Coronavírus 'No início era uma piada, mas agora há sensação de medo' - o clima em Veneza após alta de infecções

Mulher com máscara de Carnaval em Veneza Direito de imagem Getty Images
Image caption O Carnaval terminou cedo em Veneza por causa do coronavírus

As pessoas estão usando máscaras, o Carnaval terminou mais cedo e toda a atividade cultural da cidade paralisada.

Esse é o efeito que o coronavírus está causando em Veneza, uma das mais importantes cidades turísticas da Itália e do mundo, especialmente no momento em que o Carnaval atrai milhares de visitantes ao local.

A Itália tem o maior número de casos de coronavírus na Europa, com mais de 220 infectados e sete mortes até essa segunda-feira. No fim de semana, o país anunciou uma série de medidas drásticas para tentar conter o surto.

Nas regiões da Lombardia e Veneto, no norte do país, várias pequenas cidades estão isoladas sob um plano de quarentena. Durante as próximas duas semanas, 50 mil residentes não poderão sair das cidades sem uma permissão especial.

Direito de imagem Getty Images
Image caption As atividades culturais foram suspensas na turística Veneza

Atividades culturais canceladas

"Em Veneza, no começo, tudo era visto como uma piada", diz Paula Marques, professora de espanhol da Universidade Ca 'Foscari. "Muito fizeram piadas sobre os turistas que chegariam com o Carnaval, muitos deles da China".

Mas há quatro dias os primeiros casos foram registrados na região da Lombardia. Dois dias depois, outros apareceram em uma cidade a 20 quilômetros de Veneza.

"Então as pessoas começaram a enviar notícias de que o governo da região estava se reunindo. No domingo, recebemos um e-mail do reitor, dizendo que a universidade onde trabalho estaria fechada por uma semana, que tudo estava suspenso: aulas, períodos de exames, conferências. E então saiu a declaração oficial de que o Carnaval também fora suspenso", contou Marques à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

"A partir desta tarde, planejamos interromper o Carnaval e todas as atividades esportivas até 1º de março", disse o presidente da região de Veneto, Luca Zaia, no domingo.

Marques define o clima na cidade como "estranho". Ela acredita que há menos turistas do que em outros anos — e todas as atividades culturais, como exposições de arte, estão suspensas pelo menos até o sábado. "Essa situação é muito estranha em uma cidade como Veneza", diz a professora espanhola.

Ela afirma estar "vivendo normalmente". "Nessa segunda fui fazer as compras e tudo está normal, supermercados estão abertos, cafés também. Mas, sem dúvida, existe uma sensação de medo".

"Há uma semana havia poucas pessoas usando máscaras. Hoje (segunda), muita gente aderiu às máscaras. Acho que há mais pânico do que qualquer outra coisa", diz.

Direito de imagem Getty Images
Image caption Em Veneza, na Itália, turistas e moradores têm utilizado máscaras diante do aumento da infecção de coronavírus

Aumentam os casos na Itália

Segundo boletim emitido pelas autoridades italianas, os casos de infecção pelo Covid-19 no norte do país estão aumentando. Já foram registrados sete mortes e mais de 220 pacientes infectados nas regiões da Lombardia, Veneto, Emilia Romagna e Piemonte.

As autoridades italianas afirmam que todos os mortos até agora eram pessoas idosas, que apresentavam quadros clínicos já muito comprometidos por doenças anteriores.

"Deve-se prestar atenção, mas eu digo 'não' ao pânico. Apenas a realidade e a concretude são necessários nesse momento", afirmou Attilio Fontana, presidente da região da Lombardia. "Estou convencido de que as medidas tomadas, que vêm após consultas com especialistas, cientistas e virologistas para tentar impedir a infecção, são suficientes e corretas para atingir o objetivo."

Febre, fadiga e tosse seca estão entre os sintomas mais comuns manifestados pelos pacientes do novo coronavírus, que foi registrado pela primeira vez, no final do ano passado, na província de Hubei, na China.

A proporção de mortes causadas pela doença parece ser baixa — e a maioria das pessoas afetadas desenvolvem apenas sintomas menores, alcançando recuperação total.

A China registrou a maioria dos casos, com cerca de 77 mil infectados e quase 2.700 pessoas mortas na China continental.

Mas o surto já se espalhou para outros 30 países — mais de 1.200 casos foram confirmados, com pouco mais de 30 mortes.

Em janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência global por causa do surto do novo vírus, responsável por desenvolver a doença que ganhou o nome de Covid-19.

Mesmo com o atual cenário, a OMS afirmou, nesta segunda-feira, que não considera que exista uma pandemia de Covid-19.

O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o vírus tem "potencial pandêmico", porém não acredita que haja, ao menos por ora, uma propagação descontrolada da doença ao redor do mundo.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Notícias relacionadas