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08 de maio, 2001 - Publicado às 21h21 GMT

Filho de Ronald Biggs chora em depoimento à imprensa
Michael: 'Eu amo o meu pai'.
Michael: 'Eu amo o meu pai'.

O filho de Ronald Biggs, Michael, negou que seu pai tenha se entregado à Justiça para obter tratamento médico gratuito no Reino Unido.

"Ele estava recebendo cuidados médicos no Brasil e tem muitos amigos que o ajudariam a pagar pelas despesas com saúde", disse Michael.

Em uma entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, em Londres, Michael, que tem 26 anos, disse que implorou para que Biggs ficasse no Brasil.

"Aos 71 anos de idade, temendo que sua vida estivesse chegando ao fim, ele decidiu, por conta própria, voltar para a Inglaterra", disse.

Choro

"Eu fui contra a decisão, mas não foi possível convencê-lo a ficar. Ele queria terminar seus dias no país que ainda considera sua casa", disse Michael.

Neste momento do discurso, Michael começou a chorar.

Ele pediu desculpas aos jornalistas e pediu que a assessora de imprensa, Judy Totton, continuasse a leitura de suas declarações.

Nesse discurso escrito, Michael disse que o dinheiro pago pelo The Sun será usado para cobrir as despesas legais do caso de Ronald Biggs.

"Julgamento justo"

Vestindo um terno escuro, Michael permaneceu ao lado da assessora de imprensa e voltou a chorar quando ela mencionou a neta de Biggs que "talvez não veja o avô novamente".

"Tudo que peço, em nome do meu pai, é um julgamento justo e uma análise equilibrada do que realmente aconteceu ao longo desses 35 anos da vida dele", disse Michael.

Ele terminou o discurso dizendo: "Não tenho nada mais a dizer nesse momento, além de que eu amo meu pai".

Um amigo da família, que preferiu não ter seu nome divulgado, disse que Michael está traumatizado com a prisão do pai.

"Ronnie criou o Michael. Ele implorou para que seu pai não voltasse, mas teve que respeitar a decisão", disse.

Visita

Michael acompanhou Ronald Biggs na viagem para o Reino Unido e visitou o pai na segunda-feira na prisão de Belmarsh.

O assaltante do trem pagador Ronald Biggs, de 71 anos, passou a sua primeira noite atrás das grades desde sua fuga, há mais de 35 anos.

Depois de ter viajado do Brasil para a Inglaterra em um jato fretado, Biggs foi levado na segunda-feira para o presídio de Belmarsh, no sul de Londres.

A advogada do assaltante, Jane Wearing, disse que ele pretende recorrer ao Tribunal de Apelações contra a manutenção da sua sentença de 30 anos de prisão.

"Não é suficiente"

Segundo Wearing, Biggs acredita que seu caso será revisto de maneira justa. Ela deverá argumentar que a saúde do assaltante britânico está muito deteriorada, após três derrames.

O presidente do comitê de direito penal da Law Society, Malcolm Fowler, acredita que apenas a deterioração de sua condição de saúde não seja suficiente para garantir a liberdade de Biggs.

"É preciso haver fortes evidências de que ele esteja perto da morte, de que sua vida está ameaçada pelas condições de saúde", afirmou Fowler.

Richard Garside, da Nacro - uma organização que trabalha com criminosos e ex-criminosos -, acredita que Biggs poderá ter de esperar por um longo tempo até obter a liberdade.

"Parece improvável que ele seja solto rapidamente", disse.

O ministro do Interior britânico, Jack Straw, é quem pode decidir, em circunstâncias especiais, pela libertação de um preso antes de ele ter cumprido a totalidade de sua pena.

Jornal investigado

A Comissão de Reclamações contra a Imprensa, órgão britânico que avalia o comportamento ético dos jornais do país, investigará se o tablóide The Sun violou o código da entidade ao pagar pelo retorno de Ronald Biggs à Grã-Bretanha.

O jornal teria pagado 44 mil libras (cerca de R$ 135 mil) para amigos e parentes de Biggs, como parte do acordo para trazê-lo de volta.

Segundo as regras da comissão, um jornal só pode pagar criminosos condenados para obter uma entrevista se houver um interesse público legítimo.

As autoridades britânicas emitiram um passaporte de emergência para Biggs, depois que ele entrou em contato com a Scotland Yard via e-mail.

Mais de 50 policiais estavam à sua espera quando ele desembarcou na base aérea de Northolt, no oeste de Londres, na manhã de segunda-feira.

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