Farc admitem assassinato de oito índios na Colômbia

Soldados colombianos patrulham interior do país em 2002
Image caption Farc disseram que indígenas colaboravam com o Exército

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) admitiram nesta terça-feira o assassinato de oito índios acusados pelo grupo de prestar serviços de inteligência para o Exército.

As Farc afirmaram por meio de um comunicado que os índios da etnia Awá localizavam os acampamentos guerrilheiros para logo depois informar ao Exército, que por sua vez atacava aos rebeldes.

"Diante da pressão da operação (militar), sua responsabilidade (a dos indígenas) na morte de muitos guerrilheiros e sua inegável participação ativa no conflito, foram executados", afirma a guerrilha no comunicado.

Tanto o governo como organizações civis condenaram os assassinatos.

Condenação

Também nesta terça-feira, o Exército anunciou ter encontrado uma vala comum onde teria sido encontrado o corpo de pelo menos um indígena, cuja identidade não pode ser comprovada porque o local estaria minado, de acordo com as autoridades colombianas.

Segundo as Farc, os índios teriam confessado serem colaboradores das autoridades colombianas. O Exército negou essa versão.

"Nossa ação não foi contra indígenas, foi contra pessoas que, independentemente de sua raça, religião, etnia, ou condição social, aceitaram dinheiro e se colocaram a serviço do Exército em uma área que é objeto de uma operação militar", acrescentaram.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, a senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora junto à guerrilha para a libertação de reféns, disse que o massacre era um "tropeço muito forte" que prejudica a libertação de novos sequestrados em poder da guerrilha e as negociações para um acordo de troca de reféns por guerrilheiros presos.

Na semana passada, autoridades colombianas e a Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic) já haviam acusado a guerrilha de executar 27 índios no departamento (Estado) de Nariño, no sudoeste colombiano.