Brasileiros no México adiantam retorno por medo de gripe suína

Erica Spinola González
Image caption Erica Spinola González (à esq.): "Preferimos não brincar com a sorte" (fotos: Carolina Hanashiro)

Em meio a rumores de uma possível quarentena e de medidas restritivas em aeroportos por causa do risco de uma epidemia de gripe suína, vários brasileiros que estão no país resolveram adiantar seu retorno ao Brasil.

Nesta segunda-feira, o embaixador brasileiro Sérgio Augusto Florêncio disse à BBC Brasil que até o momento não há no México nenhuma notificação de brasileiros vitimados pelo surto. "Mas tem gente muito assustada e querendo voltar ao Brasil o quanto antes."

É o caso da socióloga Silvia Portella, de 65 anos, que tinha viajado ao México para visitar parentes. Ao confirmar com o consulado que ainda não há nenhuma restrição no Brasil aos turistas provenientes do México, Silvia preferiu adiantar a volta.

"Fico preocupada com os que permanecem aqui", disse ela, poucos minutos antes de embarcar para São Paulo, na segunda-feira à noite.

No saguão do Aeroporto Internacional da Cidade do México um grupo de 16 estudantes brasileiros também lamentava a situação. "Viemos para fazer práticas clínicas, perdemos as aulas e estamos voltando antes do dia previsto", disse a estudante de Nutrição Rachel del Busso, de 23 anos. "Não estávamos muito preocupados até surgirem os primeiros casos na cidade onde estávamos e a família começar a ligar."

A dentista Erica Spinola González, de 34 anos, que vive no México há quatro anos, também viajou ao Brasil na segunda-feira. Grávida, ela resolveu adiantar em mais de um mês a viagem que faria ao Brasil com o marido.

"Acreditamos que a situação está sob controle, mas não queremos brincar com a sorte".

Image caption Os estudantes decidiram voltar quando o surto chegou à cidade em que estavam

Residentes

O atual surto da doença que vem causando preocupação em vários países surgiu no México, onde se suspeita que 149 pessoas tenham morrido de gripe suína.

Os brasileiros que vivem no país também estão tensos com a possibilidade de contágio. Para o fotógrafo Darcio Tutak, de 40 anos, que vive no país há um ano e meio, o que mais o preocupa é o fato de, como estrangeiro, não saber "para onde correr".

Tutak está tomando todas as medidas sugeridas pelo governo para diminuir o risco de contaminação, como o uso de máscara cirúrgica e a não utilização do transporte público. "Cancelaram alguns trabalhos e, portanto, não pretendo sair de casa nos próximos dias."

Sua namorada, a pós-produtora Gabriela Klein, de 34 anos, foi dispensada da empresa onde trabalha durante esta semana e também pretende se manter afastada de locais públicos. "Estamos preocupados. Se tusso ou espirro fico apreensiva com medo de estar contagiada", disse.

O gerente comercial da H.Stern, Alessandro Basseto, de 33 anos, há nove no México, vê a epidemia como algo preocupante, mas acredita que não há motivo para pânico. "A imprensa trata do assunto como se fosse algo sem saída, mas há forma de evitar a doença e há tratamento. É preciso ser cauteloso, mas sem desesperar."

O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage, reforça que é preciso manter a calma. "O trabalho consular está funcionando normalmente e, em conjunto às autoridades brasileiras, estamos apoiando as pessoas com informação", disse Lage.

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