BBC World Service LogoHOMEPAGE | NEWS | SPORT | WORLD SERVICE
Portuguese Pesquisa na BBC Brasil
 
Primeira Página
Saúde &
Tecnologia
Economia
Cultura
Especial
Fórum
Aprenda inglês
ÁUDIO
Dois minutos pelo mundo
Notícias
Mundo Hoje
De Olho
no Mundo
Programação
Como Sintonizar
SERVIÇOS
Parceiros
Sobre a BBC
Expediente
Página simplificada
Fale com a gente
Empregos
E-manchetes
LÍNGUAS
Espanhol
Português para a África
Árabe
Chinêês
Persa
Hindi
Urdu
BBC News
BBC Sport
BBC Weather
 Você está em: Notícias
02 de novembro, 2001 - Publicado às 15h10 GMT
Apoio do Paquistão aos EUA foi decisão difícil
 Musharraf optou pelo apoio a Washington
Musharraf optou pelo apoio a Washington

Graciela Damiano, enviada especial ao Paquistão

Gostem dele ou não, ninguém pode negar que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, tomou uma das decisões mais difíceis de sua carreira política ao atender ao pedido de Washington e cooperar com a operação militar contra o Talebã.

O presidente paquistanês já previa uma oposição de 10% a 15% da população à sua decisão. Chegou a anunciar isso no discurso em que disse que trabalharia com os Estados Unidos em sua "campanha contra o terrorismo".

É uma oposição ruidosa, que busca incendiar a maioria silenciosa paquistanesa. Musharraf aceitou a impopularidade junto aos fundamentalistas islâmicos e ao Talebã, ex-aliado do Paquistão, para conseguir tudo o que puder do Ocidente.

Com isso, um grande número de países passará a dar apoio financeiro e ver com simpatia um país que estava isolado desde que testou armas nucleares em 1998 e sofreu um golpe militar no ano seguinte.

Maioria silenciosa

Vários líderes religiosos islâmicos radicais foram detidos pelo governo paquistanês, o esquema de segurança das grandes cidades foi reforçado, e Musharraf convocou um Dia de Solidariedade Contra o Terrorismo.

Um governo militar sem Legislativo tem à mão os instrumentos para minimizar os efeitos de protestos.

O presidente paquistanês vem fazendo de tudo para manter silenciosa a maioria da população, que condena o terrorismo, mas se sente desconfortável com o bombardeio americano ao Afeganistão.

Um problema é que um país muçulmano não ajuda a atacar outro. Uma segunda questão difícil para Musharraf é o fato de haver fortes laços étnicos entre os cerca de 8 milhões de paquistaneses e os milhões de afegãos pathans (ou pashtuns).

Os pathans habitam o lado ocidental do Paquistão e a parte oriental do Afeganistão. A mesma etnia também domina o movimento Talebã.

Civis

Se a ação militar liderada pelos Estados Unidos contra o Afeganistão provocar muitas baixas entre civis, Musharraf sabe que terá problemas.

O presidente paquistanês já pediu aos Estados Unidos que a ação seja breve, e os alvos, precisos.

Musharraf joga também com o tempo. Ele espera que os milhões de dólares em ajuda prometidos por vários países, empréstimos que virão de organismos internacionais, possam trazer prosperidade a um país que, até recentemente, estava sob duras sanções econômicas.

Musharraf também pode acalmar a opinião pública prometendo ajuda americana para resolver a disputa pelo território da Caxemira com a Índia.

A rivalidade com os indianos está entranhada na sociedade paquistanesa (o mesmo acontece em relação ao Paquistão na sociedade indiana), e os dois países já mostraram que não vão deixar Washington passar ao largo dessa disputa.

Paquistão e Índia têm armas nucleares. Em ambos há muita pobreza. São dois países ansiosos pelas atenções das grandes potências.

Talebã

Musharraf também espera não perder terreno no cenário político afegão e conseguiu garantias disso na recente visita do secretário de Estado americano, Colin Powell, a Islamabad.

O mesmo Paquistão que ajudou o Talebã a firmar o pé no poder em Cabul agora, como aliado do país que quer acabar com a milícia, realiza articulações para formular um eventual governo substituto no Afeganistão.

Para o presidente paquistanês, as relações entre o Paquistão e o Afeganistão são importantes demais para deixar a realidade seguir seu curso naturalmente.

Ele recebeu sinal verde dos Estados Unidos para sentar à mesa de negociações com o ex-rei do Afeganistão, Zahir Shah, que possivelmente vai liderar um futuro governo numa eventual era pós-Talebã.

O Paquistão acabou se tornando o único país do mundo com relações diplomáticas com o governo do Talebã. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos romperam com Cabul pouco depois dos atentados de 11 de setembro em Nova York e Washington.

O Paquistão agora é o novo amigo do Ocidente. Saindo do isolamento, resta ao povo paquistanês a crença de que o presidente Pervez Musharraf vai se apegar com mais firmeza à promessa de realizar eleições no ano que vem.
 
   E-MANCHETE
Assine o serviço da BBC Brasil para receber as principais notícias por e-mail.
   ORIENTE MÉDIO
Leia as últimas notícias e análises sobre o processo de paz entre Israel e os palestinos.







Notícias relacionadas:
17 de outubro, 2001
  EUA e Paquistão 'têm o mesmo objetivo' no Afeganistão
08 de outubro, 2001
  Presidente do Paquistão diz que ação militar será 'curta'
05 de outubro, 2001
  Blair consolida apoio do Paquistão à coalizão antiterrorismo
03 de outubro, 2001
  Musharraf diz que Afeganistão precisa de coalizão ampla
01 de janeiro, 1970
  Dias do Talebã estão contados, afirma presidente do Paquistão
Links externos:
Governo do Paquistão (em inglês)
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
BBC World Service Logo ^^Volta ao início da página
Primeira Página | Saúde & Tecnologia | Economia | Cultura | Especial
Fórum | Aprenda inglês
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Programação | Como Sintonizar
Parceiros | Sobre a BBC