ONG acusa pedreiras israelenses de 'saquear' recursos palestinos

Pedreira na Cisjordânia (Foto: Dror Etkes, Yesh Din)
Image caption ONG acusa pedreiras israelenses de explorarem recursos palestinos

Uma das maiores organizações de defesa direitos humanos de Israel, a Yesh Din (Existe Lei), acusou 10 pedreiras israelenses de "saquearem" minerais extraídos da Cisjordânia.

De acordo com a ONG, essas pedreiras transportam 75% dos produtos extraídos para Israel, violando a lei internacional que proíbe a força ocupante de explorar e retirar riquezas naturais do território ocupado.

A Yesh Din entrou com uma petição junto à Suprema Corte de Justiça de Israel exigindo que os juízes ordenem a suspensão imediata das atividades de pedreiras israelenses na Cisjordânia.

"Estamos cometendo um crime nas terras da Cisjordânia quando retiramos pedras e minerais e os transportamos, por meio de caminhões, para o território soberano de Israel, para suprir as necessidades da economia israelense", diz a petição.

"Este saque é cometido há anos, com o conhecimento, a permissão e a proteção das autoridades governamentais e das autoridades (israelenses) no território ocupado", afirma a ONG.

Autorização

O petição é dirigida tanto contra as pedreiras como contra o comandante do Exército israelense na Cisjordânia e contra a Administração Civil dos territórios ocupados.

A Administração Civil é o orgão do Exército israelense que cuida de assuntos civis nos territórios ocupados, e é responsável pela distribuição de permissões para as atividades das pedreiras.

Segundo o porta-voz da Administração Civil, Micky Galin, "os procedimentos para a autorização das pedreiras são compatíveis com as leis internacionais relevantes".

Galin disse à BBC Brasil que "a Administração Civil está realizando um exame da política atual em relação à atividade das pedreiras".

Galin também confirmou que "pedreiras israelenses atuam na região da Judeia e Samaria (nome bíblico da Cisjordânia) há anos e que a Administração Civil controla e é responsável pelas licenças dadas a essas atividades".

A Yesh Din cita um estudo realizado pelo Ministério do Interior de Israel, segundo o qual, das 12 milhões de toneladas de pedra para construção que as pedreiras israelenses extraem a cada ano do território palestino, nove milhões são transportadas para Israel.

Os três milhões restantes são utilizados pelo setor de construção palestino e também para construir assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Segundo o estudo, restam mais 360 milhões de toneladas de material para extração na Cisjordânia e essa quantidade poderia suprir as necessidades israelenses por mais 30 anos.

O advogado da Yesh Din, Michael Sfard, disse à BBC Brasil que considera altas as chances de que a Suprema Corte aceite o recurso.

"Temos argumentos muito fortes do ponto de vista jurídico", disse Sfard, "porém do ponto de vista público a questão pode ser complicada pois a suspensão das atividades dessas pedreiras poderia implicar em prejuízos econômicos sérios para Israel".

De acordo com o advogado, 20% das pedras utilizadas na construção civil em Israel são retiradas da Cisjordânia.

Michael Sfard também afirmou que tem certeza de que "quando houver um acordo de paz entre Israel e os palestinos, Israel terá que pagar uma indenização pela retirada desses recursos naturais, da mesma maneira que Israel indenizou o Egito pelo petróleo que extraiu do Sinai".

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