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02 de dezembro, 2002 - Publicado às 18h03 GMT
Palafitas são o orgulho e a vergonha de Alagados
Região de Alagados não tem limites definidos
Região de Alagados não tem limites definidos

Rafael Gomez, de Salvador

"As palafitas são parte da identidade cultural do povo daqui", diz Joselito Crispim dos Santos de Assis (clique aqui para ler um perfil dele), o fundador do Grupo Cultural Bagunçaço, que atua na região de Alagados, em Salvador.

A identidade cultural de Alagados a que se referiu Joselito são centenas de casas de madeira, muito frágeis, que se equilibram em estacas sobre a enseada dos Cabritos, que desemboca no azul da Bahia de Todos os Santos, ao norte de Salvador.

O cheiro de esgoto é forte. A água calma - coberta de fezes e garrafas plásticas - é visível através de imensos buracos na instável ponte de madeira que conduz a alguns dos barracos. Não são raros os casos de pessoas que pisam nos buracos e caem na água.

Os moradores das palafitas queixam-se de não ter nenhum outro lugar para ir. E são considerados cidadãos de segunda classe até mesmo pelos próprios moradores da favela que moram na terra firme.

Nome "genérico"

Ainda assim, quando se pensa em Alagados, em Salvador, são as palafitas - que ali estão há décadas - que vêm à cabeça quando se pensa nesta comunidade.


Uma das pontes nas palafitas: cuidado com o buraco...
Na verdade, "Alagados" não é o nome dado a uma favela específica em Salvador. Muitas pessoas da região evitam se referir ao local onde moram ou trabalham por esse nome. Preferem os nomes dos bairros que estão na área: Uruguai, Jardim Cruzeiro, Massaranduba.

Alagados se tornou mais uma designação geográfica genérica, com peso histórico, do que com justificação real.

Isso porque, nos anos 50, começou o processo de aterro de toda a região. Desde então, centenas de pessoas deixaram de ser "alagadas" para viver em casas de alvenaria, na terra firme.

Muitas ainda se lembram até onde vinha o mar antes da aterragem e parecem até um pouco nostálgicas, olhando com estranhamento para tantas ruas novas.

Irmã Dulce

Além de ter seu nome conhecido em todo o Brasil por causa do sucesso do grupo Paralamas do Sucesso, "Alagados", de 1986, a comunidade também se orgulha de ter sido o lugar escolhido por Irmã Dulce para iniciar seus trabalhos assistenciais.

Hoje, a sobrinha de Irmã Dulce comanda um complexo de saúde não muito longe de Alagados, no bairro de Roma. Muitos moradores preferem ir até lá quando precisam de tratamento, em vez de visitar o posto de saúde local da prefeitura.

Os problemas de saúde são comuns por aqui. Há pessoas até com tuberculose e hanseníase, que recebem acompanhamento de agentes comunitários de saúde.


Moradores das palafitas queixam-se de preconceito até dos vizinhos da terra firme
Os problemas mais comuns são os decorrentes da extrema pobreza, da falta de higiene e de alimentação adequada: verminoses, diarréias, infecções respiratórias e escabiose (sarna).

Pobreza

Em Alagados, muitos são tão pobres que são obrigados a se alimentar de mariscos colhidos no lodo perto das palafitas.

Outros, muitos outros, não sabem ler e se tornam vulneráveis a todo tipo de violação de seus direitos.

Ainda assim, a comunidade parece estar aos pouco se mobilizando. Um exemplo disso é a existência do grupo cultural Bagunçaço, de Joselito Crispim, que visa educar crianças e jovens da comunidade.

Em Novos Alagados, uma comunidade vizinha, um outro projeto educacional, desenvolvido pela educadora Vera Lazzarotto, também está tendo bastante sucesso e conseguiu reduzir drasticamente o índice de analfabetismo regional.

O governo também está mudando a cara da região. Nas rádios, o governador Othon Alencar promete aterrar a área onde estão as palafitas restantes e dar moradia digna a todos os moradores de lá.

Se isso acontecer, será um adeus a parte do orgulho dos Alagados. Mas, principalmente, um adeus à vergonha.
 
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