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07 de abril, 2002 - Publicado às 21h54 GMT
Sopa de cachorro é uma aventura culinária
 Sopa de carne de cachorro, servida em Jeju
Sopa de carne de cachorro, servida em Jeju

Rogério Simões, enviado especial a Jeju

A casa fica na beira de uma estrada, atrás de um belo jardim, na ilha de Jeju. Na chegada, pode-se ouvir o latido de um cachorro vindo do quintal.

"Não, eles não matam os cachorros aqui, eles compram a carne congelada de um frigorífico", diz Ricky - um sul-coreano de 30 anos que gosta de usar seu apelido inglês -, para me tranqüilizar.

O lugar está vazio, e a dona brinca com seus filhos no salão de entrada. "Annyong haseyo! (olá)", eu digo ao entrar, meio inibido e já certo de que não se trata de um restaurante qualquer.

Comer carne de cachorro na Coréia do Sul não é uma tarefa simples. É preciso saber exatamente onde ir e, depois que o prato é servido, esquecer-se de qualquer cachorro que você já possa ter tido na vida.

Tradição

Ricky diz que só comeu cachorro uma vez e que só voltará a comer em outra ocasião especial.

Em geral, é essa a idéia que os sul-coreanos têm desse prato tradicional. Carne de cachorro não é para ser consumida toda hora, no dia-a-dia, e também não parece ser para todo mundo.

As mulheres não são grandes admiradoras da tradição. A maior parte dos consumidores é de homens, principalmente de idade mais avançada e que buscam garantir uma boa saúde.


Sopa de cachorro: legumes e cheiro forte
Isso porque os sul-coreanos acreditam que a carne de cachorro garante uma vida saudável. E com base nessa crença existem três dias no país conhecidos como "Dias de Cachorro", em que o consumo da carne seria ideal.

O primeiro é em junho, no início do verão no hemisfério norte (inverno no Brasil). O segundo, no meio da estação, e o terceiro em agosto, próximo do fim do verão.

De acordo com a tradição, quem comer carne de cachorro nesses três dias ficará protegido de doenças por um ano, até o próximo "Dia de Cachorro".

O consumo da carne durante o verão também está ligado aos seus próprios efeitos. Os sul-coreanos dizem que ela é bastante energética e por isso ideal para uma época do ano em que se perde muita energia.

Crenças ligadas à virilidade também garantem o interesse nesse tipo de comida, já que os homens acreditam que ela melhora o desempenho sexual.

Sopa com legumes

A forma mais tradicional e barata (cerca de US$ 10) de comer carne de cachorro é numa sopa, cujo aspecto não chega a ser repugnante.

O primeiro detalhe que chama a atenção do consumidor de primeira viagem é o forte cheiro, que talvez nem venha da carne, mas do tempero espalhado entre os legumes.

Era claro que eu estava diante de uma aventura culinária. E Ricky, que dessa vez preferiu pedir um prato de frango, seguia me perguntando a cada colherada se a carne estava caindo bem.

Na verdade, estava. A carne de cachorro é bastante macia, exatamente como dizem os coreanos, lembrando um pouco a carne de javali ou mesmo de pato.

Mas a idéia de que meu organismo pudesse não reagir bem ao prato, associada ao incômodo natural de estar digerindo um cachorro, me fez comer cada vez menos. E um cão continuava latindo do lado de fora, o que complicava ainda mais a tarefa de terminar toda a sopa.

Deixei mais da metade no prato. Não estava ruim, mas também não faço questão de repetir a experiência. Na saída, o dono do restaurante, que não quis dar seu nome, explicou que tipo de cachorro eu havia comido.

"Nós compramos a carne do frigorífico. São cachorros grandes, vira-latas, não são cachorros de raça", afirmou. Segundo ele, o consumo de carne canina está ficando cada vez mais popular. "Antes o pessoal comia mais no verão, mas hoje em dia é o ano todo."

A ausência de outros fregueses no restaurante, às 13h de um domingo, não corrobora o seu otimismo. Mas se ele e sua família continuam especializados em carne de cachorro, o negócio parece ser lucrativo.

Isso apesar dos protestos de entidades de defesa dos animais e de uma lei, aprovada pouco antes da Olimpíada de Seul, em 1988, que proibiu a venda da carne.

Mas logo depois dos Jogos a legislação deixou de ser aplicada na prática, e os políticos sul-coreanos ainda se debatem em busca de uma solução para o problema.

A carne de cachorro também é consumida em outros países da Ásia, como a China e o Vietnã, mas a realização da Copa do Mundo na Coréia fez do costume sul-coreano o foco das atenções internacionais.

A pressão levou a Fifa - organizadora do Mundial - a pedir a proibição total do consumo durante o mês da competição, que começa no final de maio.

Mas o fato é que, durante a Copa, a carne de cachorro estará lá para quem quiser. Não no bar da esquina ou na porta do estádio, mas quem se interessar certamente achará um respeitado restaurante especializado nessa polêmica tradição.
 
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