças graves – como ataques com mísseis, desastres naturais e atos de terrorismo – é gerido pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema, na sigla em inglês).

Um quadro do programa Jimmy Kimmel Live!, transmitido pela rede ABC de televisão, reproduziu três vezes o som do alerta, o que é considerado ilegal, ironizando o sistema.

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Image caption Jimmy Kimmel é um humorista, escritor, apresentador e produtor americano

Ao simular o toque do alerta, o programa violou regras de radiodifusão, segundo a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), agência reguladora de televisão nos EUA.

De acordo com as normas da FCC, os meios de comunicação são proibidos de reproduzir o sistema de alerta "para evitar confusão quando o toque for usado, evitando a fadiga entre ouvintes e alarmes falsos".

A ABC admitiu ter transmitido o alerta em 3 de outubro de 2018, mas afirmou acreditar, à época, que "o uso do toque era permitido".

A rede de televisão se comprometeu a não transmitir o programa novamente, destacando que "leva a sério o cumprimento das regras".

The Walking Dead

Outro programa multado pela mesma razão foi a série The Walking Dead, que usou o som do alerta duas vezes em um episódio exibido em fevereiro.

Neste caso, a AMC, rede de televisão que detinha os direitos de transmissão na época, teve que pagar US$ 104 mil (cerca de R$ 417 mil).

Direito de imagem Fema
Image caption 'ALERTA PRESIDENCIAL – ESTE É UM TESTE do Sistema Nacional de Alerta de Emergência Sem Fio. Nenhuma ação é necessária', dizia o teste

A brincadeira com o "alerta presidencial" foi incluída em um quadro curto exibido no programa.

Qual foi o quadro do programa?

A cena mostra uma família andando de carro por uma cidade.

Os pais conversam sobre o tempo, enquanto as crianças brigam por algum motivo no banco de trás.

"Você não vai acreditar no que Trump acabou de tuitar", diz o marido à mulher, enquanto soa o toque do "alerta presidencial".

Com uma música de fundo assustadora, a mulher responde: "Twitter? Achei que a gente tinha bloqueado [Trump]!

Todos entram em pânico ao perceber que "Trump havia enviado um SMS" e que podia alcançá-los, mesmo bloqueado nas redes sociais.

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Image caption O teste de 'alerta presidencial', realizado no ano passado, despertou curiosidade em quem recebeu a mensagem

O "alerta presidencial" é enviado por meio de mensagem de texto, e os usuários não podem desativar seu recebimento.

A única coisa que podem fazer para evitar receber os alertas é desligar o celular ou desconectá-lo da rede telefônica.

No caso de uma emergência nacional, o presidente dos EUA, Donald Trump, é o encarregado de determinar que a Fema ative o sistema.

Os Alertas de Emergência Sem Fio (WEA, na sigla em inglês) são mensagens SMS como o alerta presidencial que podem ser enviadas por autoridades de segurança pública nacionais e locais, pelo Serviço Meteorológico Nacional, pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas, além, claro, do presidente dos EUA.

Os "alertas presidenciais" tem a aparência de mensagens de texto, mas visam a alertar as pessoas emitindo um som alto e padrão de vibração únicos.

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