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06 de março, 2003 - Publicado às 12h45 GMT
Farc: 'Brasil não vai nos classificar como terroristas'
Rebeldes da Farc se reúnem no interior da Colômbia
Rebeldes da Farc se reúnem no interior da Colômbia

Valquíria Rey, da Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não acreditam que o Brasil vai assinar qualquer declaração incluindo o grupo na lista das organizações terroristas internacionais, como quer o governo colombiano.

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, Pastor Alape, um dos mais importantes comandantes do grupo guerrilheiro, elogiou “a posição independente” do governo brasileiro frente ao conflito interno colombiano.

“Os governantes do Brasil, da Venezuela e do Equador têm mantido uma posição séria, democrática, independente e respeitável (em relação ao conflito colombiano)”, disse Alape.

“Os países que atenderam a exigência do governo de Álvaro Uribe (presidente colombiano) de classificar as Farc como uma organização terrorista devem entender que esta é uma forma de intervenção em um assunto interno (da Colômbia)”, disse Alape.

Posição oficial

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, se encontra nesta sexta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília para discutir formas de colaboração no combate ao narcotráfico e à guerrilha.

Caso o governo brasileiro atenda o pedido do presidente Uribe de classificar as Farc como terroristas, o Brasil ficará obrigado a bloquear os bens da organização mantidos no país e autorizar a captura de membros do grupo guerrilheiro em território nacional.

De acordo com Alape, países como o Brasil sabem que o conflito colombiano não será resolvido com mais militarização, nem fechando possibilidades de reiniciar as discussões sobre o próprio conflito no país.

Por seu lado, o governo colombiano insiste que os países vizinhos – inclusive o Brasil - devem classificar as Farc como um grupo terrorista.

O Brasil ainda não assumiu uma posição oficial. Mas, há duas semanas, o assessor de assuntos internacionais do governo, Marco Aurélio Garcia, disse que o país não definiria a guerrilha dessa forma.

Segundo alegou Garcia, caso o Brasil adotasse essa postura não poderia ser um possível mediador no processo de paz na Colômbia.

As afirmações de Garcia geraram uma reação dos dois principais ministros do governo Uribe. A ministra da Defesa, Marta Lucía Ramírez, disse não entender as razões que levavam o Brasil a não assinar tal declaração.

“As Farc são a mais pura expressão do terrorismo e, por isso, não deve haver nenhuma dificuldade em chamar as coisas como realmente são”, disse a ministra.

Mediador

Fernando Londoño, ministro do Interior e Justiça, foi mais duro. Ele afirmou que, ao não considerar o grupo guerrilheiro terrorista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou uma desculpa estupenda.

“Ele quer reservar-se para servir eventualmente de mediador, cargo para o qual ninguém o designou e eu não acredito que esteja na lista de possibilidades. Mas qualquer um tem o direito de auto-nomear-se ao que quiser.”

Essas afirmações não foram referendadas pelo presidente Álvaro Uribe, que preferiu não dar muito destaque ao assunto para evitar maior distanciamento com o governo brasileiro.

Às vésperas de sua viagem ao Brasil, Uribe disse estar satisfeito com as relações entre os dois países. “O Brasil condenou as Farc no marco da declaração da Organização dos Estados Americanos (OEA) e nesta sexta-feira vou me reunir com Lula”, disse.

Respeito às fronteiras

Já o comandante Pastor Alape negou afirmações de representantes do governo Uribe de que a guerrilha marxista colombiana estendeu sua atuação além dos limites das fronteiras do país. Ele disse que, caso o Brasil modifique sua posição em relação ao grupo, esse fator não afetará a política das Farc.

“Nós sempre mantivemos uma linha de respeito às fronteiras”, afirmou. “Nosso trabalho é aqui. Acreditamos que é conveniente, do ponto de vista político, mantermos essa posição.”

O líder guerrilheiro disse que sua organização festejou a eleição de Lula para a Presidência da República. Conforme Alape, Lula está consolidando um papel importante na América Latina.

Mas, de acordo com ele, o presidente enfrentará problemas, devido às pressões do que chama de "imperialismo" e das classes dominantes brasileiras, que, em determinado momento, demonstrariam insatisfação por Lula estar governando para os pobres.
 
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