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19 de agosto, 2001 - Publicado às 18h59 GMT

Rússia lembra os dez anos do golpe que 'acabou com a URSS'
Yeltsin (esq.) liderou resistência
Yeltsin (esq.) liderou resistência

Os habitantes dos países que faziam parte da União Soviética estão lembrando neste domingo os dez anos da tentativa de golpe de Estado que, segundo analistas, precipitou o colapso do país.

Cerca de 100 ativistas pró-democracia, a maioria idosos, se reuniram do lado de fora do prédio onde funciona o parlamento da Federação Russa em Moscou para uma manifestação.

Na tentativa de golpe, que começou no dia 19 de agosto de 1991 e durou três dias, um grupo de comunistas de linha dura tentou afastar do poder o então presidente da URSS, Mikhail Gorbatchov, que vinha realizando uma série de reformas no país.

O atual presidente da Rússia, Vladimir Putin, está de férias e até agora não se manifestou sobre a data, nem sobre como estaria a Rússia hoje, dez anos depois do fim da URSS.

Mudanças cruciais

Segundo o correspondente da BBC em Moscou, Stephen Dalziel, muitos moscovitas decidiram aproveitar o sol ou viajar para o interior neste fim de semana, em vez de ficar na capital para lembrar a tentativa de golpe.

O único representante do governo a aparecer em público, o ministro do Trabalho Alexander Pochinok, foi imediatamente cercado pelos manifestantes aposentados, que lhe fizeram perguntas a respeito dos seus vencimentos.

A tentativa de golpe de 1991 levou a mudanças cruciais na vida dos russos e na dos habitantes das 15 repúblicas que faziam parte da URSS.


Gorbatchov perdeu poder durante o golpe
Boris Yeltsin, então presidente da Rússia, saiu fortalecido do golpe, depois de liderar a resistência no Parlamento, pedindo que a ordem e a democracia fossem respeitadas.

Gorbatchov, que foi pego de surpresa pelo golpe quando passava férias na Criméia e foi mantido prisioneiro pelos golpistas, perdeu poder, prestígio e popularidade por conta da ascenção de Yeltsin.

A maioria dos manifestantes reunidos do lado de fora da sede do executivo russo neste domingo fazia parte do grupo de simpatizantes de Boris Yeltsin, embora nos últimos anos ele tenha perdido o apoio de parte da população.

Golpistas

Uma outra manifestação, bastante diferente, estava marcada para ocorrer na Praça Pushkin, em Moscou - com o objetivo de homenagear os líderes do golpe.

Entre eles estavam o então vice-presidente da URSS, Gennady Yanayev; o então primeiro-ministro Valentin Pavlov; o ex-ministro da Defesa Dmitry Yazov; o ex-ministro do Interior, Boris Pugo; e o ex-chefe da KGB, Vladimir Kryuchov.
O que aconteceu com os líderes do golpe
Gennady Yanayev - É hoje consultor de fundos de pensão
Dmitry Yazov - É conselheiro na área de exportação de armas
Vladimir Kryuchov - Escreveu suas memórias
Valentin Pavlov - Virou banqueiro
Boris Pugo - Cometeu suicídio depois do golpe ter fracassado


Depois de terem recebido anistia após um período na prisão, vários deles retornaram à vida pública.

Yanayev defendeu o golpe em entrevista a uma TV russa. "Nosso país estava vivendo uma crise total que levaria à dissolução de um grande Estado. Foi por isso que agimos".

Mikhail Gorbatchov criticou os golpistas, dizendo que eles agiram com base em "seus próprios interesses, nada mais".

"A estrutura do Partido Comunista falhou no teste democrático", disse Gorbatchov, explicando que muitos membros do PC não aceitaram reformas que representassem o fim de privilégios.

Resistência

Segundo analistas, os líderes do golpe interpretaram mal o sentimento da população na época, especialmente entre os mais jovens.

Boris Yeltsin, por sua vez, ao subir em tanques e liderar uma resistência, soube traduzir perfeitamente o que passava pela cabeça dos russos.

Depois de três dias de incerteza, o golpe de 19 de agosto fracassou. Os líderes golpistas viajaram para a Criméia, na esperança de fazer as pazes com Gorbatchov.

Quando o líder soviético voltou a Moscou, ele não sabia o quanto as coisas haviam mudado durante sua ausência.

Segundo Condoleezza Rice, especialista em Rússia e conselheira de Segurança Nacional do governo dos Estados Unidos, "foi de fato triste ver Gorbatchov voltar, praticamente sem sabe o que havia ocorrido".

"Durante o golpe, Boris Yeltsin havia se tornado a principal autoridade na Rússia, e era apenas uma questão de tempo até que Gorbatchov fosse obrigado a se afastar de suas funções".

Isso ainda demoraria quatro meses, mas em dezembro de 1991, o processo iniciado em 19 de agosto finalmente levaria à saída de Gorbatchov do Kremlin e à desintegração definitiva da URSS.

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