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04 de maio, 2001 - Publicado às 19h42 GMT

Volta de Biggs divide britânicos
Biggs quer tomar cerveja amarga em Margate
Biggs quer tomar cerveja amarga em Margate

Chris Horrie

Ronald Biggs, fugitivo lendário da Justiça britânica, tem um último desejo: tomar um pint (copo com 5,68 ml) de cerveja amarga em um pub em Margate.

Já se passaram quase 40 anos desde que Ronnie, como é conhecido na Grã-Bretanha, passeou pela última vez pelas ruas do balneário em Kent.

Biggs, que pensa em voltar para a Grã-Bretanha depois de escapar da prisão em 1965, talvez não esteja preparado para o que vai encontrar em Margate.

O balneário, que ficou famoso pelas brigas regadas a bebida e drogas entre as famosas gangues rivais da década de 60 - os mods e os rockers - tem agora uma imagem mais familiar.

Publicidade negativa

Uma publicitária que trabalha em campanhas para a cidade ficou feliz em saber que Biggs tinha escolhido Margate para representar tudo o que há de agradável no estilo de vida inglês, mas disse que não gostaria de ver o nome da cidade associado a criminosos.

"A cidade não é mais a que ele se lembra. Não queremos que Margate fique associada a criminosos. Não gostaríamos de magoar as vítimas", disse a publicitária.

No bar The Red Lion, o dono, Sean, disse que ficaria "encantado" se visse Biggs entrando pela porta do pub.

"Isso aumentaria o movimento no bar. Até daria uma pint de graça para ele. E ele se sentiria em casa, já que não mudamos quase nada desde a década de 60", disse Sean.

Glamour

O diretor da Agência Nacional de Inteligência Criminal, John Abbot, criticou o público por "glamourizar" criminosos e por pensar que incidentes, como o roubo do trem do qual Biggs participou, têm algo de heróico.

"Dos retratos que David Bailey fez dos irmãos Kray, até o exílio exótico de Ronnie Biggs, passando por filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, vejo uma tentativa de mostrar o crime organizado como um uma atividade engraçada feita por gente bem-humorada", reclamou.

"Essa imagem está muito distante da realidade. O crime organizado está relacionado sim à violência", disse Abbot.

Vítima

Biggs vive no Brasil desde 1966 e a notícia de que o fugitivo pode voltar à Grã-Bretanha chocou Geoffrey Mills, sobrinho de motorista do trem que levou uma pancada na cabeça durante o assalto e não pode mais voltar ao trabalho depois do incidente.

"Se ele voltar à Grã-Bretanha, deveria pagar pelo que fez na prisão", disse Mills à BBC.

Na Grã-Bretanha, o público está divido. O assunto ocupou espaço nobre nos principais programas de TV e jornais do país.

Entre os contrários à volta do fugitivo, muitos dizem que Biggs está à beira da morte e quer voltar à Grã-Bretanha para se beneficiar do tratamento médico gratuito que receberá no país.

Golpe publicitário

O ladrão que virou autor de livros, John McVicar, acredita que a história do retorno de Biggs tenha sido um golpe publicitário armado pelo The Sun.

"Eles devem ter dado um bom dinheiro para Biggs", disse.

Nick Reynolds, filho de Bruce Reynolds, integrante da gangue de Biggs, acredita que a maior parte da opinião pública britânica esteja do lado de Biggs.

"O público britânico adora uma vítima. As pessoas vêem Ronnie Biggs como um cara que se deu bem e, secretamente, elas querem que ele se livre da prisão mais uma vez", disse Reynolds.

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