Israel ataca Gaza após promessa de ação 'desproporcional'

Ehud Olmert

Sul de Israel foi atingido neste domingo por quatro foguetes

Aviões israelenses voltaram neste domingo a bombardear a Faixa de Gaza, horas depois de o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, ter prometido uma resposta "desproporcional" a um ataque anterior de foguetes disparados do território palestino contra o sul israelense.

De acordo com testemunhas palestinas, os aviões bombardearam uma delegacia na cidade de Gaza, mas aparentemente o local estava vazio. Israel já havia feito a advertência aos moradores locais de que iria atacar na área.

Palestinos também disseram ter ouvido explosões no sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito, onde há uma conhecida rede de túneis usados para contrabandear bens para o território palestino.

Não há relatos de vítimas nos ataques.

"Desproporcional"

"Já dissemos que se houver novos disparos de foguetes contra o sul do país, haverá uma resposta israelense desproporcional ao fogo contra os cidadãos de Israel e suas força de segurança", afirmou Olmert mais cedo, durante a reunião dominical de gabinete.

Nos últimos dias, houve ataques esporádicos com foguetes disparados da Faixa de Gaza contra Israel, apesar da trégua declarada pelo grupo Hamas, que controla a região.

Neste domingo, ao menos dois foguetes atingiram o sul de Israel.

Há duas semanas, Israel e o Hamas declararam cessar-fogo após três semanas de uma ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza com o objetivo de interromper os ataques palestinos com foguetes.

A ofensiva militar provocou a morte de cerca de 1.300 palestinos, muitos deles civis, além de dez soldados israelenses. Outros três civis israelenses foram mortos em consequência dos ataques com foguetes palestinos.

Creches

No sábado, um foguete disparado a partir de Gaza já havia atingido a cidade de Ashkelon, também sem deixar vítimas. Pelo menos outros dois foguetes já haviam sido disparados nos dias anteriores.

Na última terça-feira, um soldado de Israel foi morto em um ataque a bomba na fronteira com Gaza. Israel respondeu com ataques aéreos e uma breve incursão terrestre ao território com tanques e soldados.

"Não vamos concordar em voltar às regras antigas do jogo e vamos agir de acordo com as novas regras que garantirão que não sejamos levados a uma guerra de olho-por-olho que não permitirá uma vida normal no sul do país", disse Olmert.

"A situação nos últimos dias cresceu de uma maneira que não permite a Israel não retaliar para deixar claro que nossa posição seja entendida por aqueles envolvidos nos disparos", afirmou o premiê.

Segundo ele, a resposta "virá no momento, no local e na maneira que Israel escolher".

Eleições

Israel afirma que seu objetivo é impedir os ataques com foguetes contra seu território e evitar que o Hamas consiga se rearmar.

Segundo analistas, os políticos responsáveis pelas decisões de atacar Gaza estão de olho nas eleições gerais marcadas para o dia 10 deste mês.

A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, líder do partido Kadima (centro), o mesmo de Olmert, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, líder do partido Trabalhista (centro-esquerda), são candidatos ao cargo de primeiro-ministro.

Apesar de um aumento na popularidade de ambos os ministros após a ofensiva contra Gaza, a maioria das pesquisas indica uma vantagem para o ex-premiê Binyamin Netanyahu, líder do partido Likud (direita).

O Hamas pede, como uma das condições para a continuidade da trégua, a reabertura das fronteiras da Faixa de Gaza após 18 meses de um bloqueio que deixaram a economia local em situação crítica.

Israel alega que as fronteiras foram fechadas para impedir que o Hamas receba armamentos de fora e pressiona o Egito a controlar melhor sua fronteira com Gaza, onde há inúmeros túneis supostamente utilizados para o contrabando de armas.

O Egito vem liderando os esforços para um cessar-fogo permanente na região com diálogos separados com autoridades de Israel e do Hamas.

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