WikiLeaks: Trump ofereceu perdão a Julian Assange para que ele inocentasse russos, diz advogado

Julian Assange deixa a Corte de Magistrados de Westminster Direito de imagem Reuters
Image caption Assange foi detido em abril, após deixar refúgio na Embaixada do Equador em Londres

Uma testemunha na audiência de extradição de Julian Assange dirá que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu o perdão ao fundador do site WikiLeaks, diante de uma condição: Assange teria de afirmar que não houve envolvimento russo no vazamento de emails do Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) durante as eleições presidenciais americanas de 2016.

Um dos advogados de Assange revelou a informação à Corte de Magistrados de Westminster, no Reino Unido, antes da audiência, marcada para a próxima semana.

A juíza Vanessa Baraitser determinou que a evidência apresentada pela testemunha é admissível no tribunal.

A Casa Branca diz que a afirmação é uma "invenção completa e uma mentira total".

Assange enfrenta 18 acusações e luta para não ser extraditado para os Estados Unidos. Se for considerado culpado, ele pode ser condenado a até 175 anos de prisão.

Seu advogado, Edward Fitzgerald QC, afirmou à Corte que há evidências de que o ex-congressista republicano Dana Rohrabacher fez a oferta ao fundador do WikiLeaks.

Rohrabacher visitou a Embaixada do Equador, onde Assange estava abrigado, em agosto de 2017, diz Fitzgerald.

De acordo com ele, uma declaração de outra advogada de Assange, Jennifer Robinson, mostra que "Rohrabacher visitou Assange e disse que, por instrução do presidente, ele estava oferecendo o perdão ou outro tipo de saída, se Assange dissesse que a Rússia não teve nada a ver com o vazamento no DNC".

Russos indiciados

Questionada sobre a acusação, a secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse: "O presidente mal conhece Dana Rohrabacher, a não ser pelo fato de que ele foi um congressista. Eles nunca conversaram sobre esse assunto, ou quase nenhum outro". "É uma invenção completa e uma mentira total."

Uma série de emails constrangedores vazados do Comitê Nacional Democrata e da campanha da candidata do partido à Presidência, Hillary Clinton, foram alvo de hackers e publicados pelo WikiLeaks em 2016.

O Departamento de Justiça americano indiciou 12 agentes da inteligência russa pela ação.

As 18 acusações que pesam sobre Assange incluem conspiração para invadir computadores e estão relacionadas à publicação de centenas de milhares de documentos confidenciais vazados pela ex-analista de inteligência militar americana Chelsea Manning, em 2010.

Sua audiência de extradição deve começar na segunda-feira (24) e a fase de argumentação legal levará uma semana. O processo deve, então, ser adiado até 18 de maio, quando recomeça com três semanas para a apresentação de provas.

Assange está na prisão de Belmarsh, no sudeste de Londres, desde setembro — ele foi detido em abril.

Ele se refugiou na embaixada equatoriana em Londres em 2012 para evitar que fosse extraditado para a Suécia sob acusação de crimes sexuais, que ele sempre negou e foi, posteriormente, retirada.

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