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07 de novembro, 2002 - Publicado às 10h20 GMT
Aprovação elevada marca três meses de Uribe no governo
Presidente Álvaro Uribe completa três meses no cargo
Presidente Álvaro Uribe completa três meses no cargo

Valquíria Rey, de Bogotá

O presidente Álvaro Uribe Vélez completa nesta quinta-feira três meses de governo com um índice de popularidade que há muito tempo não se via na Colômbia.

De acordo com resultados de recente pesquisa realizada nas maiores cidades do país, Uribe conta com 72% de aprovação popular, mais de 30% do que tinha o ex-presidente Andrés Pastrana nos primeiros 90 dias de seu mandato.

"Temos um presidente que cumpre suas promessas eleitorais. Seu discurso é coerente com o que faz", diz o cientista político Leonardo Carvajal. "Diferente do que ocorria no período de Pastrana, dessa vez a população sente que alguém está governando."

Eleito já no primeiro turno, prometendo autoridade para combater os grupos rebeldes em ação no país, Uribe tem atuado como uma espécie de comandante das Forças Armadas. Ele está à frente de todas as decisões relativas às estratégias de segurança.

Perspectivas sombrias

Segundo Carvajal, "a grande popularidade do presidente deve-se a essa atuação diferenciada e peculiar num país como a Colômbia, onde a situação econômica e de violência costuma desgastar rapidamente a imagem dos presidentes".

Mesmo que os números sejam favoráveis ao presidente, as perspectivas para o país ainda são sombrias quando se leva em conta a atual situação.

Cerca de 40 mil colombianos morreram nos últimos dez anos por conta do conflito interno. A Colômbia é o país campeão mundial de seqüestros – em 2001 foram 3.041, mais de oito por dia.

Consuelo Ahumada, diretora do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade Javeriana, tem uma avaliação diferente. Ela afirma não encontrar nenhum aspecto positivo nos três primeiros meses de mandato de Uribe. De acordo com ela, que está lançando um livro sobre o período de Pastrana na Presidência, a política de continuidade é o que há de mais grave no atual governo.

"A atitude de submissão frente aos Estados Unidos permanece a mesma. A embaixadora Anne Paterson diz o que deve ser feito e suas ordens são sempre cumpridas", assinala Consuelo. "Uribe também optou por manter o modelo neoliberal, que tem resultado num agravamento da crise econômica e social."

Há uma semana, Uribe disse que o país de 44 milhões de habitantes, 60% dos quais vivendo abaixo da linha de pobreza, não teria como crescer economicamente ou investir em questões sociais por conta da violência. "Se essa situação for mantida, teremos mais pobreza", afirmou.

Apesar de consciente da necessidade de acabar com o conflito interno que dura 38 anos, Uribe não pretende protagonizar qualquer tipo de negociação com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), ou com os paramilitares reunidos nas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

Já no primeiro discurso como presidente eleito, há três meses, Uribe sugeriu uma negociação com a mediação da ONU). Há rumores de que contatos secretos estão sendo feitos com as Farc.

Avaliações diferentes

Mas o senador Antonio Navarro Wolff, o segundo mais votado na eleição parlamentar, acredita que nada será feito nem no curto nem no médio prazo.

Ex-dirigente do grupo guerrilheiro M-19, Wolff participou das negociações de paz com o ex-presidente César Gavíria, em 1990, que levaram o grupo de volta à vida social.

O senador considera Uribe autoritário e improvisador. "Esse governo inventa uma idéia por semana e a metade delas não funciona", diz Navarro. "Por conta da decretação do estado de comoção interna, ele fala em armar a população em áreas onde nem sequer tem Polícia e em entrar na casa das pessoas sem ordem judicial. Isso é totalmente excessivo."

A mesma opinião tem o bancário Jaime Rodriguez. "É um governo autoritário que não está preocupado com a realidade econômica e social do país", assinala.

"Apesar de legítimo e respaldado pela população, acredito que muita gente na Colômbia apóia Uribe por não ter noção de como deve atuar um governo democrático."

Já a advogada Luz Amparo Cruz considera o presidente "um assassino". De acordo com ela, os primeiros três meses do governo Uribe foram "horrendos", marcados pelo autoritarismo e muitas mortes.

Para a dona-de-casa Florángela Restrepo, o presidente está colocando o país em ordem. Já a enfermeira Rosário Parra, elogia a maneira como o governo está combatendo a guerrilha e os paramilitares e o aumento no núumero de militares e policiais.

"Estou muito feliz. Uribe está fazendo o que o país necessita. Valeu a pena ter votado nele", afirma a comerciante Piedad Ballestro.

Segundo o ex-candidato presidencial Luis Edurardo Garzón, no campo político o governo está fortalecendo o Executido, conforme prometeu durante a campanha. “As tendências autoritárias do Estado são registradas na relação com o Congresso, ameaçando parlamentares para que aprovem sua política e nas confrontações com o Judiciário”, analisa.

Conforme Consuelo Ahumada, outro problema agravado com Uribe é o deslocamento forçado. De acordo com ela, o número de deslocados internos aumentou nos últimos meses em função do caráter militar que o presidente adotou em todas as suas políticas.

Leonardo Carvajal assinala que no atual governo o conflito urbano se tornou se agravou. Ele cita como exemplo o recente confronto registrado na Comuna 13, em Medellín, e os atentados a bomba em Bogotá.

Carvajal acredita que a situação dos direitos humanos na Colômbia podem piorar não apenas por conta da urbanização da guerra interna, mas, em razão da rede de um milhão de informantes civis que o governo pretende efetivar.
 
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