Ataque na Irlanda não vai interromper a paz, diz Brown

Homem deixa flores em frente a quartel
Image caption Soldados mortos se preparavam para embarcar para o Afeganistão

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, está visitando a Irlanda do Norte nesta segunda-feira, após um atentado a tiros que matou dois soldados britânicos na noite de sábado.

Nesta manhã, Brown visitou o quartel de Massereene, no condado de Antrim, ocorreu o ataque. De lá, o premiê seguiu para Stormont, onde se encontrou com líderes dos principais partidos irlandeses.

Brown disse que não vai permitir que o ataque atrapalhe anos de progresso na Irlanda do Norte, onde um acordo de paz firmado em 1998 pôs fim a 30 anos de conflito civil.

Um grupo dissidente do Exército Revolucionário Irlandês (IRA, na sigla em inglês), que se intitula IRA Autêntico, assumiu a responsabilidade pelo atentado, que deixou ainda quatro pessoas com ferimentos graves, uma delas em estado crítico.

'Ataque à paz'

"O que eu vi nesta manhã é a unidade do povo da Irlanda do Norte e a unidade dos partidos políticos", afirmou Brown. "Eles vão continuar trabalhando juntos e querem mandar uma mensagem ao mundo, assim como eu: a de que o processo político não será abalado."

Gerry Adams, presidente do Sinn Fein, o braço político do IRA, disse que os assassinatos foram "um ataque ao processo de paz".

O atentado obrigou as autoridades a rever a segurança das bases policiais e militares na Irlanda do Norte.

A polícia encontrou um carro abandonado a cerca de 10 km do quartel, que eles suspeitam ter sido usado pelos atiradores.

'Insensível'

Nesta segunda-feira, o Exército britânico divulgou os nomes dos dois soldados mortos: Mark Quinzey, de 23 anos, e Cengiz "Patrick" Azimka, de 21.

O comandante do Exército na Irlanda do Norte, brigadeiro George Norton, afirmou que ambos eram "indivíduos maravilhosos", mortos em um ataque "insensível".

Os dois estavam se preparando para serem enviados ao Afeganistão.

Eles foram os primeiros soldados britânicos a serem mortos na Irlanda do Norte desde 1997, quando Stephen Restorick foi morto por um atirador do IRA.

O IRA Autêntico surgiu como uma dissidência do IRA em outubro daquele ano. O grupo foi responsável pela pior atrocidade já realizada na Irlanda do Norte, quando explodiu um carro-bomba na cidade de Omagh, em 1998, matando 29 pessoas.