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05 de dezembro, 2002 - Publicado às 19h39 GMT
Perfil: Joselito Crispim dos Santos de Assis
Joselito com criança que ajuda a educar
Joselito com criança que ajuda a educar

Rafael Gomez, de Salvador

"Alagados foi agredida ao nascer, sempre foi agredida. Depois veio a violência do governo ao realizar a aterragem. De violência em violência, hoje a comunidade é mutilada."

Joselito Crispim dos Santos de Assis impressiona qualquer pessoa com sua eloqüência. Nunca lhe faltam frases que parecem criadas sob medida para explicar o desafio de seu trabalho em Alagados.

É difícil acreditar que ele tem apenas 32 anos, que só tenha estudado até o segundo ano do segundo grau, e tenha feito curso profissionalizante de panificação.

Autodidata e viciado em livros, em todo o seu discurso há referências a teorias sociológicas e antropológicas que poderiam dar a impressão de que ele é um intelectual esnobe.

Desconfiança

Mas é apenas impressão. Tudo o que Joselito diz, faz muito sentido. Que o digam os seus alunos e seguidores do Grupo Cultural Bagunçaço, que ele fundou em 1991.

O Bagunçaço, uma entidade civil sem fins lucrativos, pode ser considerado um dos centros da comunidade de Alagados. Quase todos os moradores sabem onde é a sede do grupo, ao lado da Igreja de São Jorge.

Lá centenas de jovens têm acesso a uma biblioteca, a aulas de cidadania e aprendem, em oficinas, a construir instrumentos de percussão reciclando latas usadas.


A sede do Grupo Cultural Bagunçaço
"Antes de fundar o Bagunçaço, eu já era educador de rua", lembra Joselito, apelidado de "Pim" pelos seus amigos.

"Foi então que surgiu o problema de crianças baterem lata na rua e as pessoas não gostarem. Um dia me aproximei das crianças e tive a idéia de criar uma bandinha."

"Logo, logo, outras bandas foram aparecendo. Hoje já temos grupos musicais que são independentes do Bagunçaço, mas que surgiram aqui: a banda Dilatasom e a sucatamania, por exemplo".

Segundo Joselito, no início seu trabalho foi visto com grande desconfiança pelos membros da comunidade, que não acreditavam que uma pessoa igual a eles, negra e pobre, pudesse ser bem-sucedida com um trabalho social.

"Isso é por causa da falta de auto-estima deles", explica.

Invasão

"No início, não havia recurso nenhum para realizar o trabalho no Bagunçaço, e fomos adaptando a idéia da reciclagem a tudo, não só às latas que nós transformávamos em instrumentos."

E seguindo o caminho da reciclagem, Joselito e os outros membros do Grupo Cultural começaram a sonhar com uma sede própria para o projeto, que durante muito tempo funcionou em um local emprestado pela igreja de São Jorge.

Eles queriam "reciclar" um terreno ao lado da igreja que estava abandonado e pertencia à associação de moradores. "Acontece que a associação e a própria igreja também tinham planos para o terreno."

A guerra fria pela posse do terreno continuou até o dia em que os membros do Bagunçaço decidiram invadir o local.

"Houve choque com a associação e com a igreja, mas tentamos manter a diplomacia. Tive até que ir à polícia, mas hoje está tudo resolvido: ganhamos uma autorização para usar a área", disse Joselito.

Ele me leva para conhecer o local. O local inteiro está sendo pintado e está em reformas. Mas já funcionam lá um refeitório, a biblioteca e uma loja com artigos do Bagunçaço, como CDs das bandas.

"O governo até hoje nunca deu dinheiro. Hoje estamos nos beneficiando de um projeto que permite que uma empresa, em vez de pagar imposto ao governo, o repasse para a gente."

Novo projeto

Há muitos projetos sociais ligados ao Bagunçaço. "Temos curso de inglês, um projeto de inclusão digital, oficina de confecção de instrumentos... Acredito que umas 900 pessoas, entre alunos e funcionários, estão ligadas ao grupo cultural hoje."

Muitos ex-alunos do Bagunçaço, inclusive, já assumiram responsabilidades dentro do grupo, e Joselito está podendo se dedicar a um outro projeto.

A entrada do parque São Bartolomeu, que Joselito está ajudando a recuperar

Ele está lutando para recuperar os Parques São Bartolomeu e Pirajá (norte de Salvador), não muito longe de Alagados, onde ficam alguns locais considerados sagrados para o candomblé da Bahia.

O local está praticamente abandonado, mas Joselito identificou nele um grande potencial de administração popular.

"Estamos ensinando inglês a crianças da região, para que elas possam ser guias. Espero em breve poder recuperar uma das entradas do parque, que está hoje fechada."

Para Joselito, o essencial para que qualquer trabalho dentro de uma comunidade dê certo é que ele se adapte à cultura e os costumes locais.

"Não dá para fazer o que fizemos no Bagunçaço, um trabalho baseado na percussão, em alguns locais de Minas Gerais, onde o pessoal não liga para percussão", explica. "É necessário identificar o que faz parte da tradição local e explorar isso."

"Identificando a identidade da comunidade, dá para trabalhar sua auto-estima. E só assim a comunidade será dona de sua própria história."

Grupo Cultural Bagunçaço
Rua Rosalvo Barbosa Romeu, s/nº
Paróquia de São Jorge - (Casa do Bagunçaço)
Jardim Cruzeiro - Salvador/BA
Tel. (0xx71) 313 7207
E-mail: bagunemail@bagunsite.org.br
 
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