EUA devem abrandar restrições a Cuba, mas querem mudanças

Cubanos aguardam chegada de parentes no Aeroporto Internacional Jose Marti, em Havana (AP, 3/4)
Image caption Governo Obama deve relaxar restrições a viagens a Cuba

Os Estados Unidos devem relaxar algumas das restrições impostas contra o regime de Cuba, mas crêem que o governo do país caribenho ainda não tomou as medidas necessárias para se reintegrar plenamente à comunidade interamericana, de acordo com o embaixador Jeffrey Davidow, o enviado americano à Cúpula das Américas.

Entre as medidas que devem ser anunciadas pelo governo de Barack Obama, segundo Davidow, estão o fim do limite a quantias que podem ser enviadas por cubano-americanos a seus parentes na ilha e um relaxamento das restrições de viagens ao país caribenho para pessoas de origem cubana residentes nos EUA.

O governo Bush havia limitado as viagens de cubano-americanos ao máximo de duas semanas a cada três anos. E impôs que visitas só poderiam ser feitas a familiares próximos, como pais, cônjuges e irmãos, mas não a tios e primos, por exemplo.

As mudanças deverão ser anunciadas nos próximos dez dias, antes, portanto, da realização da Cúpula das Américas - o encontro que acontecerá entre 17 e 19 de abril em Trinidad e Tobago e que contará com 34 nações da região, mas não com a presença de Cuba.

Presença inapropriada

De acordo com o embaixador Jeffrey Davidow, o enviado americano à Cúpula das Américas, o país governador por Raúl Castro não reúne credenciais democráticas similares às de seus vizinhos, o que torna sua presença no encontro inapropriada.

"Não creio que Cuba devesse participar. A primeira cúpula (das Américas), realizada em 1994, foi uma celebração das mudanças no hemisfério, de quando ele deixou de ser regido por governos não-democráticos. Passados 15 anos, a guinada democrática continuou e Cuba permanece sendo um Estado não-democrático", afirmou Davidow.

Segundo o embaixador, "nós permitiremos que Cuba se reintegre à comunidade interamericana em algum momento, mas não será nesta cúpula".

Discussões

O ex-líder cubano Fidel Castro pediu, em um editorial publicado no jornal oficial cubano Granma, que a comunidade latino-americana leve ao presidente americano, Barack Obama, pedidos pelo fim do embargo comercial contra a nação caribenha.

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O representante dos Estados Unidos acredita que Cuba deverá ser um dos temas discutidos na reunião, mas acredita que a política americana para com o país caribenho não pode se tornar o tópico dominante no encontro. De acordo com Davidow, os Estados Unidos não irão impedir que os demais países levantem discussões a respeito de Cuba, mas preferem se centrar em temas que irão levar para a agenda da cúpula, como economia, inclusão social, programas ambientais e de política energética, além de políticas de segurança pública para a região.

Bolívia e Venezuela

Segundo o representante americano, a situação em relação a Cuba é bem distinta da que os Estados Unidos mantêm com Venezuela e Bolívia. Os dois países, há poucos meses, expulsaram os respectivos embaixadores americanos de seus territórios. Os bolivianos tomaram a decisão devido à suposta ingerência americana em protestos violentos realizados em diferentes regiões do país contra o governo. Em solidariedade à Bolívia, os venezuelanos resolveram tomar ação idêntica. "Foi uma pena que os governos da Venezuela e da Bolívia tenham tomado tais decisões. São situações não-naturais, que, esperamos, irão mudar. É preciso que tenhamos comunicações. Mas seguimos mantendo relações diplomáticas, só não contamos com diplomatas por lá", afirmou Davidow. O diplomata disse esperar também que os 34 países participantes da cúpula possam compartilhar ideias ligadas a propostas que vêm tendo êxito na região, que vão desde a parceria entre Brasil e Estados Unidos na área de biocombustíveis até programas de transferência de renda, como o Oportunidades, do México, e o Bolsa Família brasileiro.

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