Medidas dos EUA em relação a Cuba são ‘pequeno passo’, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, e o chanceler Celso Amorim em 8 de abril. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Image caption Amorim (na foto, com o chanceler cubano) defende o fim do embargo

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, descreveu nesta terça-feira como "um pequeno passo na direção certa" as medidas anunciadas pelo governo americano em relação a Cuba.

"O importante é que isso não seja apenas um primeiro passo e que não fique se esperando gestos de Cuba para poder continuar", disse o chanceler brasileiro.

A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira o fim de certas restrições nas relações do país com Cuba - entre elas, os limites impostos a cubano-americanos interessados em viajar à ilha e ao envio de dinheiro aos seus parentes no país caribenho.

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Segundo Amorim, as medidas são um passo "pequeno", pois em muitos aspectos "apenas restauram uma situação que existia antes das restrições criadas pelo (ex-presidente americano, George W.) Bush".

"Os Estados Unidos são um país soberano e decide que o vai fazer em relação a Cuba, mas a situação não é boa para nenhum dos lados", disse.

Cúpula

Apesar da expectativa de que não seja citada na declaração da Cúpula das Américas, a questão cubana promete ser um dos principais temas do evento, que começa nesta sexta-feira em Trinidad e Tobago.

"É preciso que o presidente Obama entenda que a região quer ver o fim do embargo", disse o chanceler brasileiro. "Mas também não nos interessa criar um clima negativo."

"As pessoas são maduras. E o presidente Obama é um presidente novo, com boas intenções de interlocução com diversos países."

Na avaliação de Amorim, "a sabedoria vai ser mostrar, com firmeza, quais são as posições da região, e ao mesmo tempo fazer isso de uma maneira não-agressiva, não-confrontacionista, que tem sido sempre nossa maneira de agir. Isso é o que eu acho e o que o presidente Lula acha", disse Amorim.

O ministro Carlos Duarte, chefe do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, disse que a questão cubana não deve ser incluída na declaração da cúpula porque esta "não tem uma conotação política".

"O assunto será, sim, discutido, mas no âmbito dos chefes de Estado", disse o diplomata.

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