Crescimento chinês em 2008 fica abaixo da média de 30 anos

Yuan
Image caption Alta de 9% do Produto Interno Bruno no ano passado foi a menor em sete anos.

O crescimento chinês caiu para 6,8% no último trimestre de 2008 - na comparação com o mesmo período do ano anterior-, fazendo com que a expansão da economia chinesa ficasse em 9% no ano passado, o resultado mais baixo desde 2001.

Em 2001, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês foi de 8,3%. No ano seguinte, ficou em 9,1%.

O resultado de 2008 fica também atrás da média de 9,8% observada nos últimos trinta anos, segundo o governo chinês.

Ao longo de 2008, o crescimento de 9% da economia fez com que o PIB chinês somasse 30,067 trilhões de yuan (US$4,3 trilhões). É nítido o recuo em relação aos 13% de expansão obtidos em 2007 que elevaram a economia chinesa à posição de terceira maior do mundo.

As autoridades estimam que a média de crescimento precisa ser de pelo menos 8% para manter o nível de desemprego sob controle e evitar distúrbios e protestos populares.

De acordo com o jornal estatal China Daily, um crescimento de 8% é necessário para garantir a criação de 14 milhões de novos empregos ao ano e permitir que mais de seis milhões de recém-formados encontrem um lugar no mercado de trabalho.

Desemprego

Os resultados indicam ainda que último trimestre de 2008 foi o sexto consecutivo a registrar desaceleração na China.

Estimativas do governo chinês projetam para 2009 um crescimento entre 8% e 9%, mas o Banco Mundial acredita que a economia não expandirá mais de 7,5%.

Além disso, o problema do desemprego já começa a aparecer nas estatísticas.

De acordo com dados divulgados nesta semana, o número de pessoas sem emprego já correspondia a 4,2% da população no último trimestre de 2008, acima dos 4% considerados "aceitáveis" pelo governo.

Projeções oficiais apontam que o nível de desemprego chegará a 4,6% neste ano que começa - o pior índice desde 1980.

Para aliviar o problema, o governo lançou um pacote de incentivos de US$586 bilhões em novembro e aprovou medidas como corte de impostos e aumento de subsídios públicos para os cidadãos.

Apesar disso, as autoridades reconhecem que, em meio à crise, os resultados do estímulo demorarão um pouco para aparecer e que, possivelmente, os indicadores começarão a mostrar números considerados favoráveis só a partir da segunda metade de 2009.

Indústrias

Somente em dezembro de 2008 o crescimento da produção industrial caiu para 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior - uma forte desaceleração em comparação com os 16,18% registrados no primeiro semestre de 2008, na comparação com a primeira metade de 2007.

A retração começou a aparecer nas pequenas empresas exportadoras das regiões costeiras, no leste e sul do país, mas agora já se alastra para grandes companhias e avança também em direção ao centro e oeste do país.

As vendas da China ao exterior registraram recuo recorde de 2,8% em dezembro, somando US$ 111 bilhões, o que representa a maior queda em uma década.

A própria demanda por commodities despencou no último trimestre, afetando exportações de países como o Brasil e a Austrália.

Somente entre outubro e dezembro passado as vendas brasileiras à China totalizaram US$ 2,69 bilhões, um recuo de 42,7% em comparação aos três meses anteriores.

De julho a setembro do ano passado as exportações foram da ordem de US$6,30 bilhões, segundo dados do Ministério brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.