Coronavírus: como a taxa de mortalidade do covid-19 se compara com outras doenças infecciosas

Paciente com coronavírus Direito de imagem Getty Images
Image caption As taxas de mortalidade aumentam gradualmente de acordo com a idade: para pessoas com 40 anos, é de 0,4%; de 50 é de 1,3%; de 60 é 3,6%, de 70 é 8%; e de 80 ou mais, 14,8%

Desde que a Covid-19, originada pelo novo coronavírus, começou a se espalhar, em dezembro do ano passado, uma das principais questões que mantém especialistas e autoridades de saúde ocupados é o quão mortal é esta nova doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80 mil casos foram confirmados até agora e cerca de 2,7 mil pessoas morreram em decorrência do surto, que começou na cidade de Wuhan, na China.

A taxa geral de mortalidade da doença é de 2,3% — mas em pessoas com mais de 80 anos chega a 14,8%, de acordo com um estudo realizado pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CCDC).

O vírus surgiu em dezembro na província chinesa de Hubei. Até agora, foram confirmados 80.150 casos em quase 40 países e territórios. A China ainda concentra grande parte deles, mas a proporção tem diminuído: já foi mais de 99%, e hoje está em 96,8%.

Em "alerta máximo", a Coreia do Sul é o segundo lugar com mais diagnósticos confirmados (763), seguida da Itália, com mais de 200. No país europeu, sete pessoas já morreram por causa do surto, e autoridades têm adotado diversas medidas, como quarentenas, em duas zonas "quentes" próximas a Milão e Veneza.

Cerca de 50 mil pessoas não podem entrar ou sair de diversas cidades nas regiões de Veneto e Lombardia nas próximas duas semanas, salvo com autorizações especiais.

Mas o que esses números realmente significam e como se comparam com outras doenças infecciosas?

Covid-19 comparada com Sars e Mers

A pesquisa do CCDC afirma que cerca de 80,9% das novas infecções por coronavírus são classificadas como leves, 13,8% como graves e apenas 4,7% como críticas, o que inclui quadro de insuficiência respiratória, falência múltipla dos órgãos e sepse.

Diante desses dados, o presidente da OMS, Tedros Adhanom, sinalizou que a covid-19 não é tão mortal quando comparada a outros coronavírus previamente registrados, como a síndrome respiratória aguda grave (Sars) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers).

O risco de morte no caso da Sars, por exemplo, era muito maior quando o surto eclodiu em 2003, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 10% — foram contabilizados 8 mil casos, sendo 774 mortes.

Já a taxa de mortalidade da Mers girava em torno de 20% a 40%, dependendo do local.

Benjamin Cowling, professor de Epidemiologia da Universidade de Hong Kong, disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a covid-19 é "definitivamente menos grave que outros coronavírus".

O especialista sugere que a taxa de mortalidade pode ser ainda menor do que foi levantado até agora, uma vez que acredita-se que há muitas pessoas infectadas que não foram levadas em conta nas estatísticas.

"Isso significa que a taxa pode de fato ser inferior a 2% porque o número de infecções usado no cálculo não é tão grande quanto poderia ser", diz ele.

"O que os epidemiologistas estão tentando descobrir atualmente é quanto esse número pode mudar no futuro, quanto pode aumentar, embora seja muito difícil fazer previsões porque a incerteza ainda é muito alta", acrescenta.

Direito de imagem Getty Images
Image caption Doenças cardiovasculares e respiratórias, diabetes e hipertensão são condições que colocam os pacientes em risco

No entanto, ele esclarece que, se houver um número maior de casos, o total de mortes causadas pela doença acabará sendo muito maior do que no caso da Sars.

"A infecção é menos grave, mas, em média, causará muito mais mortes que a Sars, porque esse coronavírus é muito mais fácil de se espalhar", explica.

E se compararmos à gripe?

De uma maneira geral, podemos dizer que o número de mortes causadas pela covid-19 é até agora muito baixo, se comparado à mortalidade provocada anualmente pela influenza, vírus da gripe.

Uma análise dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indica que apenas nos Estados Unidos 8% da população (que representa cerca de 26 milhões de pessoas) é infectada por essa doença todos os anos.

Dessas, aproximadamente 14 mil morrem. E embora esse número seja muito maior do que o de mortes por covid-19 (pouco mais de 2,4 mil até agora), a taxa de mortalidade é muito menor: 0,05%.

Além disso, estudos globais sugerem que a taxa de mortalidade por influenza no mundo (e não só nos EUA) é de apenas 0,01%.

Direito de imagem Getty Images
Image caption A vacinação contra gripe reduz o risco da doença em 40% a 60%, diz CDC dos EUA

"Se você comparar o coronavírus com a gripe, podemos ver que o covid-19 é cerca de 10 vezes mais grave, em média, porque a mortalidade da gripe é muito baixa, apenas uma pessoa em cada 10 mil morre", explica Cowling.

O especialista acrescenta que, por causa disso, muitos epidemiologistas estão preocupados.

"É um grande desafio e justifica muitas das medidas públicas que vimos até agora", diz ele.

Por outro lado, Cowling diz que, no caso da gripe, é "muito improvável" que uma pessoa jovem e saudável morra. Já no surto de coronavírus, foram registrados alguns casos —embora a incidência seja menor: até 39 anos, a taxa de mortalidade é de 0,2%.

"Vimos que profissionais de saúde em Wuhan (China), como Li Wenliang, de apenas 33 anos, morreram. Se pensarmos na gripe, isso é muito improvável, não esperamos que uma pessoa saudável de 33 anos morra. Então estamos preocupados", diz ele.

Infecções mais perigosas: raiva e Ebola

O cenário muda radicalmente se o novo coronavírus for comparado com outras doenças infecciosas graves, como a raiva (que é transmitida ao homem normalmente pela mordida de animais domésticos) e o Ebola.

Direito de imagem Getty Images
Image caption A taxa de mortalidade do Ebola é muito maior que a do coronavírus

"A raiva tem uma taxa de mortalidade de aproximadamente 95%, enquanto a do Ebola é de 50%. Essas são doenças muito graves, definitivamente mais graves que o coronavírus", explica Cowling.

Ainda assim, o especialista acrescenta que a propagação dessas doenças não é tão eficaz quanto a da covid-19.

"Os vírus que são mais bem-sucedidos em matar pessoas não se espalham facilmente. Portanto, não esperamos que ocorram pandemias globais dessas infecções graves", diz ele.

  • Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Notícias relacionadas