Bispo que negou Holocausto chega a Londres

Richard Williamson no aeroporto de Heathrow
Image caption Richard Wiliamson passou pelos repórteres em Heathrow com escolta

O bispo inglês Richard Williamson, que colocou em dúvida a existência do Holocausto, desembarcou no aeroporto de Heathrow, em Londres, nesta quarta-feira, depois de ter recebido ordem para deixar a Argentina, onde estava radicado desde 2003.

Vestindo uma roupa preta e usando um colarinho de batina, Williamson foi escoltado por policiais ao atravessar a multidão de repórteres que o aguardavam no aeroporto, e se recusou a responder a perguntas.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o controvertido bispo foi levado para uma casa no bairro de Wimbledon, no sul de Londres, cujo endereço está sendo mantido em segredo.

Na última quinta-feira, o governo argentino divulgou um comunicado dizendo que se o religioso não saísse do país no prazo máximo de dez dias "sem adiamento" seria expulso por decreto.

O bispo gerou polêmica depois de uma entrevista a uma TV sueca, em 2008, em que colocou em dúvida a ocorrência do Holocausto - a eliminação sistemática de milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Este ano, ele voltou a questionar o Holocausto em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, logo após um pedido do Papa Bento 16 para que se retratasse das primeiras declarações.

Williamson, nesta segunda entrevista, disse que se retrataria depois que encontrasse "provas" do Holocausto.

Suas afirmações geraram fortes críticas da comunidade judaica no mundo inteiro. Na ocasião, a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediu "esclarecimentos" ao papa, já que o Vaticano pretendia incorporá-lo à Igreja Católica.

Sem autorização

Williamson é bispo da Fraternidade Sacerdotal Pio 10 - fundada em 1969 pelo bispo francês dissidente Marcel Lefebvre -, e até este mês dirigia um seminário e realizava missas na localidade de La Reja, na província de Buenos Aires, onde trabalhava desde 2003.

Em 1988, ele e outros bispos desta congregação foram promovidos a bispos sem a autorização da igreja e, agora, o Papa Bento 16 pretendia incorporá-los de volta à estrutura do Vaticano.

Para justificar a decisão de pedir que o bispo deixasse o país, o governo argentino argumentou que o bispo mentiu sobre o verdadeiro motivo de sua permanência no país ao ter declarado, quando entrou na Argentina, ser um empregado administrativo de uma Associação Civil e não um sacerdote e diretor de seminário.

"Cabe destacar que o bispo Williamson ganhou notoriedade pública por suas declarações antissemitas", disse o comunicado oficial sobre a questão.

"Por essas considerações, somadas à energética condenação do governo argentino a manifestações como estas, que agridem profundamente a sociedade argentina, ao povo judeu e toda a humanidade, o governo nacional decide fazer uso dos poderes de que dispõe por lei e exigir que o bispo lefebvrista abandone o país ou se submeta à expulsão."

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