Soldados tailandeses abrem fogo contra manifestantes

Policial aponta arma para cima em Bangcoc
Image caption Soldados dispararam contra manifestantes no centro da capital.

Soldados tailandeses abriram fogo nesta segunda-feira contra opositores do governo que protestavam no centro da capital Bangcoc.

Centenas de manifestantes, partidários do ex-premiê Thaksin Shinawatra, fazem protestos há quase uma semana pedindo a renúncia do atual premiê, Abhisit Vejjajiva, eleito pelo Parlamento em dezembro do ano passado.

Os opositores dizem que Vejjajiva não tem legalidade para governar o país.

Tiros contra multidão

Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc, Alastair Leithhead, tropas fiéis ao governo atiraram contra uma multidão nesta manhã em um dos principais cruzamentos da cidade. Os manifestantes teriam retaliado ateando fogo em um ônibus e lançando bombas inflamáveis e de gás lacrimogêneo na direção dos soldados.

"Os militares avançaram de repente com um canhão de água e dispararam tiros na direção dos manifestantes", contou Leithead. " A situação se tornou muito tensa".

Um dos porta-vozes do movimento que defende a deposição do governo, Jakrapob Penkair, disse à BBC que uma pessoa foi morta nos confrontos. O governo não confirmou a informação.

Um médico tailandês disse à BBC que cerca 74 pessoas foram levadas ao hospital após o episódio.

"Algumas haviam sido feridas a bala", contou o médico.

Um porta-voz do Exército, Sunserb Kaewkumnerd, disse que cerca de 400 soldados avançaram contra 300 manifestantes. Os militares dizem que usarão "todos os meios possíveis para restaurar a ordem".

Estado de emergência

Em entrevista à BBC, Thaksin Shinawatra negou qualquer envolvimento na organização dos protestos, mas disse que está oferecendo seu "apoio moral" aos opositores de Vejjajiva.

Falando de Dubai, o ex-premiê disse que as tropas do governo estão "suprimindo as manifestações de forma brutal e escondendo evidências de várias mortes". O governo nega.

No domingo, o governo tailandês decretou estado de emergência na capital Bangcoc e arredores, enquanto centenas de manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas", invadiam o Ministério do Interior e atacavam um carro que eles acreditavam estar levando o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

Estradas e pelo menos uma estação de trem foram bloqueadas pelos protestos e manifestantes tomaram ônibus e tanques que patrulhavam as ruas.

Grupos que apoiam o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que fugiu do país depois de ser acusado de corrupção, estão acampados em frente à sede do governo e vêm bloqueando o acesso aos prédios governamentais. Eles prometem manter a pressão até que Abhisit renuncie.

Com o estado de emergência, podem ser proibidos encontros de mais de cinco pessoas, a imprensa pode ser censurada e o exército pode ser mobilizado para ajudar a polícia a manter a ordem, como já está acontecendo.

No sábado, o governo tailandês foi obrigado a cancelar a Cúpula de Países Asiáticos, que aconteceria no balneário de Pattaya, por causa dos protestos. O fracasso do encontro deixou o premiê em uma posição delicada e ele prometeu medidas duras para restaurar a ordem.