BC supera expectativa e corta juros em 1 ponto

Henrique Meirelles, presidente do BC (Foto: Valter Campanato/ABr)
Image caption O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou medidas para dar maior liquidez a bancos que fornecerem crédito para empresas brasileiras com dívidas em dólar

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira um corte de um ponto percentual na taxa básica de juros, a primeira redução desde setembro de 2007.

Um corte era previsto por analistas do mercado, mas muitos apostavam em uma queda menor, de 0,75 ponto percentual.

Mesmo os presentes na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que decidiu a nova taxa de juros se mostraram divididos quanto à decisão: cinco deles votaram a favor da queda de um ponto percentual e outros 3, a favor da queda de 0,75 ponto.

Com a redução, a taxa de juros Selic, que serve de parâmetro para os juros cobrados no mercado financeiro, passou a ser de 12,75% ao ano.

Recentes dados econômicos indicam uma tendência de desaquecimento e inflação em queda, reforçando a expectativa de que os juros fossem cortados.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo o país com a maior taxa de juros real, que é calculada descontando da taxa básica a taxa de inflação projetada para os próximos doze meses.

Indicadores

Apesar do movimento global de queda nas taxas de juros, o Banco Central vinha resistindo à pressão para seguir o mesmo caminho temendo que a medida pudesse impulsionar a inflação.

Entretanto, o IGP-10 de janeiro, divulgado na semana passada, apontou uma deflação de 0,85%, acima das previsões do mercado.

Também na semana passada, o IBGE divulgou outro indicador que revelou que as vendas do varejo em novembro ficaram abaixo das expectativas.

No setor industrial, também foram registrados sinais de desaquecimento. De acordo com uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a indústria nacional fechou o mês de novembro com uma queda de 9,9% no faturamento em relação ao mês anterior - o pior resultado desde março de 2003.

Por fim, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, registrou um corte de 654 mil vagas de trabalho em dezembro, o que revela uma tendência preocupante para o governo.

Juros mais baixos ajudam a impulsionar o crédito e o consumo. Por isso são utilizados como um dos principais instrumentos na recuperação econômica.

Em meio à crise financeira mundial, algumas das principais economias do mundo vêm anunciando há meses quedas significativas nas taxas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central americano) determinou em dezembro uma queda dos juros para entre zero e 0,25 ponto percentual ao ano.