Escândalo financeiro nos EUA causa preocupação na América Latina e no Caribe

Fila no Bank of Antigua (AFP)
Image caption Pessoas fizeram filas para saber a situação de suas economias

O anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos de que o empresário americano Allen Stanford pode ter cometido uma fraude de cerca de US$ 8 bilhões no sistema financeiro causou preocupação e uma corrida aos bancos da empresa em países da América Latina e do Caribe nesta quarta-feira.

Em países como Venezuela, México e na ilha caribenha de Antígua e Barbuda (paraíso fiscal onde Stanford tem grandes investimentos), centenas de pessoas correram às agências bancárias ligadas ao grupo para checar suas economias ou retirar dinheiro, com medo de que os ativos dos bancos sejam congelados.

Na última terça-feira, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) acusou o empresário texano de uma fraude bilionária envolvendo a comercialização de certificados de depósitos de alta rentabilidade que prometiam enormes retornos aos clientes.

Entre as companhias acusadas de participar da fraude estão a Stanford International Bank, com sede na ilha caribenha de Antígua, a Stanford Group Co., baseada em Houston, nos EUA, e a consultoria Stanford Capital Management, que tiveram parte de seus ativos congelados. Além disso, o grupo Stanford possui vários negócios na América Latina, o que fez com que muitos acionistas ficassem preocupados.

Preocupação

Na Venezuela, centenas de pessoas fizeram filas na frente de agências afiliadas ao Stanford International Bank para obter informações sobre seus investimentos.

Em uma tentativa de acalmar a população, o superintendente de bancos do país, Edgar Hernández Behrens, assegurou que a sucursal do Stanford Bank na Venezuela é independente das sedes da instituição no Caribe e nos EUA.

Mesmo assim, ele afirmou que investidores venezuelanos poderiam ter fundos de cerca de US$ 2,5 bilhões na sede do banco Stanford na ilha de Antígua, parte do arquipélado de Antígua e Barbuda.

O escândalo também causou preocupação na ilha caribenha, onde pessoas fizeram filas nas agências do Banco de Antígua, algumas para checar os seus depósitos e outras para tentar sacar o seu dinheiro.

A segurança nos locais foi reforçada pela polícia.

Apesar de ser de propriedade do grupo financeiro Stanford, o Banco de Antígua não é parte do Stanford International Bank (com sede na ilha) ou de outras empresas do grupo financeiro que tiveram seus ativos congelados.

Segundo o correspondente da BBC em Caracas, Will Grant, a situação em Antígua e Barbuda é muito mais preocupante do que na Venezuela, pois Stanford tinha mais investimentos no país caribenho.

Intervenção

No Panamá, a autoridade que regula a atividade bancária anunciou nesta quarta-feira a tomada do controle da filial do Stanford Financial Group no país.

Image caption Stanford é acusado de fraude de US$ 8 bilhões

Já a filial do grupo na Colômbia suspendeu suas operações, com a autorização da Superintendência Financeira do país.

Segundo um comunicado divulgado pelo órgão, a Stanford S.A. só poderá utilizar os recursos em seu poder para cumprir operações e compromissos pendentes.

No Equador, uma subsidiária local do grupo anunciou que deverá suspender suas operações na bolsa de Quito por tinta dias.

A filial do grupo no país, no entanto, afirmou que os investidores domésticos não serão afetados pelo escândalo que atinge a companhia nos EUA, já que ela seria independente da sede americana.

Já na Cidade do México, dezenas de investidores reivindicaram suas economias em frente aos escritórios da Stanford Financial, que não abriu as portas nesta quarta-feira.

Mesmo assim, a mexicana Stanford Fondos divulgou um comunicado onde afirma que o "Stanford International Bank é uma entidade diferente do mesmo grupo".