Reforma de imigração nos EUA poderá legalizar 12 milhões, diz NY Times

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Image caption Discussões sobre reforma de imigração começam este ano

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve iniciar ainda este ano as discussões sobre a reforma do sistema de imigração do país, podendo abrir caminho para a legalização de cerca de 12 milhões imigrantes ilegais, segundo uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira no jornal americano The New York Times.

Segundo informações fornecidas ao jornal por Cecilia Muñoz, vice-assistente de Obama e diretora de assuntos intergovernamentais da Casa Branca, o presidente deverá falar publicamente sobre o assunto em maio e, durante o verão americano, serão estabelecidos grupos de trabalho, compostos por legisladores dos partidos Democrata e Republicano, para discutir um esboço de legislação até o fim deste ano.

Segundo o NY Times, durante a campanha para a Presidência, Obama prometeu a milhões de imigrantes de origem hispânica - que votaram em massa no então canditato democrata - que a reforma das atuais regras de imigração seria uma das prioridades de seu primeiro ano de governo.

"Ele quer iniciar o debate este ano", confirmou Muñoz ao jornal.

Sair da sombra

Para o jornal, as discussões podem causar polêmica, em um ano em que o Obama, que tenta combater a crise no país, "tem outras batalhas para lutar".

De acordo com o diário americano, no mês passado o líder americano reconheceu que a imigração é um "campo minado em potencial".

"Eu sei que esta é uma questão que desperta emoções", disse o presidente em um encontro comunitário na Califórnia. "Mas os imigrantes têm que encontrar algum mecanismo de sair das sombras".

Segundo relatos das autoridades americanas ao jornal, os planos da Casa Branca não prevêem levar novos trabalhadores à força de trabalho americana, mas legalizar cerca de 12 milhões de imigrantes em situação de ilegalidade que já estão trabalhando no país.

Em linhas gerais, a futura legislação aceitaria os imigrantes ilegais por meio de um esquema que reconhece a violação à lei e prevê multas e outras penas.

A legislação ainda deverá incluir medidas para prevenir imigração ilegal no futuro, como maior vigilância nas fronteiras e punições para empregadores que contratarem ilegais.

Segundo o NY Times, muitos oponentes às novas regras, a maioria republicanos, devem "mobilizar a opinião pública contra os esforços do presidente".

"Não parece racional que algum líder político diga "vamos dar acesso ao mercado de trabalho a milhões de trabalhadores estrangeiros, quando temos milhões de americanos desempregados"", disse ao jornal Roy Beck, diretor-executivo de um grupo a favor da redução de imigração nos EUA.

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