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28 de outubro, 2002 - Publicado às 00h59 GMT
Analistas dizem que Lula amadureceu politicamente
Lula mudou bastante sua imagem nos últimos anos
Lula mudou bastante sua imagem nos últimos anos

Eric Brücher Camara

A campanha presidencial deste ano consolidou o amadurecimento político de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo afirmam especialistas estrangeiros que acompanharam de perto a história recente do Brasil.

A faceta adotada pelo líder petista durante a campanha revelou um político sorridente e conciliador - o "Lulinha paz e amor" -, bem diferente do Lula combativo e sisudo das eleições de 1989 - época em que recebeu do oponente Leonel Brizola a alcunha "sapo barbudo".

Essa metamorfose, de político que promete um calote da dívida brasileira para estadista que se senta à mesa com engravatados do Fundo Monetário Internacional (FMI), levantou suspeitas em vários setores – e incendiou discussões sobre o "verdadeiro" Lula.

"Acho que o Lulinha paz e amor sempre esteve lá. Alguém deve tê-lo convencido de que ele precisava mostrar mais este seu lado", comentou Margaret Keck, brasilianista da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Relações públicas"

"Foi uma mudança de relações públicas muito importante para transformar Lula em um presidente para todos. Se Lula quer governar, ele precisa ter uma imagem de um presidente para todos, apesar de manter os seus ideais", completa Keck.

A opinião da especialista americana é parecida com a do professor Peter Flynn, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Para ele, Lula apenas amadureceu politicamente.

"Ele continua sendo um reformista que sabe o que pode ser feito e como fazê-lo. Ele percebe que não está entrando no poder como um líder revolucionário e que precisa do Congresso para mudar o país", explica Flynn.

Talvez, para Lula os problemas estejam somente começando. É o que pensa o historiador Peter H. Smith, da Universidade da Califórnia, que prevê tempos difíceis para o presidente-eleito.

"Se ele cumprir todas as promessas e expectativas que ele criou ao longo dos anos, seu país e seu governo provavelmente serão esmagados pelos mercados", diz Smith.

"Se, por outro lado, ele capitular e abrir mão de suas promessas, ou mesmo das expectativas de seu eleitorado, ele corre o risco de incorrer na ira e condenação de toda a esquerda", acrescenta.

Dilema

Os especialistas, no entanto, divergem quando analisam o possível comportamento de Lula diante do dilema apontado por Smith.

O cientista político George Phillip, especialista em política da América Latina da London School of Economics (LSE), tem poucas dúvidas: Lula vai trair o mercado e decretar algum tipo de moratória.

“Ele não se manteve na esquerda durante toda a sua trajetória, para fazer o oposto disso quando chegar ao poder. As pessoas tendem a voltar sempre aos valores em que acreditam, apesar de, às vezes, usarem retóricas diferentes”, acredita o professor, apesar do "Lulinha paz e amor" ter se comprometido a seguir a cartilha do FMI.

A opinião do catedrático inglês está longe de ser unanimidade entre acadêmicos. Para Victor Bulmer-Thomas, diretor do Royal Institute of Foreign Affairs, em Londres, o verdadeiro Lula é mesmo “paz e amor”.

“Eu não acredito que alguém possa atravessar uma campanha tão longa fingindo ser algo que não é. Meu medo, por sinal, é que aconteça exatamente o oposto e que Lula se curve desde o primeiro dia às pressões para acalmar o mercado”, afirmou Bulmer-Thomas.

“Neste processo, ele corre o risco de frustrar seus eleitores que dirão que não o elegeram para que implementasse medidas no estilo FMI, mas sim para que melhorasse educação, saúde e distribuição de renda”, completa ele.

O historiador Peter H. Smith também não consegue vislumbrar uma postura desafiadora no petista, e sim um discurso mais apaziguador.

Cautela

"Ele vai ter que ser cauteloso, e deve tentar criar um relacionamento razoável com Wall Street", afirma.

Margaret Keck afirma que os temores de Lula romper totalmente com o mercado e implantar o socialismo no Brasil nunca foram cabíveis.

"A idéia de que Lula queria estatizar o país nunca foi real. Mesmo em 1982, eles eram muito críticos sobre o Estado soviético", afirma.

"O PT era anti-elitista e anti-estatal em muitos aspectos. Nessa época (início da década de 80), o estado controlava rigidamente as instituições sociais, ou seja, o estado não era visto como panacéia", diz Keck.

"Gás e água"

Paz e amor ou não, para Peter Flynn, o PT de Lula é parente próximo Partido Trabalhista britânico, formado por trabalhadores braçais, de pouca educação formal, com o apoio de intelectuais.

"É o que chamamos na Grã-Bretanha de "socialismo de gás e água", para citar Chamberlain (primeiro-ministro britânico conservador, nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial)", completa Flynn.

Para Peter H. Smith, Lula é mais complexo que o "sapo barbudo", ou o "Lulinha paz e amor".

"Se penso que ele está conscientemente traindo seus ideais originais? Não. Se penso que ele está sendo calculista por causa das eleições? Em parte, mas isso foi facilitado pela insatisfação geral", explica Smith.
 
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