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24 de dezembro, 2002 - Publicado às 17h10 GMT
Mexicanos continuam tentando imigrar para os EUA
Fronteira entre México e EUA, na cidade de Tijuana
Fronteira entre México e EUA, na cidade de Tijuana

Isabel Murray, enviada especial ao México

Vizinhos do país mais poderoso do mundo, os mexicanos se acostumaram a olhar com cobiça para o outro lado da cerca. Neste caso, a cerca é uma fronteira de quase quatro mil quilômetros que separa os dois países.

Atraídos pelo salário em dólares e uma vida melhor "do outro lado", como eles mesmo dizem”, todos os anos milhares de mexicanos tentam cruzar a fronteira ilegalmente.

Fisicamente, a fronteira é formada por vários trechos de muros, cercas e barreiras naturais. Ela cruza a América do Norte, de oeste a sudeste, desde a Califórnia, no Oceano Pacífico, até o sul do Texas, no Golfo do México.

Um trecho de mais de mil quilômetros corta o deserto. O restante acompanha o curso do Rio Grande, ou Rio Bravo del Norte.

Travessia perigosa

Os mais audaciosos tentam passar pela parte desértica, normalmente acompanhados por guias, os chamados "coiotes", que chegam a cobrar US$ 10 mil pelo serviço.

Mas o deserto é muito quente de dia e muito frio à noite, e não são raros os casos de morte pelo caminho.

No Estado da Califórnia, na cidade de Calexico, o patrulheiro Don Delgado – mãe americana, pai mexicano – mostra como funciona o trabalho das autoridades ao longo da fronteira.

Somente na área de Calexico, são 280 pessoas trabalhando no patrulhamento, apreensão e triagem de imigrantes ilegais.

Ao longo da cerca e do canal que acoompanham a fronteira, estão instaladas 18 torres com quatro câmeras de vídeo ligadas 24 horas por dia. Mesmo assim, os mexicanos tentam entrar em território americano.

Durante a passagem da reportagem da BBC Brasil pela fronteira, dois mexicanos foram pegos já do lado americano, e mais três tentaram cruzar o canal a nado.

Mas voltaram quando viram o carro da patrulha. Antes de retornar, registraram seu protesto jogando pedras contra a viatura.

Do lado mexicano, na famosa cidade de Tijuana, são 36 quilômetros de fronteira. Lá, um esquadrão especial da polícia, chamado Grupo Beta, percorre a fronteira alertando os imigrantes em potencial sobre os perigos de se fazer a travessia ilegal.

Os policiais não tentam impedir o inevitável, mas mantêm contato permanente com a patrulha americana.


O padre brasileiro Luiz Kendzierski, diretor da Casa do Migrante
Ao lado da cerca, havia vários grupos acampados, espiando pelas frestas e buracos e esperando o momento certo para tentar chegar ao outro lado.

Napoleon, de 37 anos, era um dos esperançosos e já dormia ao relento havia uma semana, esperando pelo momento certo.

"Os policiais vão ter que dormir. Ou quando tiverem muito trabalho, correndo atrás de outras pessoas, eu vou aproveitar para pular a cerca", disse.

Assistência

Além da fronteira, outro lugar bastante movimentado em Tijuana é a Casa do Migrante, que abriga temporariamente mexicanos que tenham sido deportados dos Estados Unidos ou recém-chegados à cidade, com planos de fazer a perigosa travessia.

"Ultimamente têm vindo para cá muitos migrantes estabelecidos há dez, 20 anos nos Estados Unidos", explica o padre brasileiro Luiz Kendzierski, diretor da Casa do Migrante. "Eles nem falam mais espanhol e vêm parar aqui."

Na casa, eles ganham roupa, comida, banho e cama. Podem ficar no máximo oito dias, e mesmo assim sob a condição de arranjar um emprego. Caso contrário, apenas três dias.

Mas a intenção não é trabalhar no México, mas sim voltar aos Estados Unidos.

"Eu trabalhava num restaurante em San Francisco lavando pratos e depois como garçom", disse Henrique Pot Bolívar, de 19 anos.

"Enviava até US$ 700 por mês para a minha família viver melhor. Aqui eu não teria condições de ganhar isso."

"Eu estava vivendo em Los Angeles havia 13 anos. Passei três dias no deserto para chegar lá", contou Juan Manuel Chavez, de 29 anos.

"Num dia, eu estava trabalhando, e de repente chegou a imigração. Éramos 40 pessoas, a maioria ilegal."

Juan Manuel diz que toda a sua família está morando nos Estados Unidos e não tem nada o que fazer no México. Por isso, vai se arriscar mais uma vez para chegar ao "outro lado".

As estimativas são de que cerca de 8,5 milhões de estrangeiros vivam hoje ilegalmente nos Estados Unidos. Na maioria, mexicanos.

Os planos do governo Bush de conceder anistia aos mexicanos que provassem morar em território americano desde 1982 foram adiados após os ataques terroristas de 11 de setembro do ano passado.

Leia também:

Fox admite falhas e promete mais reformas no México

Com visita de Lula, México se aproxima mais do Brasil

Clique aqui para ler a especial sobre 2002/2003
 
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Links externos:
Instituto Nacional de Imigração (em espanhol)
Red Casas del Migrante Scalabrini (em espanhol)
Serviço de Nacionalização e Imigração dos EUA (em inglês)
Presidência do México (em espanhol)
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