Filha quer tirar palavra ‘assassino’ da biografia do pai, que matou Euclides da Cunha
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Filha quer tirar palavra 'assassino' da biografia do pai, que matou Euclides da Cunha

Dirce de Assis Cavalcanti passou a vida ouvindo que era "filha de assassino". O pai dela, Dilermando de Assis, entrou para a história como o homem que matou o escritor Euclides da Cunha, o homenageado de 2019 na 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

A homenagem ao autor de "Os sertões", um dos expoentes da literatura brasileira, é, para Dirce, motivo de "preocupação, aflição e agonia".

"Porque sei que vão falar muito no papai, e falar mal, certamente, porque muita gente não conhece a história como foi", acredita ela. "Toda vez que se toca no Euclides da Cunha, o assassino dele vem à tona."

Dilermando foi amante de Ana Emília Ribeiro da Cunha, a mulher de Euclides.

O caso começou em 1905, durante uma longa expedição do escritor pela Amazônia, chefiando a comissão Mista Brasileiro-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus, na fronteira entre os dois países.

Em 15 de agosto de 1909, o escritor chegou armado à casa de Dilermando para vingar sua honra. Travou-se um duelo, e Dilermando levou cinco tiros - mas era campeão de tiro, revidou, e matou Euclides da Cunha.

Dilermando foi absolvido por legítima defesa, mas foi condenado pela imprensa da época e pela opinião pública.

Nesse vídeo, Dirce, hoje aos 87 anos, conta à BBC News Brasil um pouco dessa história e da luta para tirar a alcunha de "assassino" do nome do pai.

"O que eu mais quero, todo o meu empenho, é tirar essa palavra de sua biografia, que é tão pesada, tão feia", diz Dirce, única filha do segundo casamento de Dilermando.

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