Em meio a polêmica sobre métodos de interrogatório, Obama defende CIA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante visita à sede da CIA, nesta segunda-feira (Getty Images)
Image caption Obama disse que agentes da CIA não deve se sentir desencorajados

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou, nesta segunda-feira, seu "apoio total" à CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), em meio a uma polêmica sobre o uso de técnicas "duras" de interrogatório provocada após a divulgação de memorandos da agência.

Em uma visita ao quartel general da CIA, em Langley, nos arredores de Washington, Obama elogiou a agência ao afirmar que é "difícil" operar contra "inimigos inescrupulosos", mas afirmou que os Estados Unidos devem trabalhar sem desobedecer aos "valores" democráticos.

"Eu entendo que é difícil proteger o povo americano contra pessoas que não têm escrúpulos e que desejam matar inocentes. A Al-Qaeda não é limitada por uma Constituição. Muitos de nossos adversários não agem sob as crenças da liberdade de expressão, da representação em tribunais ou do Estado de Direito", disse Obama.

"O que faz os Estados Unidos especiais, e o que faz vocês especiais, é o fato de estarmos dispostos a defender nossos valores e nossos ideais mesmo quando é difícil fazê-lo. (...) Mesmo quando estamos com medo e sob ameaça", afirmou.

Obama já havia afirmado na quinta-feira que os membros da CIA não serão processados pelos controversos métodos de interrogatório usados durante o governo de George W. Bush e banidos em sua gestão.

Erros

Ele disse ainda que irá proteger a agência de maneira "vigorosa".

"Não fiquem desencorajados pelo que aconteceu nas últimas semanas (a divulgação dos memorandos). Não fiquem desencorajados pelo fato de reconhecermos que, potencialmente, cometemos alguns erros", disse o presidente americano.

"É assim que aprendemos. O fato de que desejamos reconhecê-los (os erros) e então seguirmos em frente faz com que eu sinta orgulho de ser presidente dos Estados Unidos. É por isso que vocês devem ter orgulho de serem agentes da CIA".

Interrogatórios

A visita de Obama à sede da agência acontece um dia depois de um ex-chefe da CIA, Michael Hayden, ter afirmado, em uma entrevista à rede Fox News, que a divulgação dos memorandos sobre as técnicas de interrogatório comprometerá a capacidade da agência de perseguir extremistas.

Os documentos revelaram que a técnica de interrogatório conhecida como "waterboarding" - que consiste na simulação de afogamentos - foi usada 266 vezes contra dois supostos membros da rede extremista Al-Qaeda. De acordo com o jornal The New York Times, a técnica foi usada 183 vezes contra Khalid Sheikh Mohammed, que confessou ter planejado os atentados de 11 de setembro de 2001.

O método também teria sido usado contra outro suspeito, Abu Zubaydah, pelo menos 83 vezes.

Organizações de defesa dos direitos humanos classificam estes métodos como tortura e pedem que os responsáveis sejam processados para evitar novos abusos.

Leia também na BBC Brasil: CIA usou técnica de afogamento 183 vezes em acusado pelo 11/9

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