Áudio atribuído a Bin Laden pede derrubada de presidente da Somália

O presidente da Somália, Sheikh Sharif Sheikh Ahmed
Image caption O presidente da Somália, Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, prometeu introduzir a Sharia

Um áudio atribuído ao líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, exorta insurgentes da Somália a derrubarem o presidente do país. A gravação foi divulgada na internet.

Segundo a gravação, o presidente Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, islâmico moderado, "mudou para se alinhar ao infiel".

Ahmed tomou posse em janeiro deste ano, depois de negociações pela reconciliação promovidas pela ONU e promoteu introduzir a sharia (lei islâmica) no país majoritariamente muçulmano.

Militantes do grupo islâmico de linha-dura al Shabab, aliado à al Qaeda, entretanto, continuam a lutar contra o presidente.

Ainda não foi confirmada a autoria da gravação, mas a voz é semelhante à de Bin Laden e a mensagem foi divulgada por websites militantes conhecidos.

A fita de 12 minutos - intitulada "Lutem, campeões da Somália" - traz uma conhecida foto de Bin Laden com um mapa da Somália ao fundo.

Infiel

A fita afirma que a eleição do líder da Somália foi "induzida pelo enviado americano ao Quênia".

Na gravação, o suposto Bin Laden acusa Ahmed de ter "mudado e virado as costas... para se alinhar com o infiel" em um governo de união nacional.

"Esse Sheikh Sharif... precisa ser combatido e derrubado", afirma a gravação, antes de comparar o líder somali aos "presidentes (árabes) que recebem dinheiro de nossos inimigos".

E acrescenta: "Como pessoas inteligentes podem acreditar que os inimigos de ontem com base na religião, podem se tornar os amigos de hoje? Isso só pode ocorrer se uma das partes abandonar sua religião".

Ahmed foi um dos líderes da União das Cortes Islâmicas, que controlou Mogadíscio em 2006 antes de ser expulsa da capital pelas forças etíopes, que apoiavam o ex-presidente da Somália.

A Somália, um país de cerca de oito milhões de pessoas, passou cerca de 18 anos sem um governo nacional que funcionasse, desde a queda do presidente Siad Barre em 1992.

As tropas etíopes se retiraram da Somália em janeiro deste ano, como parte do processo promovido pela ONU para reconciliar islamistas moderados com parlamentares dissidentes em um governo de união nacional.

O presidente Ahmed conta com o apoio de vários grupos islâmicos mas o grupo al-Shabab continua a combater o governo somali e as tropas de paz da União Africana na capital.

A guerrilha controla boa parte do sul e centro da Somália.

No início do mês, o governo apresentou uma proposta para introduzir a sharia no país, o que foi visto por analistas como uma manobra para retirar o apoio ao al-Shabab.

Mas o grupo radical islâmico rejeitou a proposta, afirmando que ela não seria uma versão rigorosa o suficiente da Lei Islâmica.

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