Itália começa a sepultar vítimas de terremoto

Funeral de vítimas de terremoto na Itália
Image caption Milhares de pessoas acompanharam funerais de vítimas de terremoto

A Itália começou nesta quarta-feira a sepultar as vítimas do terremoto que atingiu a região central do país na segunda-feira, deixando mais de 270 mortos e 28 mil desabrigados.

Milhares de pessoas acompanharam o funeral do estudante Danilo Ciolli, de 25 anos, na cidade de Carovilli, em Molise.

Na cidade de Loreto Aprutino, em Pescara, outro estudante, Giuseppe Chiavaroli, de 24 anos, também foi sepultado. Moradores acompanharam o funeral e aplaudiram quando o caixão foi levado à igreja local.

Segundo o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, na sexta-feira, o bispo de Áquila, Giuseppe Molinari, vai rezar uma missa conjunta em homenagem aos mortos. Também será realizado um dia de luto em todo o país.

O papa Bento 16 disse que irá visitar a região "o mais breve possível". "Quero dizer à população que o papa compartilha da sua dor e das suas preocupações. Espero visitá-los o mais breve possível", afirmou.

Bento 16 elogiou as equipes de resgate, os policiais e as autoridades italianas por seu trabalho e disse que a rapidez em ajudar as pessoas atingidas demonstra "como é importante ter essa solidariedade para superar esses momentos difíceis".

Áquila é a capital da região de Abruzzo e foi uma das cidades mais atingidas pelo terremoto de segunda-feira. Uma moradora, Antonella Massi, disse que as pessoas ainda estão chocadas com a perda de tantos entes queridos.

"A cidade foi reduzida a pó, com mais de 40 mortos, muitos deles jovens", disse. "Uma geração inteira desapareceu."

Resgates

Cerca de 150 pessoas foram retiradas com vida dos escombros, mas os vários tremores secundários que ocorreram após o terremoto de segunda-feira prejudicam os trabalhos de buscas.

Foram registrados pelo menos sete novos terremotos na região durante a noite, deixando uma pessoa morta e destruindo prédios que já haviam sido abalados pelo tremor de segunda-feira.

Calcula-se que entre 3 mil e 10 mil prédios tenham sido danificados em Áquila, uma cidade medieval do século 13 com cerca de 70 mil habitantes.

Segundo o correspondente da BBC em Áquila, Dominic Hughes, desde o final de terça-feira não foram mais resgatadas pessoas com vida, e agora os esforços das equipes que trabalham na região se concentram a dar apoio aos sobreviventes.

Em uma coletiva de imprensa em Áquila, Berlusconi disse que 17,7 mil pessoas estão alojadas em acampamentos temporários erguidos pelas autoridades. Outras 10 mil pessoas estão em outros tipos de abrigo, segundo o primeiro-ministro.

Berlusconi manifestou preocupação com notícias de que estariam ocorrendo saques na região e afirmou que deverá apresentar um projeto de uma nova lei para impor punições severas a quem cometer esse tipo de crime.

"Quem quer que seja tão baixo a ponto de tentar tirar vantagem de uma tragédia como essa mostra uma completa falta de moral e será punido muito severamente", disse Berlusconi.

O premiê italiano também disse que serão enviadas tropas para proteger as casas vazias.

Em uma visita a um campo de desabrigados, Berlusconi causou polêmica ao afirmar que essas pessoas deveriam encarar a situação como se estivessem em um acampamento de fim de semana.

Mais tarde, o premiê se defendeu das críticas e disse que estava apenas tentando levar um pouco de otimismo aos desabrigados.

Segundo o chefe da Cruz Vermelha na Itália, Francesco Rocha, pode levar meses até que os desabrigados possam retornar a suas casas.

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