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12 de novembro, 2002 - Publicado às 14h57 GMT
'Droga da verdade' é usada em assaltos na Colômbia
Bogotá sofre com os sequestros relâmpagos
Bogotá sofre com os sequestros relâmpagos

Valquíria Rey, de Bogotá

Um novo tipo de assalto - com o uso de drogas e de táxis - está assustando os colombianos. O crime, chamado de "passeio milionário", usa uma substância química chamada escopolamina, extraída de uma planta tropical muito comum nos jardins e áreas verdes de Bogotá.

Com essa droga, as pessoas ficam em um estado de hipnose e fazem tudo o que lhes é solicitado.

No Brasil, a planta que produz a escopolamina é conhecida como saia branca, trombeta ou zabumba. Cresce de norte a sul do país, mas diferente do que ocorre na Colômbia, seu comércio está controlado pelo Ministério da Saúde.

O caso da psicóloga Sandra Lemos ilustra bem como o crime ocorre.

Táxi

A psicóloga e seu marido foram vítimas de um "passeio milionário" há duas semanas.

Sandra pegou o táxi em frente ao aeroporto El Dorado, às 22h30, no horário local. Como faz normalmente, trancou as portas do carro. Mas, de nada adiantou.

No primeiro semáforo, o motorista perguntou qual caminho deveria seguir. Distraída com a pergunta, a psicóloga não percebeu quando três homens se aproximaram e entraram no veículo.

"Tudo aconteceu rápido demais", recorda. "Eles seguraram nossos braços e pernas e ficamos completamente sem ação."

Em poucos minutos, Sandra e o marido colocaram nas mãos dos criminosos cartões de crédito, telefones celulares e jóias. Sem que o carro parasse, tudo foi entregue rapidamente para dois homens que estavam em uma moto.

O casal forneceu os números das senhas dos cartões e a quantia exata que tinham no banco. Também responderam a todas as perguntas sem contestar.

"No início, não sabíamos que estávamos drogrados. Só nos demos conta por causa dos efeitos colaterais", diz Sandra, que teve taquicardia, diarréia e cansaço muscular.

A psicóloga não consegue lembrar o momento exato em que o pó da escopolamina foi jogado neles. Mas diz que funcionou como uma espécie de "soro da verdade".

Se a dose da escopolamina fosse um pouco mais alta, poderia desencadear arritmias cardíacas ou taquicardia severas, insuficiência respiratória ou até a morte.

Segundo Alberto Candillo, sargento da Polícia Metropolitana de Bogotá, alguns casos de morte de vítimas de "passeios milionários" já foram registrados. Mas, de acordo com ele, além do roubo, as maiores seqüelas são psicológicas.

Crime comum

"Fiquei traumatizada", disse a estudante Amparo Gutiérrez. "Quando notei que seria vítima de um 'passeio' milionário", gritei como uma louca e comecei a dar socos no motorista. Tive muita raiva, porque já estava em frente da minha casa. Mas, de nada adiantou. Além de ser roubada e ter ficado três horas seqüestrada, eles bateram muito em mim até que eu me acalmasse."

Os "passeios milionários" acontecem em todas as horas do dia, no entanto, mais de 60% acontecem entre às 19h e às 23h.

Em geral, as vítimas só são liberadas depois que os criminosos conseguem sacar todo o dinheiro diponível em suas contas em bancos 24 horas.

Em algumas ocasiões, quando é usada a escopolamina, a vítima é levada para sua casa, onde deve entregar objetos de valor, usualmente jóias e eletrodomésticos.

Documentos, bolsas e carteiras, geralmente, não são roubados. Por conta disso e por não confiar na polícia colombiana, a maioria das vítimas prefere não denunciar os casos.

Mesmo assim, pelo menos dois "passeios milionários" são registrados diariamente em Bogotá. Nos primeiros oito meses deste ano, foram 487.

"Não vale à pena denunciar", diz a advogada Laura Gutiérrez. "O problema não vai ser solucionado mesmo, e isso só faria relembrar o trauma que vivi."

Laura foi vítima do "passeio" em duas ocasiões e agora acredita que tenha aprendido a lição. "Nunca mais pego taxi nas ruas. Chamo por telefone e peço a placa do carro e o nome do motorista."

Mas o que a advogada pensa que pode ser uma forma de evitar o "passeio" não é suficiente. Os criminosos já começaram a entrar na freqüência de rádio das empresas de taxi e, em algumas ocasiões, chegam primeiro que o taxista de verdade ao lugar onde o cliente solicitou o serviço.

Treinados

Sandra Lemos acredita que os criminosos receberam treinamento militar, devido à agilidade e à organização com que trabalham. De acordo com ela, no dia em que foi seqüestrada, outros dois taxis seguiam o carro onde ela ia. Os homens se comunicavam por telefones celulares e informaram a quantidade de dinheiro que estavam sacando.

Em Bogotá, é difícil encontrar alguém que não tenha um amigo ou familiar vítima desse crime. O "passeio milionário" não está classificado especificamente como um delito. Nas estatísticas, aparece na modalidade de furto qualificado.

Para David Buitrago, diretor da País Libre, uma fundação de apoio a familiares de seqüestrados, os "passeios" deveriam ser considerados seqüestros, e os criminosos deveriam ser penalizados por esse crime.

"Geralmente, 80% dos seqüestros que ocorrem no Brasil, na Argentina e no México são praticados pela delinqüência comum como os ' passeios milionários colombianos'", disse ele. "Não consigo entender por que, nesses países, esse crime é considerado seqüestro e, aqui, não."

O próprio Buitrago tem a resposta. Ele pensa que esse delito é considerado apenas furto por conta de outro tipo de seqüestro que ocorre na Colômbia, praticado por guerilheiros, com vítimas mantidas em cativeiros por períodos que podem variar de um mês a cinco anos.
 
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