Eleições na Argentina: o aumento vertiginoso de preços na Argentina nos últimos 10 anos

Garfo com pesos argentinos Direito de imagem Cecília Tombesi | BBC

Depois de Venezuela e Zimbábue, a Argentina é o país com a inflação mais alta do mundo.

Em 2018, os preços de produtos, serviços e alimentos aumentaram 47,6% e, esse ano, a cifra deve chegar a 57%, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

As altas taxas de inflação explicam, em grande parte, por que na terceira maior economia da América Latina um terço da população vive na pobreza.

O aumento dos preços, provocado pela desvalorização do peso argentino, é percebido principalmente nos alimentos.

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, calculou a maneira como a inflação impacta o dia a dia dos argentinos tomando como base uma das refeições mais tradicionais no país: o churrasco.

Dados e metodologia

Para fazer este gráfico interativo, calculamos desde o preço da carne e da linguiça usadas no churrasco até a sobremesa e as bebidas típicas deste tipo de refeição nos lares argentinos.

Os preços correspondem aos meses de agosto em 2009, em 2014 e em 2019, para mostrar como mudaram nos últimos 10 anos.

O órgão oficial que mede a inflação, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), esteve sob intervenção dos governos de Néstor e Cristina Kirchner, entre 2007 e 2015.

Porta-vozes do Indec disseram à BBC News Mundo que durante esse período não foram medidos os preços médios de alimentos e bebidas.

A reportagem pediu que a ONG Defesa de usuários e Consumidores da Argentina (Deuco) calculasse os preços referentes a esse período. Eles usaram como base os dados produzidos pela Secretaria de Estatísticas da Cidade de Buenos Aires e pelo Instituto de Promoção da Carne Bovina, além de números próprios.

No gráfico incluímos a equivalência dos preços em dólares americanos, moeda na qual muitos argentinos fazem suas poupanças para se protegerem das flutuações do peso, nos mesmos meses de cada ano.

Também incluímos os preços no chamado "dólar blue (azul, em inglês)", que é a cotação do mercado paralelo do dólar na Argentina.

Desvalorização do peso, inflação e política

A dependência que a economia argentina tem do dólar faz com que qualquer aumento da moeda americana se traduza automaticamente em inflação.

O problema não é novo: a maioria dos presidentes argentinos do último século teve que enfrentar uma inflação anual de pelo menos dois dígitos.

No entanto, o aumento acelerado da inflação nos últimos anos também teve um alto custo político.

Hoje, este aumento dificulta a possibilidade de reeleição de Mauricio Macri que, no domingo (27/10), busca um segundo mandado nas eleições presidenciais.

Mas também prejudicou sua antecessora, Cristina Fernández de Kirchner, cujo partido foi vencido nas urnas em 2015, em meio a uma escalada inflacionária.

Neste domingo, Fernández tenta voltar ao poder, desta vez como vice-presidente do peronista Alberto Fernández.

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