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18 de janeiro, 2001 - Publicado às 12h07 GMT

Como a história vai julgar Bill Clinton?
O presidente é um político pródigo
O presidente é um político pródigo

Por Nick Bryant, de Washington

O maior superávit da história, a mais baixa taxa de desemprego em mais de 40 anos, o aumento real de poder aquisitivo mais rápido em 20 anos e o maior corte de pagamentos de benefícios sociais já visto em qualquer governo dos Estados Unidos.

O principal legado dos oito anos da presidência de Bill Clinton nos Estados Unidos vai ser - principalmente - um legado econômico.

Ele governou o país durante o maior crescimento econômico da história norte-americana.

Quando assumiu a Casa Branca, Clinton herdou o maior déficit da história e inverteu este quadro, deixando para o sucessor George W. Bush um superávit de US$ 230 bilhões - o maior já registrado na história.

Quem é o responsável?

A pergunta é: quem foi o responsável por tamanho crescimento? Os republicanos apontam a criatividade e produtividade das empresas norte-americanas - especialmente o setor de alta tecnologia.

Eles também elogiam o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, o idealizador de uma política de taxas de juros que ajudou o comércio a prosperar.


Greenspan é tido como o responsável pelo 'boom' econômico
Muitos analistas financeiros acreditam que o grande feito de Clinton foi deixar que Greenspan comandasse a economia.

Mas, assim como são responsabilizados pelo fracasso econômico, os presidentes também devem receber parte do crédito em casos de sucesso.

O apoio do presidente à lei que reduziu o orçamento federal foi importante para aumentar o valor dos bonds do Tesouro e baixar as taxas de juros.

Clinton queria financiar seu plano social com a sobra do orçamento. Apesar disso, uma recente pesquisa mostrou que Clinton é visto como um presidente "médio", entre os 42 que já ocuparam a Casa Branca. Mas quando se fala em administração econômica, Clinton foi classificado em quinto lugar.

A ênfase nos acordos comerciais - mais de 300 foram assinados durante a administração Clinton - também ajudou a expandir o mercado para empresas norte-americanas.

Clinton ajudou a negociar o acordo do Nafta com Canadá e México, e ajudou a facilitar a entrada da China na Organização Mundial do Comércio.

Os sindicatos, no entanto, argumentam que os empregos dos Estados Unidos foram parar no exterior. Clinton responde que ele lançou uma nova era no comércio global.

O presidente foi rápido ao incorporar a globalização - a competitiva interatividade do comércio internacional. Mais do que em qualquer governo anterior, a política internacional tornou-se parte da política econômica.

Mas os problemas econômicos persistem. O déficit comercial aumentou, a diferença de renda entre ricos e pobres ainda é grande e os consumidores contraíram dívidas enormes.

Negócio inacabado

Em termos legislativos - campo em que a maioria dos presidentes democratas são julgados - Clinton não tem muito a dizer sobre seus oito anos no governo.

O ambicioso plano de reforma no setor da saúde - a menina dos olhos da primeira dama Hillary Clinton no primeiro ano de governo - foi derrotado.

Cerca de 15,5% da população - mais de 10 milhões são crianças - ainda carece de seguro de saúde básico.

Os pobres, como sempre, são os mais afetados. Cerca de um terço da população classificada como pobre pelo último censo não tem seguro de saúde.

O presidente, no entanto, pode apontar a reforma na seguridade social - um pacote de leis negociadas com os republicanos - como uma de suas principais vitórias no Congresso.

Ele argumenta que as reformas ajudaram a diminuir a taxa de desemprego. Mas aqueles que querem pedir demissão enfrentam mais dificuldades, já que a rede de seguridade social encolheu.

Política exterior

Quando os republicanos assumiram o controle do Congresso em 1994, ficou mais difícil para Clinton aprovar reformas legislativas. Como todos os presidentes que enfrentam dificuldades no Congresso, Clinton se concentrou na política exterior.

Sua prioridade no governo foi fechar um acordo de paz para o Oriente Médio, mas Clinton deixa a Casa Branca sem conseguir alcançar seu objetivo.

Mas seus esforços na Irlanda do Norte - onde ele ajudou a incluir o Sinn Fein (o braço político do IRA) no processo de paz e indicou um mediador - foram frutíferos. Católicos e protestantes assinaram o Acordo da Sexta-feira Santa e a ajuda de Clinton é reconhecida pelos dois lados.


Bombardeio da OTAN contra a Iugoslávia
O governo Clinton afirma ter liderado a ação diplomática na guerra civil e na limpeza étnica na Bósnia, que culminaram com o Acordo de Dayton.

Mas sua ação nos Balcãs foi hesitante e tardia. Aconteceu apenas em 1995, quando as tropas de paz da ONU estavam enfrentando problemas.

Os Estados Unidos tornaram-se mais cautelosos ao enviar tropas para conflitos no exterior depois que 18 de seus soldados foram mortos numa missão na Somália. O país não interveio militarmente nos conflitos de Ruanda, Serra Leoa e Timor Leste, quando encorajou outros países a liderarem o processo de paz.

A campanha da OTAN na Iugoslávia em 1999, no entanto, foi muito mais bem vista, já que o bombardeio interrompeu a limpeza étnica na província de Kosovo e ainda levou à queda do presidente Slobodan Milosevic, 18 meses depois.

Clinton visitou mais países estrangeiros que qualquer outro presidente norte-americano, e demonstrou um entendimento mais sofisticado de conflitos internacionais.

Mas ele teve que restringir a ação militar norte-americana em outros países, para não ferir a opinião pública, que se opôs ao envio de tropas ao exterior.

Impeachment

Clinton tornou-se um presidente popular, aproximando a Casa Branca do grande público.


Selo russo comemora escândalo presidencial
Mas chegou tão próximo que sua vida sexual - e o caso amoroso com a ex-estagiária Monica Lewinsky - tornou-se um dos assuntos mais debatidos nos Estados Unidos durante seu segundo mandato.

O escândalo Lewinsky levou o Congresso a pedir o afastamento do presidente, e fez com que Clinton perdesse a autoridade moral na Casa Branca, o que paralisou a ação da presidência durante vários meses.

Exatamente quando o orçamento apresentava superávit, a Casa Branca estava preocupada em explicar a infidelidade do presidente.

Os republicanos afirmam que era motivo suficiente para afastar Clinton do cargo, mas os democratas alegam que o promotor Keneth Starr, que conduziu o caso, estava empenhado numa caça às bruxas.

O episódio arranhou a imagem de Clinton e da Casa Branca.

A mesma pesquisa que colocou o presidente em quinto lugar, em termos de desempenho econômico, apontou Clinton como o presidente mais imoral que os Estados Unidos já tiveram.






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