Multidão na Etiópia queima livros de vencedor do Nobel da Paz em protesto

Primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Direito de imagem Reuters
Image caption Primeiro-ministro da Etiópia venceu Nobel da Paz

Manifestantes no leste da Etiópia queimaram cópias do mais novo livro do primeiro-ministro do país e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Abiy Ahmed, em uma demonstração de solidariedade com um líder opositor, Jawar Mohammed.

Mohammed disse que o governo estava retirando o esquema de segurança de sua casa na capital, Addis Abeba. Autoridades etíopes negaram a informação.

Após a declaração de Mohammed, protestos eclodiram ao redor de sua casa e em diferentes partes do país.

Apesar de elogiado por suas reformas, Ahmed vem se esforçado para conter as crescentes rivalidades étnicas no país.

Embora a polícia tenha negado a informação sobre a retirada do esquema de segurança, a declaração de Jawar acabou alimentando frustrações já existentes contra o governo.

Na capital, Addis Abeba, apoiadores se ofereceram para atuar como seguranças de Jawar e manifestantes foram ouvidos gritando: "Abaixo Abiy". A queima de livros ocorreu na cidade de Dadar.

Cópias do livro de Abiy, Medemer, publicado no sábado, foram distribuídas por todo o país. A obra se concentra na filosofia política do primeiro-ministro e em sua visão para a Etiópia.

Explosão de seguidores

Jawar usou sua empresa de comunicação, a Oromo Media Network (OMN), para relatar a onda de protestos de 2016-18 contra o governo do primeiro-ministro anterior, Hailemariam Desalegn.

Durante essas manifestações, a OMN ganhou muito prestígio entre pessoas da comunidade de Oromo, o maior grupo étnico da Etiópia, que se sentiram marginalizadas política e economicamente.

Naquela época, o jornalista nascido na Etiópia morava nos EUA, de onde tem cidadania.

Mas ele voltou ao país depois que Abiy assumiu o poder em abril do ano passado e começou a cobrar reformas.

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Image caption Manifestantes favoráveis a Jawar Mohammed expressam apoio do lado de fora de sua casa na capital, Addis Abeba

Entre as medidas, implementadas em 2018, estavam a libertação de milhares de presos políticos, o fim do Estado de emergência e a redução do número de partidos políticos.

O primeiro-ministro também permitiu maior liberdade de imprensa em um país criticado internacionalmente por grupos de direitos humanos por sua repressão a jornalistas.

Problemas de paz

Antes de Ahmed subir ao poder, o governo mantinha um controle ferrenho sobre as tensões entre as numerosas comunidades étnicas da Etiópia. Mas muitas dessas tensões acabaram se tornando um conflito aberto.

O primeiro-ministro, que é da etnia Oromo, foi acusado de ignorar os interesses de alguns grupos.

Apesar de voltar do exílio, Jawar criticou Abiy, o que teria irritado o político.

"Os donos da mídia que não possuem passaporte etíope estão fazendo joguinhos", disse Abiy, segundo a agência de notícias Reuters.

"Quando há paz, você está brincando aqui, e quando estamos com problemas, você [não] está aqui."

Muitos interpretaram a declaração de Abiy como uma crítica a Jawar.

Abiy recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2019 no início deste mês por resolver o conflito de fronteira da Etiópia com a Eritreia e por promover a paz e a reconciliação em seu próprio país e na região.

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