Coronavírus: as medidas mais recentes tomadas por governos no Brasil e no mundo contra a pandemia

Pessoa com máscara tira foto no Cristo Redentor Direito de imagem EPA
Image caption Cidades do Rio de Janeiro e São Paulo já têm casos confirmados de transmissão comunitária

Governos ao redor do mundo vêm anunciando diariamente novas medidas para conter a disseminação do novo coronavírus. A covid-19, doença causada pelo vírus, já matou mais de 6.500 pessoas — mais de 167 mil casos foram reportados até esta segunda-feira (16/03).

No Brasil, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel decretou nesta segunda estado de emergência e recomendou o fechamento de lojas de shoppings, clubes e academias.

Restaurantes e bares só poderão atender a um terço de sua capacidade, assim como as praças de alimentação de shoppings. Na semana passada, o governo já havia recomendado o esvaziamento das praias fluminenses.

De acordo com Witzel, a Polícia Militar vai usar alto-falantes para pedir que as pessoas permaneçam em casa.

As aulas nas redes pública e privada, em escolas e universidades do Estado, estão suspensas por 15 dias, além de eventos esportivos, shows, feiras, comícios, passeatas, entre outros. Também foi anunciado o fechamento de teatros, casas de show e cinemas.

Em São Paulo, o governo do Estado recomendou o cancelamento de eventos de lazer, culturais e esportivos com mais de 500 participantes.

Também determinou a suspensão imediata das aulas em universidades públicas e uma suspensão gradual nas escolas das redes públicas estadual e municipal da cidade de São Paulo, a partir de 16 de março. As escolas continuarão abertas por uma semana após esta data, e, no dia 23 de março, as aulas serão suspensas. A rede privada recebeu a recomendação de seguir os mesmos procedimentos.

A data foi determinada a fim de dar tempo suficiente para que as famílias se organizem para o período em que as escolas ficarão fechadas. O governo pediu que as crianças não sejam deixadas com os avós, porque idosos têm mais chances de desenvolver quadros graves quando são infectados pelo novo coronavírus.

O governo paulista afirmou que ainda não há uma previsão de quando as atividades de ensino serão retomadas e que isso será avaliado constantemente, de acordo com a evolução da epidemia.

Além disso, os funcionários públicos estaduais de São Paulo com mais de 60 anos, com exceção dos que atuam nas áreas de segurança pública e saúde, deverão trabalhar de casa. Museus, bibliotecas, teatros e centros culturais do estado ficarão fechados por até 30 dias.

Antecipação de férias

Na sexta-feira (13/03), o Ministério da Saúde já havia anunciado as recomendações gerais para todos os Estados, que incluem o isolamento voluntário de uma semana (a partir da data do desembarque) para pessoas que viajaram ao exterior recentemente e o isolamento de casos suspeitos por 14 dias em casa ou hospital.

De acordo com o governo federal, grandes eventos (governamentais, esportivos, culturais, comerciais, religiosos etc.) devem ser cancelados ou adiados, caso haja tempo hábil para a mudança. Se não for possível, recomenda-se que o evento seja feito sem público.

Nos Estados em que já foi registrada transmissão comunitária do vírus — atualmente São Paulo e Rio — deve-se optar pelo ensino à distância ou a antecipação de férias para instituições de ensino; o trabalho remoto também deve ser estimulado.

A transmissão comunitária ocorre quando há casos em que não é mais possível identificar a cadeia de infecção. Isso significa que o vírus está circulando livremente na população. Até então, só havia registros de casos importados ou de transmissão local, em que é possível identificar a origem da infecção.

Conheça as medidas anunciadas em outros países ao redor do mundo:

Direito de imagem Reuters
Image caption Governo britânico recomendou que sejam evitadas viagens não essenciais

Reino Unido

No Reino Unido, o primeiro-ministro, Boris Johnson, afirmou que os britânicos devem evitar viagens que não sejam essenciais e o contato pessoal entre si, além de trabalharem de casa sempre que possível.

Lugares cheios, como bares, festas e teatros devem ser evitados. Em lares em que ao menos uma pessoa apresentar sintomas como tosse persistente ou febre, todos devem ficar em quarentena doméstica por 14 dias.

As escolas, porém, continuarão abertas e não foram anunciadas restrições a viagens.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou medidas mais restritivas no país a partir desta terça-feira (17/03). Toda a população deve permanecer em casa por 15 dias, com a exceção de deslocamentes essenciais — violações serão punidas.

"Estamos em guerra", afirmou Macron em pronunciamento.

Militares ajudarão a transportar os infectados pelo vírus aos hospitais, e o segundo turno das eleições municipais foi adiado. Escolas e universidades do país também foram fechadas, assim como atrações turísticas como o Museu do Louvre e a Torre Eiffel.

Alemanha

A Alemanha também anunciou diversas medidas para limitar o contato social no país, incluindo o fechamento de lojas, casas noturnas e bares.

Restaurantes deverão garantir uma distância mínima entre as mesas e funcionar em horários limitados.

As escolas foram fechadas e grandes aglomerações também estão proibidas. Além disso, o país fechou as fronteiras terrestres com França, Áustria, Suíça e Luxemburgo.

Direito de imagem EPA/ETTORE FERRARI
Image caption Itália está em emergência desde o final de fevereiro e em quarentena geral há uma semana

Outros países europeus

A Comissão Europeia propôs na segunda-feira a restrição de todas as viagens não essenciais para países na União Europeia. Residentes de longo prazo, familiares de europeus e diplomatas, assim como funcionários de saúde, ficariam isentos da proibição.

A restrição deve ser aprovada por todos os 26 Estados-membros que fazem parte do Acordo Schengen, que aboliu controles de fronteiras na área.

A Espanha iniciaria o controle em suas fronteiras terrestres a partir da noite desta segunda-feira e apenas espanhóis, residentes e pessoas em situações especiais poderão entrar no país.

O governo espanhol impôs restrições duras à população de 47 milhões de habitantes, como parte de um estado de emergência de 15 dias. As pessoas não devem sair de suas casas a não ser que precisem comprar suprimentos essenciais ou remédios, ou para trabalhar.

A Itália, o país mais afetado fora da China, decretou quarentena nacional em 9 de março.

Países como Polônia, Grécia e Ucrânia também anunciaram restrições ao comércio, em viagens ou à movimentação de pessoas para conter a disseminação do vírus.

EUA e Canadá

Os Estados Unidos impuseram restrições de viagens aos 26 países da União Europeia, impedindo a entrada de qualquer pessoa que tenha estado na Europa nos últimos 14 dias (com a exceção de cidadãos americanos). A decisão também foi estendida ao Reino Unido e à Irlanda.

O presidente Donald Trump anunciou o fechamento de escolas e pediu que sejam evitados encontros com mais de 10 pessoas, viagens não essenciais e visitas a restaurantes de bares. Ele também pediu que todos os idosos fiquem em casa.

No Canadá, as fronteiras serão fechadas a todos que não sejam cidadãos ou residentes permanentes — a medida não inclui cidadãos americanos.

Apenas quatro aeroportos canadenses aceitarão voos internacionais a partir de quarta-feira (18/3).

Argentina

A Argentina foi o país que registrou a primeira morte na América Latina. Levando isso em conta, o governo argentino anunciou que as aulas serão suspensas em todos os níveis educacionais do país pelos próximos 14 dias. Além disso, segundo o jornal La Nación, as autoridades vão verificar "casa por casa" se os argentinos que viajaram para áreas de risco estão cumprindo o auto-isolamento.

Na quinta-feira, já havia sido decretada a suspensão de voos por 30 dias da Europa, EUA, Coreia do Sul, Japão, China e Irã. Além disso, todos os eventos com grande aglomeração de pessoas, desde shows até partidas esportivas, passando por reuniões culturais, comerciais e educacionais, foram suspensos.

Bolívia

Na Bolívia, o governo declarou emergência nacional e suspendeu as aulas em todos os níveis até 31 de março.

A presidente em exercício, Jeanine Áñez, anunciou a proibição à entrada no país de passageiros vindos da China, Coreia, Itália e Espanha. A suspensão de voos para e da Europa e "grandes eventos públicos" com mais de 1 mil pessoas já havia sido tomada.

Colômbia

O governo de Iván Duque decretou um estado de emergência sanitária até 30 de março, o que confere ao presidente poderes extraordinários para mitigar a crise.

O presidente ordenou o fechamento da fronteira com a Venezuela no dia 14 de março, além de decretar a proibição de entrada de estrangeiros da Europa e da Ásia.

Outras restrições anteriormente tomadas são o desembarque de cruzeiros e o cancelamento ou adiamento de todos os eventos com mais de 500 pessoas, incluindo o festival de música Estéreo Picnic, o campeonato de futebol profissional e a Feira do Livro de Bogotá.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Tópicos relacionados

Notícias relacionadas