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04 de novembro, 2002 - Publicado às 10h24 GMT
China revive culto à personalidade de Mao
George Li vende 'livro vermelho' para turistas
George Li vende 'livro vermelho' para turistas

Silvia Salek, enviada especial a Pequim

Ele comandou a Revolução Cultural em que mandava intelectuais para campos de trabalho forçado e, com políticas agrícolas equivocadas, causou a morte de mais de 30 milhões de chineses.

Mao, que governou a China de 1949 até 1976, reúne no seu currículo políticas consideradas equivocadas até mesmo pelo Partido Comunista.

Mas o chamado Grande Timoneiro voltou a ser venerado no país depois de um período em que culto à personalidade do líder foi combatido e a China viveu uma época conhecida como "desmaoização".

Em um período em que a China está se abrindo cada vez mais para o mundo, os chineses lembram que foi o líder revolucionário que expulsou as potências estrangeiras do país, criando as bases para que a China entrasse para o rol das nações mais ricas do mundo.

Espanta ladrão

O culto à personalidade desta vez não tem nada a ver com o movimento oficial do passado em que estátuas e fotos do líder eram espalhadas pelo país; é um movimento espontâneo entre os chineses que, em áreas rurais, por exemplo, chegam a colar adesivos com fotos de Mao nas janelas das casas para espantar ladrões.

Na praça da Paz Celestial, ambulantes vendem broches com a rosto de Mao, jovens chineses usam camisas com a estampa do timoneiro e chineses lotam o mausoléu em Pequim onde o corpo do líder chinês está embalsamado.

Cópias em várias línguas do livro vermelho são vendidas na Praça da Paz Celestial como souvenirs pelo equivalente a R$ 10.

Bang Li, 19 anos, que adota o nome ocidental de George como boa parte dos jovens, ganha a vida vendendo a antiga bíblia dos comunistas na Praça da Paz Celestial.

"Ele cometeu erros, mas já é hora de esquecer isso. Somos uma nova geração", disse.

"Estou vendendo apenas o livro vermelho atualmente, mas meu objetivo é começar a vender uma série de outros produtos, todos ligados a Mao", disse George, mostrando espírito empreendedor comum na China hoje.

Tendências capitalistas

Os planos capitalistas de George nunca seriam postos em prática se ele tivesse crescido na época da "Grande Revolução Cultural Proletária", que começou em 1966.

Nesse período, com a ajuda de uma geração de jovens filiados ao Partido Comunista, os guardas vermelhos, chineses com "tendências capitalistas" eram denunciados e enviados para campos de trabalho forçado para reeducação.

Os chineses que cresceram nesse período e têm hoje por volta de 50 anos formam a chamada geração perdida da China. São pessoas que não freqüentaram universidade nem cursos de qualificação profissional e têm hoje poucas chances de conseguir empregos no competitivo mercado de trabalho chinês.

Outro política considerado pelos historiadores como um erro de Mao foi o Grande Salto à Frente. Na década de 50, ele resolveu coletivizar a produção agrícola e acabou gerando uma escassez de alimentos que matou de fome 30 milhões de chineses.

Grande Marcha

Mas o fato é que os acertos de Mao, aos olhos dos chineses, são suficientes para lhe o status de herói.

Museu em Xangai reproduz casa de ópio dos anos 30

Em 1949, derrotou as tropas capitalistas de Chaing Kai-shek e fundou a República Popular da China.

Saiu vitorioso de uma guerra civil sangrenta entre nacionalistas e comunistas, que deixou um saldo de 40 milhões de mortos, mas conseguiu expulsar as potências estrangeiras da China.

Os estrangeiros começaram a fincar suas bandeiras em território chinês após a Guerra do Ópio em meados do século XIX.

Tráfico e colonialismo

A guerra começou quando o governo chinês decidiu proibir o comércio de ópio na China.

Para Bao, chineses têm que aprender com a história

O tráfico era comandado pela Grã-Bretanha, que liderou a guerra contra o imperador chinês.

Derrotada, a China teve que aceitar o comércio da droga e perdeu soberania sobre vários portos como o de Hong-Kong, Xangai e Nanquim.

O país foi dividido em zonas de influência entre russos, alemães, ingleses e franceses.

O passado colonial deixou feridas que ainda hoje não cicatrizaram.

"Não gosto de pensar nesse período. Isso me lembra que fomos um povo fraco e subjugado. Sinto também uma certa raiva de quem fez isso com a China e hoje prega valores nobres no cenário internacional", disse o engenheiro Jinjie Guo, 32 anos, morador de Xangai.

O melhor amigo de Jinjie, o também engenheiro Bao Jun, 32 anos, diz não guardar mágoas.

"Quero que esse passado sirva sempre de lição para a China. Acho que a imagem de Mao voltou a ser valorizada hoje porque, nesse período de abertura, temos que lembrar que foi ele que permitiu nossa libertação. É por causa do esforço dele que podemos hoje nos abrir para o mundo de acordo com a nossa vontade, de igual para igual", disse Bao Jun.

"Enriquecer é glorioso"

Os dois jovens fazem parte de uma nova geração de chineses bem-sucedidos que desfrutam de um alto padrão de vida.

Mao e Deng são considerados heróis

Eles cresceram na China de Deng Xiaoping, que aprendeu com o erros do líder da chamada primeira geração e, em 1978, deu início ao processo de abertura econômica da China.

No lugar dos rituais de humilhação pública comandados pelos guardas vermelhos, a China começava a assistir a glorificação das tendências capitalistas tão combatidas anteriormente e entrava numa nova era.

Leia também: 25% dos milionários chineses são do Partido Comunista
 
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