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21 de março, 2002 - Publicado às 14h58 GMT
Por dentro da mesquita de Al-Aqsa
Apenas muçulmanos podem entrar na mesquita
Apenas muçulmanos podem entrar na mesquita

Martin Asser, correspondente da BBC News Online em Jerusalém

A mesquita de Al-Aqsa é o terceiro local mais sagrado do islamismo e fica no alto de um morro na parte velha de Jerusalém, conhecido como Monte do Templo pelos judeus e Esplanada das Mesquitas pelos muçulmanos.

O acesso à área da mesquita foi fechado a qualquer não-muçulmano desde a polêmica visita de Ariel Sharon, então líder da oposição israelense, ao complexo de prédios no local em setembro de 2000. A visita provocou uma revolta entre os palestinos e levou ao início da atual intifada - a rebelião contra a ocupação israelense.

Eu tive muita dificuldade para conseguir passar pelos guardas israelenses que controlam o Portão dos Discípulos, a entrada que fica no lado noroeste da mesquita.

A minha declaração formal de crença na fé islâmica - "eu sou testemunha de que não há Deus, mas Alá, e de que Maomé é seu profeta", falada em árabe - não foi suficiente para liberar o meu acesso porque eu sou um branco europeu.

Para poder entrar na mesquita, eu tive que apelar para certos detalhes do meu passaporte e para a ajuda de alguns guardas muçulmanos que estavam dentro de Al-Aqsa.

Suspeitas

Dentro da área da mesquita, as pessoas me olhavam como se eu fosse um suspeito.

Todos sabem que apenas os muçulmanos podem entrar em Al-Aqsa e a presença de qualquer pessoa que pareça ocidental atrai atenção. Todos imaginam que se trata de um intruso, possivelmente com más intenções.



A MESQUITA DE AL-AQSA

* Terceiro local mais sagrado do islamismo

* Os muçulmanos costumavam rezar virados para a mesquita, antes de Meca ter se tornado o foco da religião muçulmana

* A construção do prédio terminou no ano 705 - no exato local onde existia uma mesquita de madeira

* É conhecida como um centro de aprendizagem e orações
A mesquita tem uma longa história e muitos se lembram claramente de alguns pontos dela. Um desses momentos aconteceu em 1969, quando o cristão fundamentalista Michael Rohan tentou incendiar a mesquita, causando muitos prejuízos.

O Exército e a polícia israelenses estão nas proximidades do local para evitar qualquer incidente semelhante - o que poderia causar uma guerra que englobaria todo o mundo muçulmano.

Mas felizmente para mim um palestino de meia idade que assistiu à minha discussão com os soldados israelenses me levou pelo complexo avisando às pessoas que eu havia sido "examinado no portão".

Eu também dei a todos que me olharam a saudação islâmica "as-sallamu alaikum" - que pode equivaler a um aperto de mão, se for falado de uma certa maneira.

Obra-prima do islamismo

Deixando de lado a grande importância religiosa do local, é preciso dizer que a mesquita é um dos locais mais bonitos do Oriente Médio - com uma vista maravilhosa do Monte das Oliveiras e dos tetos das casas da parte velha de Jerusalém.

O dourado Domo da Rocha domina a paisagem e é a primeira obra-prima da arquitetura islâmica, tendo sido construído poucas décadas depois dos nascimento do islamismo, no século 7.

Ao sul do Domo da Rocha, apontando para Meca, fica o prédio da mesquita de Al-Aqsa, uma mesquita mais convencional com um domo marrom.

Os muçulmanos acreditam que a pedra que fica debaixo do Domo da Rocha é o local de onde o profeta Maomé subiu aos céus depois de sua viagem milagrosa de Meca a Jerusalém. A mesquita de Al-Aqsa marca o ponto onde ele teria rezado.

Para os judeus, o Templo do Monte é o local mais importante do mundo, onde o rei Salomão teria construído o primeiro e o segundo templos sagrados do judaísmo.

Segundo os judeus, é o local onde Abrão estava pronto para sacrificar o seu filho, Isaac, a pedido de Deus.


O Domo da Pedra cobre o local de onde os muçulmanos acreditam que Maomé subiu aos céus
Esses conceitos religiosos não negociáveis colocam o local no epicentro do conflito entre israelenses e palestinos.

O lugar foi capturado pelos israelenses na guerra de 1967 e está ocupado desde então. A soberania do local é uma das questões mais delicadas das negociações entre os dois lados.

Não chega a ser surpreendente que, caminhando entre os muçulmanos em Al-Aqsa depois das orações, a conversa passe dos temas religiosos para os políticos.

Segundo o ponto de vista deles, nenhum centímetro do complexo vai ser entregue. E muitos afirmam que entregariam a vida - como alguns deles já fizeram - em defesa do local.

Embora a situação na Esplanada das Mesquitas esteja calma, eles estão furiosos porque desde setembro de 2000, Israel praticamente não permitiu que nenhum muçulmano de fora de Jerusalém entrasse no local para rezar.

Eles também suspeitam que todo o Estado de Israel - e não apenas alguns extremistas que dizem isso abertamente - gostaria de demolir os monumentos islâmicos para construir um templo no local.

Eles criticam, por exemplo, as escavações arqueológicas israelenses, afirmando que elas têm o objetivo de prejudicar as fundações de Al-Aqsa.

A visita de Sharon

Algumas pessoas com as quais falei estavam presentes quando Sharon visitou o complexo.

Sharon chegou afirmando a soberania israelense e "com uma mensagem de paz". Ele afirmou que queria "ver o que acontece no local mais sagrado para os judeus".

As pessoas me mostraram como ele andou pelo local, cercado por um pequeno exército de soldados e policiais, vindo do lado oeste do complexo para o leste, sob os gritos de "assassino".

Com o decorrer dos meses, Sharon acabou sendo eleito pelos israelenses, que escolheram um político de linha-dura na esperança de que ele pudesse acabar com a intifada.

Desde então, Sharon não deu nenhum sinal de que pretende voltar ao local mais sagrado do judaísmo. E todos os dias centenas de palestinos se juntam no local para tentar impedi-lo de voltar.
 
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