Ministros das Finanças do G20 concordam em aumentar recursos do FMI

Ministros do G20 em Horsham
Image caption Ministros do G20 chegaram ao encontro com muitas divergências

Os ministros das Finanças dos países do G20 que participam neste sábado de uma reunião preparatória para a cúpula de chefes de Estado em abril concordaram com um aumento significativo dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Estamos comprometidos com o esforço sustentado necessário para restaurar o crescimento", afirmaram os ministros em uma declaração conjunta.

A decisão, tomada em Horsham, no sul da Grã-Bretanha, tem o objetivo de permitir que a instituição atenda aos países que precisam de ajuda por causa da crise econômica global.

O ministro da Fazenda da Grã-Bretanha, Alistair Darling, que presidiu o encontro, disse que a necessidade de fundos é "urgente", mas não mencionou uma cifra.

Em um pronunciamento depois da reunião dos ministros, Darling afirmou que o G20 reconhece o "senso de emergência" que marca a economia mundial.

"Tomamos medidas decisivas e compreensivas para aumentar a demanda e empregos. Estamos prontos para tomar qualquer medida necessária", disse.

"A preocupação no momento é que muitas economias emergentes estão descobrindo que o capital que eles pensavam que tinham está começando a fluir para economias desenvolvidas e, claro, não está apenas ameaçando sua habilidade de implantar os estímulos que acharem necessários, mas também enfraquece sua posição."

"Por isso acreditamos que apenas o FMI (...) está mais bem posicionado para lidar com isso e por isso o FMI precisa de mais recursos para executar esta função", afirmou o ministro da Fazenda britânico.

Reformas

Brasil, Rússia, Índia e China - o grupo de países conhecido pela sigla BRIC - haviam anunciado na sexta-feira que não darão recursos extras ao FMI enquanto a instituição não for reformada para permitir maior participação dos quatro países emergentes.

"Nós tomamos a posição de não fazer aportes adicionais de capitais ao Fundo Monetário Internacional enquanto não houver uma reforma de cotas e vozes", disse na ocasião o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Mantido o status quo, a nossa representação no FMI é pequena diante do peso dos BRICs", completou.

Os Estados Unidos querem triplicar os fundos da instituição, chegando a US$ 700 bilhões, e a União Europeia defende uma cifra de US$ 500 bilhões.

Além de Brasil, Rússia, Índia e China, o G20 é composto por Argentina, Coreia do Sul, Turquia, Austrália, Indonésia, México, África do Sul, Arábia Saudita, União Europeia, e pelas sete economias mais industrializadas do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha.

Image caption Geithner e Darling afirmaram que não ocorreram tantas diferenças na reunião

A reunião de chefes de Estado do G20 acontece no dia 2 de abril em Londres. O encontro terá presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

Cautela

Enquanto os ministros das Finanças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha lideram os pedidos para mais gastos públicos em pacotes de estímulo econômico para ajudar a acelerar as economias do mundo, outros ministros europeus pediram mais cautela.

Liderados pelo ministro das Finanças alemão Peer Steinbrueck, os ministros se preocupam com todos os bilhões dos pacotes de estímulo que aumentam ainda mais o déficit orçamentário dos governos. Os ministros acrescentaram que seria melhor verificar se os atuais planos começam a funcionar antes de destinar mais dinheiro.

Depois da reunião, Darling e o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmaram que não ocorreram tantas diferenças na reunião de Horsham.

Darling afirmou que ocorreram "progressos significativos". Geithner, por sua vez, acrescentou que "chegamos a um consenso amplo a respeito da necessidade de agir com agressividade para retomar o crescimento da economia global".

Mas, o ministro Peer Steinbrueck destacou a preocupação da Alemanha com os gastos públicos.

"A dívida pública será uma carga muito pesada para nossos filhos e netos e será necessária uma estratégia", disse.