Gripe aviária: há risco para humanos após surto que matou 50 milhões de aves nos EUA?

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Autoridades norte-americanas pedem reforço na segurança quando há contato com aves

Mais de 50 milhões de aves morreram em meio a um surto de gripe aviária nos Estados Unidos, informou o Departamento de Agricultura (USDA) americano.

O número recorde do país — 50,54 milhões de galinhas, perus e outras aves — superou a marca anterior de 2015.

Mais de 40 Estados americanos foram afetados, mais que o dobro no surto anterior.

Embora o risco para os seres humanos seja baixo, as autoridades alertam que medidas de segurança devem ser adotadas no contato com aves.

A doença é transmitida por aves silvestres que transmitem o vírus por meio de penas, fezes e contato direto.

"Aves selvagens continuam a espalhar HPAI [sigla em inglês para "influenza aviária de alta patogenicidade"] em todo o país enquanto migram. Portanto, evitar o contato entre aves domésticas e selvagens é fundamental", disse à agência Reuters Rosemary Sifford, diretora veterinária do Departamento de Agricultura dos EUA.

Medidas preventivas

Em um comunicado feito em 3 de novembro sobre o atual surto, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) dos EUA aconselham os americanos a tomar "medidas preventivas" mesmo que o risco para as pessoas permaneça baixo.

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É recomendável evitar o contato direto com aves selvagens e o manejo sem proteção de aves domésticas com o objetivo de dificultar a propagação da doença para humanos, animais de estimação, pássaros e outros animais.

"Isso se aplica não apenas ao ambiente de trabalho ou à vida selvagem, mas potencialmente a ambientes domésticos onde as pessoas têm aves no quintal ou animais de estimação com exposição potencial a aves selvagens ou domésticas infectadas", acrescentou o comunicado.

Embora os casos de infecções humanas sejam raros, o site do CDC alerta que o vírus pode se espalhar pelo ar — por meio de gotículas ou poeira — através dos olhos, nariz ou boca de uma pessoa.

Os sintomas da gripe aviária em humanos vão de vermelhidão nos olhos e sintomas leves semelhantes aos da gripe, até pneumonia e dificuldade para respirar.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que apenas 868 casos de transmissão de aves para humanos foram registrados em 19 anos, resultando em 456 mortes.

Nos EUA, apenas um caso humano — um morador do Colorado que foi diretamente exposto a aves domésticas — foi relatado no atual surto. A pessoa relatou fadiga por alguns dias e se recuperou, disse o CDC em abril.

As mortes de aves decorrentes da gripe aviária levaram ao aumento dos preços dos ovos e do peru antes do importante feriado de Ação de Graças da semana passada nos EUA.

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Preço do peru teve significativa alta nesse feriado de Ação de Graças nos EUA

O American Farm Bureau, seguradora e empresa de lobby dos EUA, disse que o preço de um peru tradicional do Dia de Ação de Graças aumentou 21% em relação ao ano passado e se aproximou de US$ 29 (cerca de R$ 155) por uma ave de 7,5 kg.

Surtos recordes de gripe aviária também atingiram o Reino Unido e a Europa, bem como partes da África e da Ásia.

A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) avalia que a onda de surtos é resultado da combinação da intensificação do comércio internacional com atuais práticas agrícolas e a migração das aves selvagens.

Mais de 4,6 milhões de aves morreram ou foram abatidas apenas entre outubro e novembro, de acordo com a organização.

Em 31 de outubro, as preocupações com o surto levaram as autoridades da Inglaterra a ordenar que todas as aves de criação fossem mantidas em ambientes fechados a partir do dia 7 de novembro.

Uma medida semelhante entrou em vigor na segunda-feira na Irlanda do Norte e está programada para ser implementada no País de Gales em 2 de dezembro.