Governo americano quer criar força de guerra digital

Esquadrão de Segurança de Rede dos Estados Unidos
Image caption Governo dos EUA estabeleceu destacamentos especializados para lidar com problemas de tecnologia

O chefe da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, tenente-coronel Keith Alexander, afirmou que o país precisa criar uma força de guerra digital para o futuro.

Alexander, que também deve chefiar o novo Comando Digital do Pentágono, divulgou suas opiniões em um relatório para o subcomitê do Departamento dos Serviços Armados, que deve ser apresentado nesta terça-feira, e que teve alguns pontos destacados em um artigo da agência Associated Press.

No documento ele declara que os Estados Unidos precisam reorganizar suas operações digitais defensivas e ofensivas e que são necessários mais treinamento e recursos.

Durante os últimos seis meses, o Pentágono já gastou mais de US$ 100 milhões em reação e reparos a danos causados por ataques online.

O novo departamento chefiado por Alexander, o Comando Digital, terá sua base em Fort Mead, no Estado de Maryland, e será parte do Comando Estratégico dos Estados Unidos, responsável pela segurança das redes militares do país, além de trabalhar junto com o Departamento de Segurança Doméstica.

O departamento deve começar suas operações em outubro e apenas em 2010 será totalmente operante.

'Primitivo e incerto'

A entrega do relatório ao subcomitê do Departamento dos Serviços Armados americano ocorre poucos dias depois de o Conselho Nacional de Pesquisa, que faz parte da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, afirmar que as políticas americanas para guerra digital são "mal formadas, não têm uma supervisão adequada e pedem um debate público mais amplo".

O relatório também afirmou que "a natureza primitiva e incerta" das políticas de guerra digital do governo americano podem levar ao mal uso em uma possível situação de crise.

O governo americano deve publicar em breve os resultados de uma análise, que durou 60 dias, da segurança digital do país, pedida pelo presidente Barack Obama.

Em um outro documento, o major brigadeiro da Força Aérea americana e chefe de comunicações William Shelton, afirmou que os Estados Unidos dependem muito dos esforços da indústria para reagir a ataques pela internet o que, segundo ele, "não acompanham o nível da ameaça".

Peter Wood, diretor de operações da companhia de tecnologia britânica First Base Technologies e especialista em guerra digital, afirmou que os Estados Unidos têm todo o direito de se proteger.

"Minha opinião é de que a única forma de reagir contra atividades criminosas e de espionagem é ser proativo. É bom que os Estados Unidos estejam assumindo uma postura mais formal em relação a isso", afirmou.

"O único problema é que a internet, devido à sua natureza, não tem fronteiras e se os Estados Unidos assumirem o posto de polícia do mundo, isto pode não ser bem visto", acrescentou.

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